quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Feliz Natal

Hoje pela manhã minha mãe e eu saímos Taguatinga afora com 15 refrigerantes e 15 sanduíches nas mãos. Fomos distribuí-los para quinze pessoas sem ceia.

Rodamos um bom pedaço de Taguatinga Norte e encontramos apenas uma pessoa que realmente aparentava precisar do lanche. O senhor aceitou de bom grado e, sem eu falar nada, desejou-me feliz Natal.

Com quatorze lanches nas mãos, seguimos para uma área vazia próxima aos fundos de um supermercado no Pistão Sul. Lá encontramos duas famílias.

O que mais me chamou a atenção foi o cheiro. Havia estrume de vaca por todos os lados. Odor de lixo, de podridão, de inferno.

Abordamos a primeira família. A família nos abordou. Um menino nos abordou. Não tinha mais do que quatro anos. Ou tinha e não pôde desenvolver-se mais. O rapazinho estava feliz, sorridente. Correu até nós, passinhos curtos.

Como uma criança que aguarda a tão sonhada bola de futebol com a assinatura do Ronaldinho. Quem sabe o carrinho que vira robô, vira avião, vira irmão caçula. Vira um pão de padaria com presunto, queijo, alface e tomate. Mais um refrigerante de laranja.

Eu segurava o gaseificado, minha mãe, os sanduíches. O menino olhava para um, para outro, sem saber qual pegar, como se tivesse que escolher.

Os demais agradeceram, claro. Mas eram mais velhos, calejados de natais com fome, mal podiam esboçar reação. Não conseguiam.

Levamos o restante do lanche para a segunda família. Não foi necessário descer. Quando paramos o carro próximo da... da... casa (?), vieram ao nosso encontro. Mocinhas. Uma delas sorria um sorriso com poucos dentes. Mal entreguei a comida, elas a levaram. Outra menina debateu as mãos no interior do carro, à espera de mais. Como uma presidiária atrás de grades, encarcerada naquele terreno enorme, vazio, sem grade, sem parede, sem teto. Sem lar.

E eu livre dentro de um carro.

Depois percebemos haver uma terceira família. Uma mulher reclamava de que não havia mais nada pra ela.

Neste instante, um homem, sozinho, estacionou onde estávamos segundos atrás. Mãos vazias. Ele foi conversar com aquelas pessoas. Minha mãe comentou comigo: “às vezes, para essa gente uma conversa é um presente maior”.

[Frase] João Pereira Coutinho, português, colunista da Folha Online

“(...) desejo um Natal feliz. Brindemos juntos em nome dos ausentes. Mas brindemos, sobretudo, em nome dos presentes. São eles que um dia brindarão por nós.”

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

[Futebol] Parabéns para o Rio de Janeiro

O Flamengo prepara um ótimo time para 2008 com Bruno do Galo, Fábio Luciano, Rodrigo do São Paulo, Íbson, Gavilán, Renato Augusto. Agora Jônatas. Maxi é um jogador bom para os padrões sul-americanos. Só não pode achar que o Leonardo Moura jogue mais que uma azeitona.

Quanto ao Fluminense, muito bem também. Washington e Fabinho são excelentes. Mais Thiago Silva, Neves e Arouca. Só não pode achar que o Dodô jogue mais que uma topeira.

Só gostaria de saber de onde vem tanto dinheiro.

PS: Adriano é trinta vezes melhor que o Crespo, 58 melhor que o Ibraimovich, 125 melhor que o Suazo e 243 melhor que o Júlio Cruz. A Inter não pode achar que o Roberto Mancini saiba mais de futebol do que a rede do penta que o São Paulo vende.

[Fim do ano] No começo elas acham estranho, depois acostumam. Depois nem nos vemos mais

Da Folha Online, sobre declaração do presidente do Senado, Garibalde Alves (PMDB-AL):

“Garibaldi disse que fez um 'apelo' aos senadores que vão passar o Natal em Brasília para que compareçam à Casa na segunda-feira. 'Espero que a imprensa compreenda que não seria fácil nem agradável trazer aqui senadores na véspera do Natal. O que as famílias de vocês diriam se vocês fossem obrigados a ficar aqui na véspera, caso vocês morassem longe como nós moramos longe de casa?', questionou.”

Caro presidente do Congresso Nacional Brasileiro,

saiba a Vossa Excelência que jornalistas, e muitos outros profissionais, trabalham no Natal, virada do ano, no próprio aniversário, no aniversário da mãe e no dia trinta de fevereiro. Tudo isso com treze salários.

Obrigado.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

[Ficção] Deus deveria cobrar

Se Walcyr Carrasco plagiou um livro de Shirley Costa porque na novela há personagens semelhantes, vai haver uma onda de acusações contra todas as novelas anteriores da Globo.

Se Carrasco copiou a poção na bebida, o autor de Branca de Neve deve correr pelos seus direitos. A idéia não é a mesma da maçã envenenada? E quantos filmes, seriados e tudo o mais não tiveram a mesma idéia?

Arthur Conan Doyle, então, deveria processar Agatha Christie, ou o contrário? Deveriam ser processados por Shakespeare? Todas as histórias de assassinato são cópias da saga bíblica de Caim e Abel?

Nada se cria, tudo se plagia, ninguém vai reinventar a roda e um bom enredo de ficção.

