terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A Cova está de férias

Voltaremos aos enterros no dia 6 de janeiro.

Até lá a podridão do cotidiano vai ficar exposta.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Obama mostra que não é o messias

Barack Obama admite ser a crise pior do que imaginava.

Antes da posse o futuro presidente americano começa as desculpas. Parece discurso de presidente esquerdista sul-americano, de países de bandeira verde e amarela.

Durante a eleição, promete-se tudo. Após, surgem pretextos para as inecumpríveis promessas de campanha.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Os senadores que votaram a favor da farra dos vereadores

Se algum deles aparecer na urna, rejeite. Marquei em itálico senadores atuantes, que carregam bandeira da ética, que batem no governo. Outros marquei só para lembrar o quanto são pilantras. O resto é só gente pequena desprezível que não faz diferença perante os bandidões do Parlamento.

Retirado do blog da Lúcia Hippolito.

Alagoas

Ada Mello (PTB)
Renan Calheiros (PMDB)

Amazonas

Arthur Virgílio (PSDB)
Jefferson Praia (PDT)

Amapá

Gilvam Borges (PMDB)
Papaléo Paes (PSDB)

Bahia

Antônio Carlos Junior (DEM)
César Borges (PR-BA)

Ceará

Inácio Arruda (PCdoB)
Patrícia Saboya (PDT)
Tasso Jereissati (PSDB)

Distrito Federal

Adelmir Santana (DEM)
Gim Argello (PTB)

Espírito Santo

Gerson Camata (PMDB)
Magno Malta (PR)
Renato Casagrande (PSB)

Goiás

Demóstenes Torres (DEM)
Lúcia Vânia (PSDB)
Marconi Perillo (PSDB)

Maranhão

Roseana Sarney (PMDB)

Mato Grosso

Serys Slhessarenko (PT)
Gilberto Goellner (DEM)
Jayme Campos (DEM)

Mato Grosso do Sul

Delcídio Amaral (PT)
Valter Pereira (PMDB)

Minas Gerais

Eduardo Azeredo (PSDB)
Wellington Salgado (PMDB)

Pará

Flexa Ribeiro (PSDB)
José Nery (PSOL)

Paraíba

Cícero Lucena (PSDB)

Paraná

Flávio Arns (PT)
Osmar Dias (PDT)

Pernambuco

Marco Maciel (DEM)

Piauí

Heráclito Fortes (DEM)
João Vicente Claudino (PTB)
Mão Santa (PMDB)

Rio de Janeiro

Francisco Dornelles (PP)
Marcelo Crivella (PRB)
Paulo Duque (PMDB)

Rio Grande do Norte

José Agripino (DEM)
Rosalba Ciarlini (DEM)

Rio Grande do Sul

Paulo Paim (PT)
Pedro Simon (PMDB)
Sérgio Zambiasi (PTB)

Roraima

Augusto Botelho (PR)
Mozarildo Cavalcanti (PTB)
Romero Jucá (PMDB)

Rondônia

Expedito Júnior (PR)
Fátima Cleide (PT)
Valdir Raupp (PMDB)

Santa Catarina

Ideli Salvatti (PT)
Neuto do Conto (PMDB)

São Paulo

Aloizio Mercadante (PT)
Eduardo Suplicy (PT)

Sergipe

Antônio Carlos Valadares (PSB)
Virgílio de Carvalho (PSC)

Tocantins

João Ribeiro (PR)
Leomar Quintanilha (PMDB)

Os deputados federais que votaram a favor da farra dos vereadores

Se algum deles aparecer na urna, rejeite. Vou dar o exemplo e não mais votar em Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Marquei em itálico deputados atuantes, que carregam bandeira da ética, que batem no governo. Outros marquei só para lembrar o quanto são pilantras. O resto é só gente pequena desprezível que não faz diferença perante os bandidões do Parlamento.

Retirado do blog da Lúcia Hippolito.

Deputados

DEM

André de Paula PE
Antonio Carlos Magalhães Neto BA
Ayrton Xerez RJ
Betinho Rosado RN
Carlos Melles MG
Claudio Cajado BA
Edmar Moreira MG
Eduardo Sciarra PR
Efraim Filho PB
Fábio Souto BA
Felipe Maia RN
Guilherme Campos SP
Jairo Ataide MG
Jerônimo Reis SE
João Bittar MG
João Oliveira TO
Jorge Khoury BA
Jorginho Maluly SP
José Carlos Aleluia BA
José Carlos Machado SE
Júlio Cesar PI
Lira Maia PA
Luiz Carlos Setim PR
Luiz Carreira BA
Major Fábio PB
Mendonça Prado SE
Osório Adriano DF
Paulo Magalhães BA
Ronaldo Caiado GO
Silvinho Peccioli SP
Solange Amaral RJ
Vitor Penido MG
Walter Ihoshi SP

PCdoB

Aldo Rebelo SP
Alice Portugal BA
Chico Lopes CE
Edmilson Valentim RJ
Evandro Milhomen AP
Flávio Dino MA
Jô Moraes MG
Manuela DÁvila RS
Osmar Júnior PI
Perpétua Almeida AC
Vanessa Grazziotin AM

PDT

Arnaldo Vianna RJ
Dagoberto MS
Damião Feliciano PB
Davi Alves Silva Júnior MA
Enio Bacci RS
Giovanni Queiroz PA
João Dado SP
Manato ES
Marcos Medrado BA
Mário Heringer MG
Paulo Pereira da Silva SP
Pompeo de Mattos RS
Reinaldo Nogueira SP
Sebastião Bala Rocha AP
Sérgio Brito BA
Sueli Vidigal ES
Wolney Queiroz PE Abst.

