quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Tripartite partida

Senado, reprove a indicação de Toffoli para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme o princípio de pesos e contra-pesos, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário devem equilibrar um ao outro. Por isso o presidente da República indica nomes para o STF, e o Senado aprova ou não.

Toffoli foi advogado do PT e reprovou em dois concursos para juiz de direito nos anos 90, ou seja, não possui independência e preparo para a carreira de ministro.

Lula deveria preencher a vaga com um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), pois a vacância veio após a morte de um ex-ministro desta corte. É justo o STJ reivindicar uma vaga permanente no STF, mesmo que em acordo de cavalheiros. Isso incentivaria juízes de carreira a galgar promoções por antigüidade e merecimento até chegar ao posto máximo da magistratura no Brasil.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Engarrafamento do bem

Ontem, na volta do Plano Piloto para Taguatinga, às 18h, fiquei três minutos ou mais parado na Estrutural. Parado. Não no esquema primeira-segunda-primeira marcha. Eu estava parado. Alguns motoristas desceram dos carros, conversaram entre si; outros desligaram os veículos e puxaram o freio de mão.

Até agora não sei o motivo da interrupção, mas quando ela passou, o trânsito fluiu bem até eu chegar em casa. Demorei o mesmo tempo dos outros dias, mas não me cansei, não me estressei. Assim poderiam ser todos os engarrafamentos: em vez de andar aos poucos, ficar parado para depois andar regular.

Isso me lembra uma idéia que gostaria de colocar aqui há muito, mas nunca tive oportunidade. Nos horários de pico, Brasília poderia fazer um rodízio. Exemplo: os funcionários do Setor Bancário saem às 17h; os da Esplanada às 18h; os da Praça do Buriti às 19h. Se saírem todos de uma vez, haverá o caos. Se saírem em doses homeopáticas, chegaram a casa em menos tempo e com menos desgaste.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Brinde ao Detran-DF

O servidor público mais odiado talvez seja o do Detran.

Há diversos motivos para o tópico frasal acima: arbitrariedade nas autuações, carros do órgão descumprindo a lei, falta de guinchos. Contudo, hoje o Detran-DF mostrou-se correto.

Autuaram-me por excesso de velocidade, mas a foto não permitia identificar a placa. Recorri, e o departamento deferiu meu pedido.

Que o comportamento dos maus servidores não manchem a imagem dos bons trabalhadores.

sábado, 22 de agosto de 2009

Nós

"A tristura talqualmente correição de sacassaia viera na taba e devorara até o silêncio."

ANDRADE, Mário. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 41.


Conheço só uma obra que representa uma nação: Macunaíma; todos os brasileiros podem se ver no herói. Mário de Andrade é inferior a Machado de Assis e Guimarães Rosa, por exemplo, mas fez algo que eles não conseguiram ou não tentaram. As obras do primeiro são retratos fluminenses; as do segundo, retratos sertanejos. Scott Fitzgerald representa em O grande Gatsby o americano, mas restrito aos anos 20. Kafka e Saramago representam o pior do homem, não ele todo. Apenas em Mário de Andrade vejo o alcance da plenitude.

Outro motivo põe Macunaíma entre o melhor da literatura latino-americana: a representação da cultura indígena, marca da maior região do Brasil e infiltrada nos países vizinhos.

Para os leitores cegos pelo ocidentalismo globalizado, é impossível ler o livro sem dicionário. Recomendo o do Instituto Houaiss. Por outro lado, a leitura é mais fluente que a de Grande sertão: veredas, servindo inclusive como preparação para o livro de Guimarães Rosa.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O óbvio ululante no esporte brasileiro

É claro que o Brasil não ganhou medalhas no mundial de atletismo.

César Cielo não competiu.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Duas chatas

A discussão se Dilma Roussef pressionou Lina Vieira é irrelevante. Lina teve a impressão - a impressão - de que Dilma pediu-lhe para melar investigação contra Sarney. Impressão sequer abre processo judicial.

Em vez de mexer com picuinhas, com ou sem intenções eleitorais, o Senado deveria fornecer mais momentos apoteóticos como a ira de Collor e a cantoria de Suplicy. Ou então deveria legislar a favor do Brasil.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A adiantação

Nos últimos dez anos uma mania de técnicos flagela o torcedor de futebol: a adiantação dos jogadores. O atleta não pode jogar uma temporada bem, mostrar recursos e repertório, que o chefe muda a posição dele, fazendo-o atuar mais avançado do que o de costume.

Segundo essa lógica, goleiro não pode ser goleiro, tem que ser líbero. Em vez de formar melhor os zagueiros, o clube exige que o goleiro corrija o trabalho deles e corte passes adversários. Assim, o guarda-metas joga adiantado e não raro toma gols em chutes fracos, mas indefensáveis quando se está mal-posicionado.

Hoje zagueiro com o mínimo de habilidade não pode ser zagueiro, como foi Beckenbauer, tem que ser volante ou lateral. Isso cria bizarrices como Alex Silva jogando no meio do Hamburgo, e os cruzamentos infrutíferos de Sergio Ramos na Espanha.

Hoje volante com bom passe não pode fazer a saída de bola, tem que ser o cérebro do time. Porém, mais à frente, são mais marcados e e obrigados a desempenhar funções que não sabem, como aconteceu com Hernanes e Íbson.

O meia-atacante, a posição mais rara do futebol, não pode organizar as jogadas, tem que ser o segundo atacante. Assim, os demais jogadores de frente e ele pegam menos na bola porque o armador não está onde deveria para recebê-la e passá-la.

Se um jogador vai bem em uma posição, deve ficar nela para manter o rendimento e não desperdiçar o potencial.