[Política] A mesmice

Na festa dos funcionários da Presidência da República, o presidente Lula, mais uma vez, disse que muitos acreditam que o país não vai dar certo, que muitos querem que não dê certo.

Chute os candidatos mais cotados para a prefeitura de São Paulo, segundo o Ibope. Marta Suplicy, Geraldo Alkimin, o atual ocupante do cargo e o interminável e insumível Paulo Maluf.

Só falta saber a qual cargo Joaquim Roriz vai se candidatar em 2010 pelo DF. Lembremos que serão duas vagas para senador. E ele pode concorrer ao governo distrital.

Virem o disco, mudem o CD, baixem outro MP3.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

[Relacionamentos] Gê três e a tecnologia das vassouras

Pra que diabos alguém vai querer um telefone celular com banda larga e vídeo-conferência?

Por que o brasileiro passa horas no Orkut?

Por que numa repartição as pessoas ligam umas para as outras mesmo lotadas no mesmo andar?

Por que não valorizamos a visita, o contato pessoal?

Por que tantas vassouras de ponta-cabeça atrás da porta?

[Imprensa] É, amigo...

Galvão Bueno renovou contrato com a Globo até 2014. Vai cobrir a copa no Brasil.

Se alguém souber o por quê do prestígio desse cidadão, por favor, informe a esta Cova.

PS: Pior para o Arnaldo César Coelho.

[Diplomacia] Sou louco por você, Brasil

Primeiro, o caso dos músicos cubanos que preferem ficar no Brasil.

Depois, a filha de Fidel Castro mete o pau no regime comunista, onde há racionamento de comida.

Sem falar do artigo do português João Pereira Coutinho, na Folha Online. Leia: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u348494.shtml.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

[Futebol!] Uma rainha para o reinado

(O primeiro título que pensei para esta postagem foi “Rei de copas”, mas imaginei que, em algum lugar do mundo, alguém o usaria. Então, planejei “Os melhores do mundo”, mas acabei de vê-lo no blog de André Rocha, Futebol&Arte, o qual recomendo. Obrigado pela atenção, a postagem começa abaixo.)

Dentre os piores centroavantes do mundo, Filippo Inzagui é o melhor (faz gol e pronto).

Dentre os piores técnicos do mundo, Carlo Ancelotti é o melhor (muito bom mesmo!).

Dentre os jogadores com mais de 35 anos, Paolo Maldini é o melhor (desculpe-me, Romário).

Dentre todos os jogadores, Kaká é o melhor, disparado, independentemente da eleição da Fifa.

O Milan era o melhor time do mundo até domingo quando acabou o Mundial de Clubes. Agora passa o posto para o Manchester United. Acabou para essa geração.

Os rossoneri precisam, PELO MENOS, de um goleiro, dois zagueiros e um atacante, todos de ponta. Alexandre, o Pato, não é a solução imediata do ataque, precisa de tempo. Kaká precisou.

Por que não contratar a Marta?

[O Furor] Há mais, meu amigo

Vítor Noronha Matos (qual dos sobrenomes será usado em 2008?), autor do excelente O Furor, publicou certa vez que não falta mais nada para o Brasil. Temos uma maravilha do mundo, terremoto, santo. Rios de petróleo, presidente operário liberal metamórfico.

O referido blog apenas ressalta a inexistência de neve em Brasília. Mas o Natal tá aí, quem sabe?

Porém, hoje fui surpreendido. Há algo mais, inquietante, sorrateiro e oportunista.

Há um pardal na L3.

[Imprensa] É caro, mas vale a pena

Os principais jornais do país (que rima!) publicaram que o presidente Lula desautorizou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Jornais são empresas privadas, publicam o que querem. Mesmo sem alterar a fala de alguém, mudam os dizeres com o discurso indireto.

É o preço a se pagar pela liberdade de imprensa.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O pulo do gato

Artúrio Matim prefere jogar

Bela, sem dúvida. O velho não era mais um símbolo sexual, não tinha o vigor de outros tempos, mas volta-e-meia dava os seus pulos. Tinha dinheiro suficiente para comprar qualquer casamento, com qualquer mulher. Poderia alugar as prostitutas mais luxuosas.

Porém, ele se recusava. Considerava um fracasso pessoal precisar de dinheiro para ocupar a enorme cama do seu quarto. E era muito mais divertido o jogo da conquista. Como não revelava o seu status social, como não gastava fortunas com presentes, Matim garantia que o interesse feminino era sua lábia e sua experiência.

Um metro e setenta, cabelos negros sobre o travesseiro. A moça estava deitada de lado, as costas viradas para ele. Nua. O lençol cobria o quadril, de forma que não se via o íntimo dela. Matim preferia assim. Sem vulgaridade, algo misterioso a ser descoberto, explorado. Ela dormia profundamente.

Sete da manhã.

As bengalas estavam todas escondidas, ele não gostava de demonstrar fraqueza. Ela era uma pequena e promissora empresária. Conheceram-se numa boate tradicional da cidade. Matim oferecera uma bebida, apenas como cavalheirismo e decidiu cortejá-la porque ela recusou. Admirava a independência feminina.