PHS

Miguel Martini MG

PMDB

Antônio Andrade MG
Antonio Bulhões SP
Asdrubal Bentes PA
Bel Mesquita PA
Camilo Cola ES
Celso Maldaner SC
Cezar Schirmer RS
Colbert Martins BA
Cristiano Matheus AL
Edgar Moury PE
Edinho Bez SC
Edio Lopes RR
Edson Ezequiel RJ
Elcione Barbalho PA
Eliseu Padilha RS
Fátima Pelaes AP
Flaviano Melo AC
Flávio Bezerra CE
Francisco Rossi SP
Gastão Vieira MA
Geraldo Pudim RJ
Geraldo Resende MS
Hermes Parcianello PR
Ibsen Pinheiro RS Abst.
Íris de Araújo GO
Jackson Barreto SE
João Magalhães MG
João Matos SC
Joaquim Beltrão AL
Jurandil Juarez AP
Laerte Bessa DF
Leandro Vilela GO
Lelo Coimbra ES
Luiz Bittencourt GO
Marcelo Almeida PR
Marcelo Castro PI
Marcelo Guimarães Filho BA
Marcelo Itagiba RJ
Marcelo Melo GO
Maria Lúcia Cardoso MG
Marinha Raupp RO
Mendes Ribeiro Filho RS
Moacir Micheletto PR
Moises Avelino TO
Natan Donadon RO
Nelson Trad MS
Odílio Balbinotti PR
Olavo Calheiros AL
Osmar Serraglio PR
Paulo Henrique Lustosa CE
Paulo Piau MG
Pedro Chaves GO
Professor Setimo MA
Rita Camata ES
Rodrigo Rocha Loures PR
Rose de Freitas ES
Saraiva Felipe MG
Solange Almeida RJ
Tadeu Filippelli DF
Valdir Colatto SC
Veloso BA
Waldemir Moka MS
Wilson Santiago PB
Zequinha Marinho PA

PMN

Fábio Faria RN
Francisco Tenorio AL
Sergio Petecão AC
Uldurico Pinto BA

PP

Afonso Hamm RS
Angela Amin SC
Antonio Cruz MS
Benedito de Lira AL
Beto Mansur SP
Carlos Souza AM
Celso Russomanno SP
Ciro Nogueira PI
Dilceu Sperafico PR
Eliene Lima MT
João Pizzolatti SC
José Otávio Germano RS
Lázaro Botelho TO
Luis Carlos Heinze RS
Luiz Fernando Faria MG
Nelson Meurer PR
Neudo Campos RR
Paulo Maluf SP
Pedro Henry MT
Rebecca Garcia AM
Renato Molling RS
Ricardo Barros PR
Roberto Britto BA
Sandes Júnior GO
Simão Sessim RJ
Vadão Gomes SP
Vilson Covatti RS
Waldir Maranhão MA
Zonta SC

PPS

Arnaldo Jardim SP
Cezar Silvestri PR
Cláudio Magrão SP
Fernando Coruja SC
Ilderlei Cordeiro AC
Leandro Sampaio RJ
Moreira Mendes RO
Nelson Proença RS
Raul Jungmann PE

PR

Aelton Freitas MG
Airton Roveda PR
Aracely de Paula MG
Bilac Pinto MG
Chico Abreu GO
Chico da Princesa PR
Clodovil Hernandes SP Obstr.
Dr. Adilson Soares RJ
Giacobo PR
Gorete Pereira CE
Jaime Martins MG
João Carlos Bacelar BA
Jofran Frejat DF
José Carlos Araújo BA
José Rocha BA
José Santana de Vasconcellos MG
Jusmari Oliveira BA
Lincoln Portela MG
Luciana Costa SP
Lúcio Vale PA
Marcelo Teixeira CE
Maurício Quintella Lessa AL
Maurício Trindade BA
Milton Monti SP
Neilton Mulim RJ
Nelson Goetten SC
Neucimar Fraga ES
Tonha Magalhães BA
Vicente Arruda CE
Vicentinho Alves TO
Wellington Fagundes MT

PRB

Cleber Verde MA
Léo Vivas RJ

PRTB

Juvenil MG

PSB

Ana Arraes PE
Ariosto Holanda CE
Átila Lira PI
B. Sá PI
Dr. Ubiali SP
Eduardo Lopes RJ
Fernando Coelho Filho PE
Givaldo Carimbão AL
Júlio Delgado MG
Laurez Moreira TO
Lídice da Mata BA
Luiza Erundina SP
Manoel Junior PB
Marcelo Serafim AM
Márcio França SP Abst.
Maria Helena RR
Mauro Nazif RO
Ribamar Alves MA
Rodrigo Rollemberg DF
Sandra Rosado RN
Valadares Filho SE

PSC

Carlos Eduardo Cadoca PE Abst.
Costa Ferreira MA
Eduardo Amorim SE
Filipe Pereira RJ
Hugo Leal RJ
Jurandy Loureiro ES
Mário de Oliveira MG
Ratinho Junior PR
Takayama PR

