sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A princesa, Hugo Chávez, os plebeus do terceiro mundo e os nada plebeus da Inglaterra

"Afinal, o que é de lei, Lady Dai a quem ela quiser", já dizia o Casseta. E dava mesmo, já dizia Tina Brown, jornalista inglesa autora da biografia "As Crônicas de Diana".

Hoje as mortes de Henri Paul e Trevor Ress-Jones completam dez anos. Eles perderam a vida em Paris, supostamente perseguidos por paparazzi, pessoas que se intitulam jornalistas e que vasculham a vida de celebridades.

O quê? Quem são eles? Ah, o primeiro era motorista, o segundo segurança. Hã? O que tem demais isso? Francamente, leia os jornais.

Ambos trabalhavam para Princess, Lady, Madam, Perfect Diana e seu marido, um milionário de nome difícil, e morreram junto com o casal. Entretanto, a lembrada mesmo é a princesa.

Impressionante a devoção de todo um povo por uma única pessoa. O que Diana fez para ser tão querida? Caridade? Não. Minha vó era tão caridosa quanto e sem um tostão sequer, inclusive. A questão é que os ingleses adoram a família real por tradição. A realeza não precisa fazer nada, apenas nascer em seu berço de ouro. Pronto. God save the queen.

Isso é totalmente contra a democracia, óbvio, e despertou a indignação de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. Países europeus criticaram Chávez por sua proposta de reforma constitucional com o intuito de permitir, neste país sul-americano, que uma pessoa se candidate infinitamente para presidente. Ele retrucou dizendo que a reforma e as eleições sempre serão populares. Ao contrário de Inglaterra, Espanha e muitos outros, onde, conforme o próprio Chávez reforçou, o povo não escolhe reis e rainhas.

Ponto pra você, Hugo. Concordo plenamente. Monarquias não têm condições de criticar democracias. Assim como Lula e FHC não deveriam se criticar. Então deixemos os ingleses e Diana em paz, para merecermos que eles não dêem seus pitacos no hemisfério sul (mais do que já dão).

Mas não se esqueça, presidente. Na Inglaterra, a maioria da população vive bem. Na Venezuela, por mais petróleo que haja (e no Brasil, por mais água que tenhamos), a maioria da população vive mal.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Caos ferroviário?

O acidente no Rio de Janeiro inevitavelmente desperta essa sensação. Mas não, claro que não. Nem temos ferrovia suficiente para termos um caos. Aliás, só um país como o Brasil para não investir num transporte ágil e com um bom custo-benefício.

E quando o temos, ele é desintegrado, deficitário, ineficiente, lento. Olhemos, por exemplo, para o metrô de Brasília. A cada dia, ele dá um prejuizozinho, ou seja, no final, quem paga a conta? Oras, os professores sem salário, os pacientes sem hospitais, a cidade sem segurança...

Além do mais, o metrô local tem estações com pouquíssimo movimento, que contam nos números da publicidade pró-governo, mas somam pouco para os usuários. É o caso das estações Asa Sul e Concessionárias. Para completar a besteira, polos importantes como Taguatinga Norte, Asa Norte, Gama não têm um trilho de trem sequer.

Caos na aviação
Os que podem pagar uma passagem aérea, reclamam dos atrasos em seus vôos, de dormir no chão limpinho. Eu queria vê-los dormir no chão sujo das rodoviárias Brasil afora, atraso de ônibus TODOS os dias. Sem falar de quando ele não passa.

Pois eu prefiro dormir e esperar no chão limpo. E ouso dizer que, se pudessem ter escolhido, as vítimas do vôo 3054 da TAM também.

Mitos

O ateniense Teseu foi o responsável pela morte do monstro Minotauro, na ilha de Creta, Grécia. Perseu foi o responsável pela morte da Medusa e tem uma singular semelhança com Jesus Cristo: ele foi gerado quando Zeus, o deus dos deuses gregos, engravidou a mãe do rapaz assim como o Espírito Santo engravidou Maria de Nazaré, aquela que, apesar de ser mãe do filho do Deus dos cristãos, não é muita considerada pelos evangélicos.

Já o mineiro Dirceu é ainda um réu, mas, é um dos responsáveis pela morte do Partido dos Trabalhadores (PT). Claro que o PT não deixou de existir e ainda vai firme e forte para 2008 e 2010. O que morreu foi aquele partido dos anos oitenta, da oposição a FHC e que quebrou a própria cara (e a nossa, que votamos nele) ao assumir o governo.

O partido agora é outro. Sem muitos militantes que o construíram, sem a credibilidade e identidade de antes e sem argumentos para criticar a oposição. O PT copiou muitos erros da gestão anterior e, inclusive, viu-se obrigado a copiar acertos (vide a política econômica).

Foram anos perdendo eleições para presidente e o inegavelmente inteligentíssimo Dirceu ajudou a bolar um plano para evitar outros tantos anos de derrotas. Quiçá ele próprio assumir o comando definitivo em 2010. Porém, a única coisa que o PT precisava fazer para ser situação por muito tempo era seguir os seus ideais, discursos e promessas. Bastava ser PT.

E ainda fica um dúvida cabal. Falamos de Dirceu, Genoíno, Delúbio... Mas será que um dia saberemos também da real responsabilidade do presidente Lula?

Entre tucanos e demônios

É pra isso que serve oposição: não permitir que a situação abuse da máquina governamental. Louvável a insistência de PSDB, DEM e PSOL para a abertura do voto no Conselho de Ética do Senado no caso Renan Calheiros. Não que eu acredite que caso o acusado fosse aliado desses partidos a abertura seria igualmente defendida. Mas trabalhemos com o que temos de concreto.

Agora, que tal aproveitar a oportunidade e estender o voto aberto para todo o legislativo, em todas as esferas de governo? (...) Tá bom, admito, é pedir demais. E logo no segundo dia de blog!

Na República Velha, lá no começo do século passado, a população votava abertamente e era pressionada pelos interessados na eleição. Era o tal do voto de cabresto, uma inversão total de valores, pois políticos são teoricamente feitos para o bem do povo, não o contrário. Por isso, assim como o presidente da República se expõe ao vetar ou não um projeto de lei, os parlamentares deveriam submeter-se ao crivo da opinião pública, a mesma que, conscientemente ou não, os elegeu e neles confiou.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A cova está aberta

O boom dos blogs deu-se graças à sua praticidade e gratuidade: qualquer um pode ter o seu (tanto que acabei de criar um para mim).

Com a consolidação desta ferramenta, as melhores mentes da humanidade passaram a expor suas idéias em espaços próprios: Noblat, Dirceu, Vítor Noronha Matos...

Pois saibam que este blog é totalmente diferente. Ele não nasceu do sucesso do seu mentor, e sim do seu fracasso. Como ninguém lhe deu um espaço para escrever, ele próprio se encarregou disso.

Vamos tratar de tudo, do papel comestível de gomas de mascar a crises financeiras internacionais. Colaborações são sempre bem-vindas. Quanto mais escabrosas melhor.

Nada de frescura, nada de textos cheios de dedos.

A cova está aberta.