Entretanto, fazia questão de levar as mulheres no seu carro (sem motorista) e de pagar hotéis (não motéis). Achava que era obrigação. Desta vez, para a surpresa dele próprio, levou a empresária para a mansão. Ela era interessante, entendia do assunto e gostou das horas com Matim. Ele nunca pergunta se elas gostaram, percebia a reação delas, o prazer no rosto.

Deu ordens à empregada que servisse, no quarto, um belo café da manhã e que o motorista levasse a moça para onde ela desejasse. Não queria mais vê-la.

Trancou-se no escritório, sacou a bengala específica para o cômodo e planejou o próximo golpe.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

[Futebol?] Mérito

O Corinthians cai e os empresários dos jogadores exigem aumento de salário.

Se os atletas não se pronunciarem na imprensa, vão ficar com fama de mercenário.

[Legislação] Debilidade

O Ministério Público, representante do cidadão perante a (falta de) Justiça, propôs a Sílvio Pereira, ex-secretário do Partido dos Trabalhadores, um acordo devido ao suposto envolvimento do secretário no mensalão. Para suspender a acusação de FORMAÇÃO DE QUADRILHA, o MP quer que Pereira preste serviços à comunidade.

Enquanto isso, no Pará, uma menor é mantida ENCARCERADA com vinte homens por acusação de furto. Fora as agressões, humilhações, abusos sexuais e as confortantes palavras do ex-delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, que disse ser a menina débil mental.

Débeis são as instituições deste país.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

[Diplomacia] Trote solidário

- White House, Dolling, good morning.

- Olá, Dolling, bom dia. Gostaria de falar com o presidente dos Estados Unidos.

Silêncio.

- With who I talk, mister...

- Silva. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil. Mas não precisamos de formalidades, não é mesmo?

- Ah... Hum... Mr. President, don't you have the personnal phone number of the president Bush?

- Sim, sim, eu devo tê-lo anotado em algum lugar. Mas eu sou brasileiro, minha filha, não sou metódico como um japonês. O Bush tá ocupado?

- Hum... A little bit, Mr. President - silêncio. - How did you get this number, sir?

Silêncio.

- Ah, tá bom, antes que a CIA bata na minha porta, vou abrir o jogo. Sou um adolescente – risos. - Vi o carinha islandês que agendou uma reunião com o Bush, achei a idéia legal. Na verdade, eu queria bater um papo com ele.

- About what? Global warming? Amazonia? FMI? Iraq?

- Não, não, isso todo mundo faz, não preciso pedir. É que eu fiquei sabendo de um... Como vocês chamam mesmo? Turkey. Ele salvou um turkey um dia desses no Dia de Ações de Graça, né.

- Right.

- Gostaria de pedir pra ele salvar algumas coisas por aqui, já que ele é o presidente do mundo.

- Sorry, but...

- País emergente, sabe como é, né? Então, ele podia ajudar um povo necessitado. Não que nós não temos dinheiro, mas se por aí tem desvio de verba, imagine aqui. Aí ele podia matar dar um presentinho de natal prum povo que não tem nada, sabe. Ele tem tanta coisa.

- Honey...

- Natal chegando, seria legal, quem sabe não ajuda ele nas eleições ano que vem? Sabia que uma bala de fuzil vale o mesmo que um cigarro de maconha? Imagine quantos brinquedos isso não dá!

- Ok, guy. I wrote your... sugestion.

- Obrigado, obrigado mesmo... Dolling, né. Desculpa aí o mau jeito, o jeitinho brasileiro. Por aqui a gente tem que mover mundos e fundos pra conseguir as coisas. Feliz natal antecipado pra você e pra sua família. Deus te abençoe.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Um homem que brinca de Deus

O começo da história de Artúrio Matim

Cansado de viver, o velho repousou a xícara na mesa. Reclamou do excesso de doce, “café deve ter gosto de café”, repetia. Num gesto lento, quase preguiçoso, olhou para uma parede, para a outra. Contemplou o retrato dos filhos pela sétima vez naquele dia.

Matim criou o hábito de esticar o andar das horas. Para evitar o tédio, fazia tudo de forma que gastasse mais tempo do que o necessário.

Ergueu-se. Comparou as cinco bengalas que tinha e demorou-se para escolher a mais apropriada para descer as escadas. Decidiu comprar mais uma, específica para aquele andar da mansão. Quando deu-se por satisfeito, optou pela de platina. Ele sempre descia andares com a de platina. Mas o processo de seleção empurrava o relógio.

Relampeou. Trovejou. Bem que seu joelho esquerdo lhe avisara de que iria chover. Foi para o jardim a fim de aproveitar a precipitação. Gostava de quando Deus chorava, parecia que ficavam mais próximos, achava que Ele ficava humano. Assim como quando Matim domina os homens e volta-e-meia brinca com suas vidas. Sentia-se mais divino.

No terrero, outra bengala o esperava, de ferro. Preferiu descalçar-se. Grama fria, as formigas escondidas, cheiro de nublado. Olhou para cima, a claridade das nuvens escuras o ofuscou. Fechou os olhos, à espera das lágrimas.

Mas Deus fungou e conseguiu segurar o choro.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O presente está velho

O ser humano é curioso e ansioso por si só. Quanto antes melhor. Quem não apertou o botão do elevador infinitas vezes, crente que chegará mais rápido?