PSDB

Affonso Camargo PR Sim
Albano Franco SE Sim
Alfredo Kaefer PR Sim
Andreia Zito RJ Sim
Antonio Carlos Pannunzio SP
Arnaldo Madeira SP
Bonifácio de Andrada MG
Bruno Araújo PE
Carlos Brandão MA Si
Carlos Sampaio SP Sim
Duarte Nogueira SP Sim
Edson Aparecido SP
Eduardo Barbosa MG
Fernando Chucre SP
Freire Júnior TO
Gervásio Silva SC
Gustavo Fruet PR
João Almeida BA
João Campos GO
José Aníbal SP
Julio Semeghini SP
Jutahy Junior BA
Lobbe Neto SP
Luiz Paulo Vellozo Lucas ES
Narcio Rodrigues MG
Nilson Pinto PA
Paulo Abi-Ackel MG
Paulo Renato Souza SP
Pinto Itamaraty MA
Professora Raquel Teixeira GO
Rafael Guerra MG
Renato Amary SP
Rodrigo de Castro MG
Saturnino Masson MT
Sebastião Madeira MA
Silvio Lopes RJ
Silvio Torres SP
Vanderlei Macris SP
Waldir Neves MS
William Woo SP
Zenaldo Coutinho PA

PSOL

Luciana Genro RS

PT

Adão Pretto RS
Andre Vargas PR
Angelo Vanhoni PR
Anselmo de Jesus RO
Antônio Carlos Biffi MS
Antonio Palocci SP
Arlindo Chinaglia SP pres.
Assis do Couto PR
Beto Faro PA
Cândido Vaccarezza SP
Carlos Abicalil MT
Carlos Santana RJ
Carlos Zarattini SP
Chico DAngelo RJ
Décio Lima SC
Devanir Ribeiro SP
Domingos Dutra MA
Elismar Prado MG
Fernando Ferro PE
Fernando Melo AC
Francisco Praciano AM
Gilmar Machado MG
Guilherme Menezes BA
Henrique Afonso AC
Henrique Fontana RS
Iran Barbosa SE
Iriny Lopes ES
Janete Rocha Pietá SP
Jilmar Tatto SP
João Paulo Cunha SP
Jorge Bittar RJ Sim
José Eduardo Cardozo SP
José Genoíno SP
José Guimarães CE
José Pimentel CE
Joseph Bandeira BA
Leonardo Monteiro MG
Luiz Bassuma BA
Luiz Sérgio RJ
Magela DF
Marco Maia RS
Maria do Carmo Lara MG
Maria do Rosário RS
Maurício Rands PE
Miguel Corrêa MG
Nelson Pellegrino BA
Nilson Mourão AC
Odair Cunha MG
Paulo Rocha PA
Paulo Teixeira SP
Pedro Eugênio PE
Pedro Wilson GO
Pepe Vargas RS
Reginaldo Lopes MG
Rubens Otoni GO
Sérgio Barradas Carneiro BA
Tarcísio Zimmermann RS
Vander Loubet MS
Vicentinho SP
Vignatti SC
Virgílio Guimarães MG
Walter Pinheiro BA
Zé Geraldo PA
Zezéu Ribeiro BA

PTB

Alex Canziani PR
Armando Abílio PB
Armando Monteiro PE
Arnon Bezerra CE
Augusto Farias AL
Frank Aguiar SP
Jefferson Campos SP
Jovair Arantes GO
Nelson Marquezelli SP
Paes Landim PI
Pastor Manoel Ferreira RJ
Paulo Roberto RS
Pedro Fernandes MA
Sérgio Moraes RS
Tatico GO

PTdoB

Vinicius Carvalho RJ

PV

Antônio Roberto MG
Ciro Pedrosa MG
Dr. Nechar SP
Dr. Talmir SP
Edigar Mão Branca BA
Edson Duarte BA
Fábio Ramalho MG
José F. Aparecido de Oliveira MG
José Paulo Tóffano SP
Marcelo Ortiz SP
Roberto Santiago SP

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Capitão feliz, tripulação furiosa, passageiros apertados

O mapa dos oito mares

No Refante, embarcaram 109 pessoas além da tripulação. Uma pessoa de 70 kg não poderia girar 360 graus por falta de espaço. O maior problema não estava na quantidade de passageiros indicada pelo padre Ernesto, mas nos aposentos exigidos para a cúpula da comitiva. Ernesto instalou-se em um quarto com capacidade para 23 pessoas. Um mongezinho encapuzado, efusivamente elogiado pelo eclesiástico, recebeu um cômodo onde dormiam 14 piratas. As freiras da comitiva tiveram de limpar cada canto do navio a fim de eliminar o mau cheiro, as manchas de gim e a presença de ratos.

O capitão James Cara-de-touro fez questão de comandar o navio na partida. O casco do Refante, com o peso, submergiu um metro a mais. Embora infladas as velas, a embarcação relutava a mexer-se. Demorou cinco minutos para girar o suficiente para tomar a direção de saída do porto. Cara-de-touro estava bem-humorado e satisfeito.

Os marujos estavam furiosos. Além de não haver espaço para esparramarem-se durante o sono, eram censurados a cada arroto e tinham mais trabalho para fazer o navio funcionar. Quiseram lançar mão da vela mágica roubada do Illerocep, mas o capitão proibiu. O verniz milagroso do casco diminuía o atrito com a água, mas o peso vencia a luta. O barulho impedia conversas inteligíveis, muitos falavam ao mesmo tempo.

Padre Ernesto e seu protegido, o mongezinho, não apareceram nas horas seguintes. O homem-estátua montou guarda em frente ao quarto do padre.

Cara-de-touro não providenciou a cerimônia de batismo conforme o padre disse. Só se preocupou em conduzir o navio.

E em aguardar o esvaziamento dele.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Insegurança conveniente

Promulgou-se a Constituição Federal em 1988.

Alterou-se o sistema eleitoral, permitindo a reeleição no Executivo, em 1997.

Caminha-se para nova mudança, após manobra do réu João Paulo Cunha (PT-SP – não vote nele), em 2008.

Políticos brasileiros fazem o país andar para trás. Não evoluímos para a segurança e consolidação institucional, e sim atolamos nas conveniências dos que elegemos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Trenzinho legislativo da alegria

Não vote no senador César Borges (PR-BA), relator na CCJ da Proposta de Emenda Constitucional que cria mais 7 mil cargos de vereador.

Nem vote no deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS), criador da Proposta.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Forca dos homens

Vestimenta ridícula é a gravata.

Câncer das relações sociais, a gravata não passa de uma coleira por meio de que se pode puxar o indivíduo.

Reparou, fiel leitor, o quanto é bizarro um pedaço de pano pendurado no pescoço? Ainda mais se seguida a regra de que a cor da gravata deve ser diferente da cor da roupa. Daí surgem as gravatas fosforescentes.

Se soubessem a origem bélica da coleira social, banir-la-iam. Gravata vem do francês cravate, variação do adjetivo-pátrio croat. Cavaleiros croatas vestiam tiras de pano no pescoço no século XVII.

Não sei quantos séculos serão necessários para a gravata cair em desuso, mas estou tranqüilo. Os justos culottes da aristocracia francesa se foram. As sais masculinas romanas restringiram-se à Escócia. As perucas dos revolucionários americanos, resquício do hábito franco-inglês, acabaram.

Que os nossos tataranetos estejam livres.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Estou perdendo a condição de ser humano

Post 258/2008/NCD

Estou em dívida em relação a'Os refantes, mas os últimos dias não permitiram atualizar a imprescindível, indispensável série. Por enquanto, A Cova só enterra textos simplificados.

Hoje falo da burocracia, esse Leviatã. O cientista maluco, o Victor Frankenstein da administração, chama-se Jean-Claude Marie Vincent, Seigneur de Gournay, economista francês.

Se Alexis de Tocqueville criou o conceito de tirania da maioria, o Seigneur de Gournay criou o de tirania da repartição, o governo da morosidade.

O romancista tcheco Franz Kafka idealizou em Metamorfose a conversão de um humano em um inseto. O contista brasileiro Victor Giudice fez algo semelhante ao relatar em O arquivo a transformação de um burocrata em um arquivo. As pessoas de ambos os exemplos perderam a condição de ser humano.

Creio que estou prestes a tornar-me um memorando ou um crachá. Aliás, o crachá faz parte de mim como um fígado ou a aorta, pois sem ele não posso entrar no trabalho. Ele estampa o meu nome, o que dispensa apresentações. Ele traz minha matrícula, o que dispensa meu nome. Na catraca, exponho a minha digital, o que dispensa apertos de mãos e cumprimentos afins.

Hoje providenciei documentos para renovar meu contrato (o ser humano precisa de escrever os acordos senão sua natureza cruel far-lo-á tapear o próximo). A contratação de um estagiário, veja bem, um estagiário, requer comprovantes de quitação com o serviço militar e a justiça eleitoral; dois documentos da universidade; dois documentos pessoais; e três documentos do contratante.

O maldito comprovante da justiça eleitoral, o da votação de 2006, eu perdi. Então, dirigi-me ao TRE-DF para expedi-lo. Informaram-me que apenas um cartório eleitoral pode fazê-lo. Oras, para que diabos serve o tribunal eleitoral? No DF ele não trabalha de quatro em quatro anos? Suponhamos que ele tenha outras atribuições, como verificar contas de candidatos e partidos. Mas será que é tanto serviço que não pode expedir um documento?

Fui ao cartório e consegui o tal comprovante. Foi rápido, admito. Restou ir à universidade. O setor responsável pelos papéis de que necessitava estava fechado. No meu departamento, falaram que só poderiam expedir os ditos cujos em 2 (dois) dias úteis. Dois dias para imprimir duas páginas!

A solução foi recorrer à reitoria. Lá o prazo para a expedição era de 3 (três) dias úteis! Mas, vejam só que legais, quebraram meu galho e expediram em 20 (vinte) minutos. Vinte minutos para imprimir duas folhas. São muito bonzinhos.

Na Universidade de Brasília, a moda é pregar cartazes com o artigo 331 de um código cujo nome esqueci: desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela é crime. Acho que é isso o que o artigo diz.

Pois bem. Pendurem, então, para termos a legislação completa, o caput do artigo 37 da Constituição Federal: a Administração Pública será regida pelo princípio da eficiência.

Atenciosamente,

Guilherme Rocha

Coveiro, estagiário de jornalismo

Confere com o original

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Índios

Não se fazem índios como antes.