As tecnologias digitais brindam o jornalismo com a rapidez de publicação. Se antes os nossos pais tinham que se contentar em ouvir o gol do Pelé, hoje eu quero ver o mais recente porre da Britney Spears enquanto ela estiver no hospital tomando glicose. Já. Não há tempo a perder.

A máquina fotográfica, que antes funcionava como um estilingue, configura-se como uma metralhadora. O carro de automobilismo é clicado dezenas de vezes enquanto passa na reta, a 300 km/h. Uma das fotos vai funcionar e, em minutos, aparecer na cobertura em tempo real na internet. No máximo, no jornal do dia seguinte. E se não for publicada, outro veículo o fará.

Em um segundo, capta-se qualquer coisa e em um minuto, com um cabo USB, a fotografia está num computador. O fotógrafo deu mole? Cinco minutos de Photoshop clareiam, escurecem, aumentam ou diminuem o que for preciso. Aquela pessoa incômoda, que estraga o enquadramento, pode ser retirada.

Tudo é fotografável. Os equipamentos são leves, práticos e enxergam objetos em grande velocidade a grandes distâncias. Até debaixo d'água.

E se você acha insuficiente, não se preocupe. Logo criarão a máquina que fotografa fantasmas e a máquina que fotografa o passado e o futuro. O presente está velho.

[Só no Brasil] Pulso, punho e cadeira

No Correio Braziliense de hoje:

“Roseana [Sarney, senadora do PMDB-MA] quebrou o pulso (sic) esquerdo na última sexta-feira e se encontra internada em um hospital de Brasília. Uma cadeira de rodas está pronta para a senadora votar em plenário”.

“(...) quebrou o pulso (sic) (...) Uma cadeira de rodas está pronta para a senadora votar em plenário”.

“(...) QUEBROU O PULSO (SIC) (...) UMA CADEIRA DE RODAS ESTÁ PRONTA PARA A SENADORA VOTAR EM PLENÁRIO”.

“(...) quebrou o PULSO (sic) (...) Uma CADEIRA DE RODAS está pronta para a senadora votar em plenário”.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

www.veja.com.br/historia

A revista Veja não é exemplo de bom jornalismo, longe disso. Porém, teve uma idéia fantástica. A publicação simulou, em seu endereço na internet, coberturas históricas de épocas em que Veja não existia.

Imagine Maquiavel nas páginas amarelas ou uma coluna de fofoca com Copérnico. É como se a revista estivesse em circulação no século 16.

Do achamento (isso mesmo, achamento) do Brasil à crise nuclear de 1962, o periódico fundado em 1968 escreve a história mundial, uma das funções do jornalismo. Tudo com o tradicional juízo de valor da revista, mas uma ótima diversão.

The Police apresenta suas armas

Será que só eu acho Os Paralamas do Sucesso muito (mas muito mesmo) melhor do que The Police?

Nunca que os estrageiros teriam qualidade para abrir um show dos feitos no Brasil.

Três coisas insuportáveis de ouvir (não necessariamente nessa ordem):

Beatles
Led Zeppelin
Pink Floyd

Ouça Rancho do vale na voz de Tião Carreiro e Pardinho e Bruno e Marrone.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Eu sou a favor da prorrogação da CPMF

E da redução dos impostos implícitos nas prateleiras;

Da redução dos gastos públicos;

Das verbas de gabinete;

Da demissão de aspones;

De sessões deliberativas de segunda a sexta;

De discutir o que realmente importa.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O menor respeito pela menor

Colocar a responsabilidade de sucessivos estupros na vítima não é só uma falta de bom-senso, caráter, honestidade e humanidade. É burrice.

Constituição da República Federativa do Brasil, artigo quinto:

XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral.

O poder público sequer sabe as regras que o regem.

E vem cá: num vai acontecer nada com esses bandidos (os presos)? Ou cometer crime dentro da cadeia não é crime?

Gea

Gordos ganham garrafas galesas. Gim.

Gostosas, gasosas, geladas.

Gastam grandes galões guardando-as.

Guardam goles, gêmeos gratos.

Gigantes germanos gerenciam greve. Gulosos.

Grazineiam grosseiramente, gringos gastões, guerra garantida.

Guri grita, grávida geme. Gigantes gaguejam, gêmeos gesticulam, goros.

Guiados, granjeiam gim, golpe genial.

Retiro o que eu disse (em portunhol)

Hay que ser un assessor de mierda
Con una ideia de mierda
Chávez llamó los venezuelanos de mierda
Por considerar su decisión de mierda

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Sobre o a torcida do Flamengo ser tombada como patrimônio cultural carioca

Enquanto a torcida comemora por si mesma, já que não tem motivos para comemorar devido ao seu time, eu celebro o fato de ter mais títulos mundiais, continentais e nacionais que o Flamengo.

Eles tem Obina, o chulo. Nós temos Aloísio, o Chulapa.

Papai Joel presenteará este são-paulino, mas na Libertadores do ano que vem, quando nós eliminarmos os rubro-negros.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Lula nem precisa forçar o terceiro mandato

A oposição e a imprensa fazem questão de fazer isso por ele. Lula se faz de João-sem-braço, diz que nunca cogitou tal possibilidade. Então por que diabos esse assunto está em pauta?

Oras, ninguém cogita terceiro mandato para Aécio Neves. Alguém se lembra de algo semelhante para FHC?