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga a demarcação de uma reserva indígena em Roraima. O ministro Carlos Menezes Direito expôs pertinentes ressalvas, entre elas a proibição de índios explorarem recursos energéticos e garimpagem sem a autorização do Congresso Nacional.

Oras, índios vivem de caça, pesca e extrativismo simples, não cabe a eles explorarem as citadas benesses em larga escala. Índio não veste terno, gravata e jeans, como os pseudo-indígenas que acompanharam o julgamento no tribunal.

Índios não cobram pedágio de quem passa por sua terra, aliás, índios não usam dinheiro. Afinal, eles são índios! Só falta o absurdo de sermos atacados por eles à bala em vez de à flecha.

O Estado brasileiro, que os protege devido à diferença cultural, tem de lidar com os vícios dos brancos existentes nas mentes dos índios. Talvez a culpa seja de todos nós que incutimos porcaria na cabeça deles.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Bezerro desmamado

Confira a minha previsão do final do Campeonato Brasileiro.

Errei o campeão, acertei três das quatro vagas da Libertadores, acertei que o Flamengo não iria para esta competição, acertei três dos quatro times rebaixados.

As previsões erradas devem-se à arrancada do São Paulo, que eu nunca imaginaria, o interesse do Internacional pela Copa Sul-americana, que o desviou do Nacional e a reação tardia do Figueirense.

Fui ontem ao Bezerrão. O pequeno estádio serve para futebol de botão. A circulação nos arredores é difícil, e não há nas imediações estrutura para os torcedores, como restaurantes.

Não vale os R$55 milhões gastos na construção.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Não vote nos deputados que absolveram Paulinho da Força Sindical

  1. Fernando Melo (PT-AC)
  2. Leonardo Monteiro (PT-MG)
  3. Sandes Júnior (PP-GO)
  4. Wladimir Costa (PMDB-PA)
  5. Efraim Filho (DEM-PB)
  6. Dagoberto (PDT-MS)
  7. Abelardo Camarinha (PSB-SP)
  8. José Carlos Araújo (PR-BA)
  9. Marcelo Ortiz (PV-SP)
  10. Rômulo Gouvêa (PSDB-PB)

Os candidatos do PMDB às presidências da Câmara, do Senado e da República

Às vezes receio voltar a assuntos, mas é necessário. Há temas perante os quais não podemos nos calar.

O PMDB quer a presidência da Câmara (Temer) e do Senado. Trata-se de uma manobra descarada de golpismo, oportunismo, chantagismo e politicagem. É surreal um partido concentrar tanto poder. O tácito acordo de cavalheiros que determina ser a maior bancada a dona da presidência deveria ser relativizada.

Mas não. Não basta impor indicações na Esplanada dos Ministérios, barganhar alianças nas eleições, exigir verbas sem fim. O PMDB é um sorvedouro insaciável.

As negociações indicam o nome de José Sarney para a presidência do Senado. O mesmo Sarney que ocupou o mesmo posto, o mesmo Sarney que apoiou a ditadura militar, o mesmo Sarney enfiado na goela de Tancredo Neves na eleição indireta de 1985.

O mesmo PMDB que foi uma oposição de fachada contra a Arena.

Dizem que o partido não tem candidato próprio para a presidência em 2010. Ah, fiéis leitores, tem sim. O candidato do PMDB é o PMDB. E esse sempre ganha.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Todos a bordo

O mapa dos oito mares

Em uma conta rápida, Vítor Hugo Metallion, o cozinheiro do Refante, somou 324 pessoas na comitiva do padre Ernesto. O navio, além da tripulação, suportaria 107 pessoas espremidas.

- Vou chamar o capitão – balbuciou o cozinheiro.

James Cara-de-touro não desgostava de acordar cedo. Detestava ser acordado. Se acordasse por si após 20 minutos de sono, não havia problema. Contudo, ser despertado, mesmo após 15 horas deitado, fazia dele educado como um ogro.

Não foi sem receio que Vítor Hugo bateu na porta da cabine. Menos de um minuto depois, Cara-de-touro abriu a porta. Não teve a preocupação de vestir algo por cima da roupa íntima. As pálpebras grudavam uma na outra devido à remela, as rugas exalavam mal-humor. Nada disse, apenas esperou a fala do subordinado.

- O padre Ernesto chegou, capitão.

James vestiu um robe para sair ao relento. Àquela altura, o padre subiu no convés.

- Certamente você está satisfeito em servir ao senhor – saudou o padre. Cara-de-touro permaneceu calado. - Providencie as instalações da minha comitiva.

O capitão olhou para as 323 pessoas aguardando o embarque e, em seguida, tornou para o padre, com voz grossa de sono:

- Não seja imbecil, o navio não suporta tanto peso. E se suportasse não os levaria. Escolha dois ou três acompanhantes. Partiremos em uma hora.

- Compreendo que o seu intelecto não absorva informações de imediato, por isso vou esclarecer. Você agora é meu servo, esse navio é meu, essa tripulação é minha. Embarque todos.

Diante do tom de voz calmo e outorgante, Cara-de-touro encarou o padre e refletiu por alguns segundos.

- Quer que eu cozinhe eles, chefe? - debochou Vítor Hugo.

- Quero que acorde os demais e que providenciem o embarque.

Atônito, o cozinheiro argumentou, desta vez com seriedade:

- Capitão! O navio vai afundar com eles todos! E conosco por tabela!

- E essa será a nossa alforria.

Sem dar atenção ao diálogo, padre Ernesto arrematou:

- Prepare também, maldito, a cerimônia da conversão de todos vocês – e foi para a sua oração matinal.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Relações virtuais

O fiel leitor pôde ver aqui como a digitalização do mundo me incomoda. Hoje continuaremos a tratar desse assunto.

A bola da vez é o amigo secreto pela internet. Faz-se um grupo virtual, cadastra-se os coleguinhas, e o computador faz o sorteio. Lá você escreve os presentes que deseja ganhar.

Chegará o dia em que você beijará pela internet: o beijo com mais gigabytes será o mais amoroso e excitante.

O meu amigo Vítor Noronha Matos, jornalista, também mostra-se triste devido a tecnologia. Volta-e-meia ele cita o exemplo da guerra.

Hoje não se pode morrer de forma poética, e sim, de forma eficiente (= rápida). Joga-se uma bomba e bum! Morrem inúmeras pessoas, sem glória.

Se as batalhas fossem travadas com arco e flecha, poder-se-ia recitar um poema após uma flechada no fígado. Aí sim, pronto para morrer.

Há diversos outros exemplos. O dos laptops é a ponta do iceberg. Ou a ponta do plug do computador. Há também as conversas dentro de uma empresa, quando os funcionários dialogam mais pela intranet ou pelo e-mail do que cara a cara.

Quando comermos pela internet, avisem-me. Estocarei comida de verdade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Quer pagar quanto?

A culpada pelos ingressos excruciantes de São Paulo versus Goiás é a Confederação Brasileira de Futebol. Ao impor o preço de no mínimo R$180,00 reais no jogo da Seleção contra Portugal, ela abriu precedente, inflacionou o mercado.

Se há pessoas dispostas a pagar R$ 360,00 para ver o timeco do Dunga, imagina quanto pagaria para assistir ao hexacampeonato são-paulino?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O bom e o mau

Hugo Chávez quer mudar a constituição venezuelana para ficar 23 anos no poder (1998-2021).

Esqueça, Huguinho, há pessoas mais poderosas que você.

O seriado mexicano Chaves completou 24 anos de exibição no SBT.

E pode atingir muito mais, pois a arte não envelhece, enquanto caudilhistas ditadores golpistas, sim.

Vossa Insolência tem prazo de validade.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Eles não perdoam

O peso do mundo massacra as minhas pernas.

As olheiras do sono mancham o meu rosto.

O latejo da dor massageia a minha cabeça.

O excesso da informação transborda o meu cérebro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Assombração de fim de ano

Ele está à solta, inexorável. Escapar dele só se fugirmos para o Everest. Ele embrenha-se pelos quatro cantos do país, pelas casinhas de bonecas e pelas repartições públicas.

O espírito natalino.

Estamos em novembro, o Dia do Evangélico não passou, e o tal espírito nos assombra. Árvores de Natal brotam do concreto, neva aos 30º C, o mercado de trabalho para papais noéis esquenta.

Posso ouvir o dingonbel, o garoto-propaganda das Casas Bahia e o trocadilho do “rô, rô, rô” com a expressão “roer as unhas”.

Até as liquidações de estoque em janeiro conviveremos com o fantasma dessa data comercial. Jesus Cristo, se por acaso não ressuscitou, revira-se no túmulo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O nosso sangue, o lucro deles

Ontem tive aula sobre o jornalista José Hamilton Ribeiro, ex-repórter da Realidade e atual repórter do Globo Rural. Ele é famoso pela cobertura da Guerra do Vietnã, onde perdeu parte da perna esquerda ao pisar em uma mina.

Professores da academia de jornalismo enaltecem Hamilton como exemplo a ser seguido pelos estudantes devido à qualidade do texto e disposição para apurar a informação.

Recentemente, um repórter, em dúvida se aceitava o convite de cobrir a Guerra do Iraque, perguntou a Hamilton se ele deveria aceitar. A resposta foi que não se deixa de cobrir o acontecimento mais importante do mundo.

Quando esteve no Vietnã, Hamilton achava não ter foto satisfatória para a reportagem de capa que estava escrevendo. No último dia na guerra, o seu grupo descobriu um lugar onde havia feridos, oportunidade preciosa para a tal foto. Foi nesse incidente que Hamilton pisou na mina e perdeu o que havia abaixo do joelho esquerdo. Essa situação foi a foto.

Não podemos alimentar esse jornalismo. Repórteres são ávidos pela cobertura gloriosa, mas empresas de comunicação não são ávidas por proteger os profissionais. Enquanto o jornalista está na linha de frente, de cara para as balas, o empresário dono do jornal está a quilômetros sentado em uma poltrona.

Hamilton fez uma cobertura brilhante, a Realidade teve a foto, mas isso não paga os riscos e o ônus. A capa mostra a foto de Hamilton ferido, com a sensacionalista legenda dizendo que o “nosso repórter” viu a guerra de perto.

Isso não é glorioso, trata-se de aproveitar a tragédia para vender exemplares. Empresas de comunicação alimentam-se da ânsia dos repórteres por matérias espetaculares. E os estudantes mantêm o ciclo vicioso.

Algo semelhante aconteceu com Tim Lopes. A Globo ostenta o quanto ele era brilhante, competente, corajoso. Era. Era tudo isso e não é mais porque morreu em uma reportagem, enquanto o patrão ganha audiência com a morte do empregado.