Apenas Lula ganha com isso. A idéia permanece viva, sem o presidente repercuti-la. Se houver terceiro mandato, ótimo para os petistas. Se não, nada muda.

Chávez ainda cala os venezuelanos

Parem, por favor. Não nos enganemos com o resultado do referendo na Venezuela. Terá sido uma derrota para Chávez? Mesmo? Ah, esse buraco é mais embaixo e lá no fundo há muito petróleo a ser queimado.

Então a oposição ao bolivarismo ressurgiu, deixou de ser apática? Os estudantes venezuelanos conduziram o resultado da votação? Uai, a primeira vez que ouvi falar deles foi ao ler hoje, no Correio Braziliense, sobre uma suposta influência dos jovens.

O fascismo chavista não diminuiu, pelo contrário. Finalmente alguém orientou Hugo e ele tirou PROVEITO do resultado. Bancou o ético, o democrático, o que não frauda escrutínios. Até 2012, quando se encerra o atual mandato, muita coisa pode ser feita, mudada, planejada. E assim será.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A educação neste país

Ela tinha 17 anos, veio de família humilde e dependente financeiramente das roupas costuradas pela mãe (nem sempre pagas) e estava no seu primeiro emprego.

Professora.

Muitos dos alunos eram mais velhos que ela, repetentes tão largos quanto um quadro-negro. Um deles era Valmir Fulano de Tal. Encrenqueiro, metido e literalmente burro.

Insatisfeito com o rigor da professora, Valmir, ao fim de uma aula, esperou a saída de todos para cercar a mestra na porta da sala. Estendeu o braço para bloqueá-la.

"Licença, preciso ir embora".

"Ora, professora, cuidado, se eu quiser passo por cima da senhora".

Ela olhou para o cidadão, colocou o dedo na cara dele e respondeu, firme:

"Vira homem, vem e passa".

Valmir perdeu o sorriso debochado, abaixou a cabeça e desobstruiu a passagem.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Princesas escravizadas

Deixarei A Cova dos Dragões nessa sexta e sábado, pois viajarei para o segundo melhor lugar do mundo, Patos de Minas. Mas ela continua aberta, principalmente para comentários, sejam positivos ou negativos. Falem mal, por favor.

Vou para uma festa de quinze anos. Elegância, requinte, um dia de princesa com o qual muitas debutantes sonham. É a transformação em mulher. Supostamente. Olhando por outro ângulo, a festa de quinze anos não passa de um evento em que vestimos roupas desconfortáveis, comemos pouco e fingimos ser quem não somos. É uma preocupação com o que falamos e com o modo de agirmos. Chega a ser artificial.

Cada vez mais nos preocupamos com imagem, glamour. Minha chefe (em outro trabalho, não neste blog) foi certa vez a um salão de beleza e depois comentou comigo. "Fazia quatro meses que não ia a um salão!" Como se isso fosse absurdo, um crime.

Outro dia, fui eu mesmo ao cabeleireiro (depois de um mês). Antes de mim, havia uma menina (não-debutante, sequer tinha dez ou onze anos) que fazia uma escova. A mulher a atendê-la puxava seus cabelos com tanta força que provocava caretas na cliente. Enquanto isso, a mãe da pequena dizia: "Tem que se acostumar a ir ao salão toda semana, né, filha? Tá virando mocinha".

ISSO é um absurdo. Desde cedo, a própria mãe coloca na cabeça da filha esse ideal de beleza. E a menina assentia. Logo ela vai querer a própria festa de quinze anos, adquirir complexo de feia, gorda e se entupir de chocolate. Vai viver como uma princesa medieval e como um escravo romano.

Maravilhosa para os outros e presa em si mesma.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Longa vida ao leite!

Precisamos fazer algo. URGENTE! Crianças mimadas e felinos do meu país, será que só vocês me entendem?

Precisamos nos unir contra empresas embaladoras, produtores, vaqueiros e vacas! Todos, até provarmos a culpa de cada um.

O preço do leite integral, aquele de caixinha, subiu 61% esse ano, 185% de 1995 a 2005 [sempre segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese) divulgados hoje]. Quando minha mãe deixou eu ir sozinho na padaria da esquina pela primeira vez, o leite custava R$ 0,70. Agora não é raro encontrar leite DE MENOR QUALIDADE a mais de dois tostões!

O Dieese diz ser culpa do aumento da renda da população em geral e a produção menor de leite, o que inflacionou o mercado. Mais gente disputando menos leite. Que vendedor não aumentaria os preços?

Mas isso não importa. Que a gasolina custe três reais o litro, mas o preço do leite não pode ficar assim. Vamos encher a caixa de e-mail dos parlamentares, vamos impressionar o presidente (já pensou se fosse com a cachacinha?), vamos fazer qualquer coisa!

O leite é excelente para fortalecer os ossos e pode auxiliar na manutenção ou perda de peso.

O meu amigo Vítor Noronha Matos, autor do excelente O Furor, disse-me certa vez achar interessante o encontro de dois santos na blogosfera: São Guinefort, o santo cachorro e padroeiro de O Furor, e, segundo Vítor, São Jorge, em referência ao dragão, sua cova na lua e este blog.