Reconheço a importância da cobertura de guerra. Porém, é inadmissível jogar os profissionais aos leões sem dar-lhes condições de trabalho e – a que ponto chegamos – de sobrevivência. Senão o empresariado lucra com o sangue do repórter. Com o nosso consentimento.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Durma mais tarde

Fiel leitor, durma após a meia-noite hoje.

Poderá assistir a belo espetáculo, precioso após a temperatura das últimas semanas.

O calor à Brasília, fonte de rios de suor costas afora, deu lugar à neblina que não permite enxergar uma unha à frente do nariz.

Contemplá-la com as luzes artificiais acesas, chocolate quente e boa companhia é imperdível.

Aproveitemos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Eu tenho um sonho

O mapa dos oito mares

Às 4h31 uma estátua postava-se no convés do Refante. O céu português mostrava um nublado teimoso que durou a noite toda. O ambiente sonoro estava tão barulhento quanto de dia, culpa do ronco dos marujos.

Aquela estátua tinha o curioso hábito de respirar. Seu olhar paralisado fez dois breves movimentos laterais, um para a esquerda e outro para a direita. Havia sacos humanos por todo canto: dentro de balde, enrolado no mastro, sobre a murada do convés. O cheiro era alcoólico, mas não havia sinais de vômito. Afinal, pirata não vomita de embriaguez nem de enjôo, e se o fizesse não seria pirata.

Um violão com três cordas arrebentadas estava jogado no meio do piso. Um homem tinha amarrado na testa casca de babata descascada a faca. Uma brisa leve e fria sibilava nos ouvidos. Todos os dormentes, sem exceção, babavam. A estátua não podia ver Guillermo González dormindo no porão, em cama feita de batatas podres, nem o capitão James Cara-de-touro, enfurnado na própria sala.

Ao constatar que ninguém lhe daria atenção, a estátua sacou uma corneta dourada, encheu os pulmões e tocou até esvaziá-los.

Ninguém se mexeu. Até mesmo a brisa resolveu recolher-se. Quem se manifestou foi o cheiro de álcool, que ficou mais forte.

Entretanto, um homem acordou. Acordou, mas não abriu os olhos. Era o homem com casca de batata na cabeça.

Vítor Hugo Metallion, o cozinheiro, não conseguiu lembrar o sonho interrompido, mas podia jurar que se tratava de uma princesa medieval. Desperto, procurou na mente maneira dolorosa para punir a fonte de barulho. Encontrou cinco, mas as descartou por falta de coragem de aplicá-las.

Levantou a contragosto. Podia ouvir o ranger das articulações enferrujadas e mal conseguia suportar o próprio hálito. Com os olhos sujos de sono, passou batido pela estátua a procura da corneta inconveniente. Passados alguns segundos, constatou que havia algo de estranho no convés.

Uma corneta na mão de uma estátua.

Olhos semicerrados pela sonolência, investigou o instrumento de sopro e esticou a mão para pegá-lo. Antes de conseguir, a estátua manifestou-se.

- Vossa reverência padre Ernesto, de tão bondoso e sensato, trouxe pequena comitiva para a empreitada rumo ao destino do livro dourado.

O cozinheiro lembrou o sonho. Tratava-se de uma estátua falante e tocadora de cornetas. Ao ouvir as palavras daquela voz grossa, aliviou-se porque aquilo só podia ser sonho. Continuava a dormir.

- Onde está o padre e seus seguidores?

- Ali, aguardando o embarque.

Ele apontou para um ponto na praia. Vítor Hugo Metallion aproximou-se da mureta do convés, apoiando nela as mãos. Quando viu a comitiva do padre, arregalou os olhos. Se antes achava que estava dormindo, agora achava que estava a beira do apocalipse.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

PSs de Brasil e Portugal

O Brasil jogou bem contra o frágil Portugal.

Há muito sabemos que há dois imperadores em Milão: o segundo chama-se Júlio César.

Maicon mostrou o futebol da Internazionale e não o futebol do Maicon.

Kléber mostrou o futebol do Dunga, mais uma vez. Contudo, creio que o treinador apenas aguarda o amadurecimento de Marcelo.

Luisão mostrou que há zagueiros melhores que ele, inclusive Thiago Silva.

G. Silva não comprometeu.

Sobre Anderson, veja o post abaixo.

Elano, fez um golaço, atuando como ponta-direita, o que faz dele boa opção tática.

Robinho foi o que se espera dele: sem prender a bola, servindo os companheiros.

O melhor jogador da partida foi Luís Fabiano. Cumpriu o papel de centroavante: se receber bola na área, faça o gol. O primeiro foi finalização consciente; o segundo, giro contra o zagueiro; o terceiro, oportunismo. Não precisamos de Amauri, jogador limitado.

O pior no lado do Brasil, além das bobagens do Galvão Bueno, foi Kaká. Prendeu demais a bola e perdeu preciosa chance de gol. Mas como é o melhor do mundo, construiu excelente jogada no segundo tento brasileiro.

PS 1: C. Ronaldo é o melhor jogador da temporada.

PS 2: Ao longo das carreiras, Kaká é melhor que o português.

PS 3: Chamem Autuori, Luxemburgo ou Muricy para técnico, por favor.