O senhor Noronha Matos é uma pessoa muito inteligente e gosta de cutucar este que vos escreve (principalmente ao idolatrar o Obina). Não adianta, Vítor. Associar este espaço com o santo protetor do Corinthians, jamais! Aqui só há espaço para rezar a São Paulo, Maria Madalena e Dona Rosa (minha falecida avó).

Que estes o perdoem, caro amigo.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Eu não quero ganhar na Mega-Sena

Tá bom, eu sei que você quer, sei que 99% dos brasileiros querem, mas EU não quero.

Sábado foi feito mais um sorteio da famosa e milionária loteria. Foram distribuídos mais de 55 milhões de reais para 18 ganhadores. Foi o segundo maior prêmio da história, menos apenas que os mais de 64 milhões dados a um único ganhador, em 1999.

Nessa história toda, concordo com o comentarista da Rede Globo e Rádio CBN Arnaldo Jabor. Não seria melhor dar 55 prêmios de um milhão? Assim, seria uma melhor e mais abrangente distribuição de renda. Os críticos da idéia poderiam dizer que um prêmio tão menor (até parece) faria do jogo menos atraente, mas a chance de uma em 50 milhões de ganhar na loteria também não é lá muito interessante... Mais prêmios, mais chances de ganhar, não é, Sílvio Santos?

Sem falar na mudança abrupta de vida de quem ganha uma bolada dessa. Não, obrigado. Largar tudo, ter que me esconder e mudar de vida não me motiva a jogar. E também não quero saber de morrer por isso.

Dinheiro é uma coisa miserável, desprezível, tem que se livrar dele logo. Por isso, eu gasto.

Resolvido.

Sábia comunidade de um dos filhos de Dr. Google, o Orkut:

"Sou pobre, não me seqüestre".

Depois de postado: Num é que o dinheiro do prêmio já deu problema?

Ensina-me?

O Departamento de Trânsito do DF (Detran) finalizou o projeto do Programa de Educação para o Trânsito, a ser implantado no ensino público local. O programa, sobre regras e condutas no trânsito, deve começar gradativamente este ano e começar com força total em 2008.

Amém, preces atendidas. As escolas Brasil afora ensinam muita coisa inútil, culpa de um sistema educacional ineficiente. Elas, em sua maioria, atendem à demanda dos vestibulares e não preparam os alunos para situações cotidianas.

Em vez de aprender matrizes e determinantes em matemática, por que não aprofundar o estudo em juros, inflação e bolsa de valores? Por que nos prendermos a anáforas e não estimular a prosa e poesia? Por que estudarmos esponjas e não detalhar o combate a doenças?

O que o estudante aprende na escola serve, praticamente, para preencher uma bolinha preta numa prova semestral. Mas há um universo de conhecimentos desperdiçados, e extremamente úteis, a serem explorados.

Deveríamos aprender, desde cedo, sobre o trânsito, educação sexual, jardinagem, culinária, funcionamento da Administração Pública e economia. O deputado distrital Antônio Reguffe prometeu em campanha sugerir a criação da disciplina "Leitura de Jornais" nas escolas. Vamos, deputado, faça-o! Já imaginou propiciar a crianças e adolescentes o hábito da leitura e da busca por informação?

E não me venha com o argumento de que "não é de interesse dos políticos..." Isso não me importa. Devemos pressionar as autoridades competentes pelo que queremos e achamos produtivo para o país.

Pois, pra mim, a maioria das aulas que tive só serviu pra passar num vestibular, o que qualquer cursinho resolve em 6 meses. Não é preciso ficar 11 anos nas escola.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Torço pelo fracasso de brasileiros

Calma. Pelamordedeus.

Não me refiro aos brasileiros em geral (repare, no título, na preposição "de"). Refiro-me aos jogadores de futebol que saem precocemente do país. Precocemente mesmo!

Na primeira metade do século passado, jogar fora era extremamente difícil. Evaristo de Macedo, hoje técnico e na época no Barcelona, foi um dos poucos a conseguir. Já na segunda metade, principalmente a partir dos anos oitenta, apenas os melhores dos melhores jogadores de futebol brasileiros saíam (e depois de muito sucesso aqui no país). Zico e Falcão são exemplos.

E eles jogavam apenas nos melhores centros europeus: Itália, Portugal e Espanha principalmente. Já Nos anos noventa, a moda na Europa passou a ser sempre ter o seu brasileiro no time. O próprio Barcelona teve, de 1994 a 1999, em temporadas diferentes, Romário, Ronaldo, Geovani e Rivaldo. Mais recentemente, já nos anos 2000, Ronaldinho e Belletti (fora Motta, Rochemback e outro Geovani).

Mas agora esculhambou. O Milan, da Itália, tem oito brasileiros. Pepe e Deco, brasileiros de nascença, jogam até por outra seleção nacional, a portuguesa. Países sem tradição no futebol também levam jogadores à vontade: Oriente Médio, Japão e Leste Europeu.

Vender jogadores no Brasil tornou-se uma monocultura. A demanda é constante e a produção, para atender àquela, passa a exportar meninos! Alguns até mais jovem que este que vos escreve (19 anos).

Claro que impedir esse êxodo é complicado. E como depender das autoridades (governo e CBF) é perder tempo, torço para que esses jogadores precoces não façam sucesso fora. Comprove-se que eles não estão prontos pra sair. Europeus, insatisfaçam-se e mande-os de volta para os nossos gramados.

Pato, Lucas e William são exemplos. Todos eles da seleção sub-20. William já se encantou com carros de luxo e jatinho. Fora a mudança repentina no bolso, eles sofrerão com choque de cultura e pressão para retornar o grande investimento feito. Que cabeça têm eles para suportar isso?

Às mulheres com celulite

A atriz Bárbara Paz estampa este mês a capa da revista Playboy. O ensaio substituirá o de Mônica Lewin... Veloso! Mônica Veloso. As fotos da jornalista supostamente não ficaram prontas a tempo.

Vai ficar bonito, com certeza. Porém, não vejo o sentido em comprar fotos banhadas em Photoshop, programa de computador com o qual pode-se manipular imagens. Com esta ferramenta, é possível bronzear a pele da modelo, aumentar suas medidas e até apagar seu umbigo se for necessário.

Pelo menos, a revista apresenta textos inteligentes, entrevistas. Palavras. Muito mais belas que as imagens alteradas.

Quanto às mulheres, prefiro as de verdade. Não as Amélias, mas as que são bonitas ao acordar, quando levam o lixo pra fora e quando estão de TPM. Até mesmo uma leve (repito, leve) celulite tem o seu charme.

domingo, 2 de setembro de 2007

Convocação para a greve

Amanhã a Universidade de Brasília retoma suas aulas, com o calendário aparentemente organizado e fiel ao ano civil (a previsão de término é para o dia 19 de dezembro).

Os servidores saíram da greve, os estudantes nem entraram. Tudo bem?

Saibam, eventuais leitores, que este que vos escreve é contra greves em geral. Mas já que é pra fazer, façamos uma greve integrada, servidores, alunos e professores. Agora que os docentes se mobilizaram os servidores saem? E onde estão representantes dos estudantes: UNE-DF, DCE e Centros Acadêmicos?

Novamente, os servidores saem de mais uma greve sem todas as reivindicações atendidas, os professores ameaçam entrar em setembro e os problemas das universidades públicas continuam. Oras, vamos fazer uma greve para resolver tudo! Enquanto não tivermos um projeto a longo prazo para o ensino superior nacional, fiquemos parados!

Senão eu vou ter que repetir esse comentário na greve de 2009.

sábado, 1 de setembro de 2007

A educação nesse país

A professora da primeira série do ensino fundamental entrega para os alunos o seguinte exercício:

Está entre:

a) 20 e 22:___
b) 69 e 71:___
c) 35 e 37: ___

Seguro, o aluno, de sete anos, responde:

a) e
b) e
c) e

E ainda pergunta para a mãe, indignado: "Manhêê, por que a professora passou um exercício cuja resposta é sempre a mesma?"

Em "A educação nesse país", vou contar situações interessantes sobre o que acontece nas salas de aula do Brasil.

A carapuça serviu

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) pediu ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) explicações sobre o termo "boneca", usado por ele numa discussão com o senador Almeida Lima (PMDB-SE). Segundo a Folha Online, a associação ainda quer que Tasso integre a frente parlamentar pela cidadania BGLT.

E se Tasso não quiser eles vão fazer o quê? Exigir sua cassação por quebra de decoro? E há decoro quando homossexuais se vestem de noivas e agem exageradamente em suas paradas?

De quebra, a ABGLT ainda quer uma legislação que criminalize a homofobia. Porém, o começo do artigo quinto da Constituição Federal já diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

Agora só falta exigir direito de resposta nesta Cova. E o terão, de bom grado.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A princesa, Hugo Chávez, os plebeus do terceiro mundo e os nada plebeus da Inglaterra

"Afinal, o que é de lei, Lady Dai a quem ela quiser", já dizia o Casseta. E dava mesmo, já dizia Tina Brown, jornalista inglesa autora da biografia "As Crônicas de Diana".

Hoje as mortes de Henri Paul e Trevor Ress-Jones completam dez anos. Eles perderam a vida em Paris, supostamente perseguidos por paparazzi, pessoas que se intitulam jornalistas e que vasculham a vida de celebridades.

O quê? Quem são eles? Ah, o primeiro era motorista, o segundo segurança. Hã? O que tem demais isso? Francamente, leia os jornais.

Ambos trabalhavam para Princess, Lady, Madam, Perfect Diana e seu marido, um milionário de nome difícil, e morreram junto com o casal. Entretanto, a lembrada mesmo é a princesa.

Impressionante a devoção de todo um povo por uma única pessoa. O que Diana fez para ser tão querida? Caridade? Não. Minha vó era tão caridosa quanto e sem um tostão sequer, inclusive. A questão é que os ingleses adoram a família real por tradição. A realeza não precisa fazer nada, apenas nascer em seu berço de ouro. Pronto. God save the queen.

Isso é totalmente contra a democracia, óbvio, e despertou a indignação de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. Países europeus criticaram Chávez por sua proposta de reforma constitucional com o intuito de permitir, neste país sul-americano, que uma pessoa se candidate infinitamente para presidente. Ele retrucou dizendo que a reforma e as eleições sempre serão populares. Ao contrário de Inglaterra, Espanha e muitos outros, onde, conforme o próprio Chávez reforçou, o povo não escolhe reis e rainhas.

Ponto pra você, Hugo. Concordo plenamente. Monarquias não têm condições de criticar democracias. Assim como Lula e FHC não deveriam se criticar. Então deixemos os ingleses e Diana em paz, para merecermos que eles não dêem seus pitacos no hemisfério sul (mais do que já dão).

Mas não se esqueça, presidente. Na Inglaterra, a maioria da população vive bem. Na Venezuela, por mais petróleo que haja (e no Brasil, por mais água que tenhamos), a maioria da população vive mal.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Caos ferroviário?

O acidente no Rio de Janeiro inevitavelmente desperta essa sensação. Mas não, claro que não. Nem temos ferrovia suficiente para termos um caos. Aliás, só um país como o Brasil para não investir num transporte ágil e com um bom custo-benefício.

E quando o temos, ele é desintegrado, deficitário, ineficiente, lento. Olhemos, por exemplo, para o metrô de Brasília. A cada dia, ele dá um prejuizozinho, ou seja, no final, quem paga a conta? Oras, os professores sem salário, os pacientes sem hospitais, a cidade sem segurança...

Além do mais, o metrô local tem estações com pouquíssimo movimento, que contam nos números da publicidade pró-governo, mas somam pouco para os usuários. É o caso das estações Asa Sul e Concessionárias. Para completar a besteira, polos importantes como Taguatinga Norte, Asa Norte, Gama não têm um trilho de trem sequer.

Caos na aviação
Os que podem pagar uma passagem aérea, reclamam dos atrasos em seus vôos, de dormir no chão limpinho. Eu queria vê-los dormir no chão sujo das rodoviárias Brasil afora, atraso de ônibus TODOS os dias. Sem falar de quando ele não passa.

Pois eu prefiro dormir e esperar no chão limpo. E ouso dizer que, se pudessem ter escolhido, as vítimas do vôo 3054 da TAM também.

Mitos

O ateniense Teseu foi o responsável pela morte do monstro Minotauro, na ilha de Creta, Grécia. Perseu foi o responsável pela morte da Medusa e tem uma singular semelhança com Jesus Cristo: ele foi gerado quando Zeus, o deus dos deuses gregos, engravidou a mãe do rapaz assim como o Espírito Santo engravidou Maria de Nazaré, aquela que, apesar de ser mãe do filho do Deus dos cristãos, não é muita considerada pelos evangélicos.

Já o mineiro Dirceu é ainda um réu, mas, é um dos responsáveis pela morte do Partido dos Trabalhadores (PT). Claro que o PT não deixou de existir e ainda vai firme e forte para 2008 e 2010. O que morreu foi aquele partido dos anos oitenta, da oposição a FHC e que quebrou a própria cara (e a nossa, que votamos nele) ao assumir o governo.

O partido agora é outro. Sem muitos militantes que o construíram, sem a credibilidade e identidade de antes e sem argumentos para criticar a oposição. O PT copiou muitos erros da gestão anterior e, inclusive, viu-se obrigado a copiar acertos (vide a política econômica).

Foram anos perdendo eleições para presidente e o inegavelmente inteligentíssimo Dirceu ajudou a bolar um plano para evitar outros tantos anos de derrotas. Quiçá ele próprio assumir o comando definitivo em 2010. Porém, a única coisa que o PT precisava fazer para ser situação por muito tempo era seguir os seus ideais, discursos e promessas. Bastava ser PT.

E ainda fica um dúvida cabal. Falamos de Dirceu, Genoíno, Delúbio... Mas será que um dia saberemos também da real responsabilidade do presidente Lula?

Entre tucanos e demônios

É pra isso que serve oposição: não permitir que a situação abuse da máquina governamental. Louvável a insistência de PSDB, DEM e PSOL para a abertura do voto no Conselho de Ética do Senado no caso Renan Calheiros. Não que eu acredite que caso o acusado fosse aliado desses partidos a abertura seria igualmente defendida. Mas trabalhemos com o que temos de concreto.

Agora, que tal aproveitar a oportunidade e estender o voto aberto para todo o legislativo, em todas as esferas de governo? (...) Tá bom, admito, é pedir demais. E logo no segundo dia de blog!

Na República Velha, lá no começo do século passado, a população votava abertamente e era pressionada pelos interessados na eleição. Era o tal do voto de cabresto, uma inversão total de valores, pois políticos são teoricamente feitos para o bem do povo, não o contrário. Por isso, assim como o presidente da República se expõe ao vetar ou não um projeto de lei, os parlamentares deveriam submeter-se ao crivo da opinião pública, a mesma que, conscientemente ou não, os elegeu e neles confiou.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A cova está aberta

O boom dos blogs deu-se graças à sua praticidade e gratuidade: qualquer um pode ter o seu (tanto que acabei de criar um para mim).

Com a consolidação desta ferramenta, as melhores mentes da humanidade passaram a expor suas idéias em espaços próprios: Noblat, Dirceu, Vítor Noronha Matos...

Pois saibam que este blog é totalmente diferente. Ele não nasceu do sucesso do seu mentor, e sim do seu fracasso. Como ninguém lhe deu um espaço para escrever, ele próprio se encarregou disso.

Vamos tratar de tudo, do papel comestível de gomas de mascar a crises financeiras internacionais. Colaborações são sempre bem-vindas. Quanto mais escabrosas melhor.

Nada de frescura, nada de textos cheios de dedos.

A cova está aberta.