PS 4: Quantos mosquitos haviam nas cabines de imprensa!

Vai sobrar tempo

Não preciso mais ler jornais. A imprensa está tão previsível, que posso usar o tempo para outras coisas. Se o Brasil empata ou perde, o Dunga vai cair. Se vence, ele ganha força.

Jornalistas em que confio, como o Quartarollo, da Jovem Pan, vêm com o papo furado de que está tudo muito bem, tudo muito bom. Logo a Jovem Pan, grande corneteira e metida a debochada.

O Brasil ganhou porque Portugal está mal treinado, com defesa mal postada. Pelo menos há o mérito de Dunga orientar o time a jogar pelas laterais (espero que essas jogadas tenham sido orientação dele e não sacada óbvia dos jogadores).

O principal problema do time canarinho persiste: a saída de bola, não resolvida com a titularidade de Anderson, como eu imaginava. Porém, creio que uma seqüência de jogos resolverá.

Portanto, fiéis leitores, sem ilusões. O melhor para a Seleção é a troca de treinador. Questão puramente técnica.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Aquarela brasileira

Hoje é o Dia da Bandeira. Apenas em duas ocasiões eu vejo tal símbolo nacional enaltecido: no broche do presidente Lula e no sobrenome de personalidades como os escritores Manuel e Pedro.

Em outras situações, a bandeira brasileira recebe a ignorância ou o descaso. Muitos não sabem que, ao tocar o hino nacional, devemos postar-nos de frente para ela. Outros sequer sonham quantas estrelas há no círculo azul: 27, o número de unidades da Federação.

Muitos menos são os que conhecem a origem do “Ordem e progresso”, palavras de ordem positivistas, resquícios do autoritarismo de outros tempos.

Pelo menos, o significado das cores é conhecido, suponho. O verde, das matas desmatadas; o amarelo, da riqueza roubada; o azul, das águas poluídas.

E o branco, da paz sonhada.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Oásis acadêmicos

Universitários conhecem a facilidade de encontrar professores desqualificados e mal-intencionados nas faculdades afora. Notas arbitrárias, falta de didática, desconhecimento do conteúdo ministrado. Encontra-se de tudo.

Contudo, fui surpreendido pela ação de uma professora. Trata-se de Rosângela Vieira, jornalista e escritora, com quem tenho divergências quanto a gostos e opiniões acadêmicas, mas que demonstrou ontem coerência e sensibilidade.

Na aula dupla de segunda-feira à noite, cheguei atrasado para o primeiro horário. Portanto, ao final do horário, procurei-a para pedir a presença do segundo horário.

- Dei-lhe a presença da aula toda, pois você é um dos mais assíduos.

Sim, eu fui a todas as aulas, no horário marcado, mas não esperava tamanho bom-senso. Lembrou o professor Barbosa, do Departamento de História, que fazia uma chamada no começo e outra no final da aula para os atrasados poderem confirmar presença.

Lembrou também o professor Sobral, do Departamento de Literatura, que sempre se dispõe a revisar as provas e mostra toda a semana as notas dos alunos para acompanharmos nosso rendimento, sem esconder o resultado das avaliações.

Os três – Rosângela, Barbosa e Sobral – dominam o assunto das aulas e sempre abrem espaço para os alunos comentarem ou perguntarem. São coerentes e dispostos para com os alunos.

Aos bons professores, dedico estas linhas.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Os sabichões

A fiel leitora desculpar-me-á pelo excesso de futebol nessas humildes postagens. Mas o fim do Campeonato Brasileiro é pauta para mim como novela é pauta para revista sensacionalista.

Não falarei dos meus corriqueiros incômodos, tão discutidos aqui: o oba-oba flamenguista, a limitação são-paulina, o erro chamado Dunga. Não. Hoje gostaria de falar da imprensa esportiva.

É desagradável todo fim de rodada conferir enquetes de blogs e o teor dos textos. Quando o time A está em primeiro, ganhará o campeonato. Quando o time B, tudo muda, o time B é o melhor.

Mesmo com as oscilações da tabela, e até por causa delas, os comentaristas deveriam analisar os times e traçar linha de raciocínio definitivo.

Sempre achei que: a) o Palmeiras será o campeão; b) o Flamengo não irá para a Libertadores. Posso, sim, estar errado, mas mantenho tais previsões. E no caso de erro, explicar-me-ei neste espaço.

Tudo para manter a coerência e respeitar a sua inteligência.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

PC Farias

O serviço secreto americano usa codinomes para lidar com pessoas. O de Barack Obama é "Renegado". Uma das filhas dele chama-se "Botão de Rosa".

Como sãonomes brasileiros no serviço grampeado brasileiro? O presidente Lula, aposto, chama-se "Botão de Camisa Aberto". Se não, é "Dentinho", certeza!

José Serra só pode ser o "Testa de Ferro", óbvio. O senador democrata Heráclito Fortes faz jus a "João Plenário".

Conheço pessoas cujos nomes são "Tati Quebra Barraco", "Dida", "Tales" e "Jaba". O serviço brasileiro não me engana.

Quanto a mim, arrisco ser conhecido como "PC Farias", apelido de infância. Só não vale "o Bambi Dragão".

E você, fiel leitor, como o serviço secreto te chama?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Entre um gole e outro

O mapa dos oito mares

Padre Ernesto ficou uma semana sem dar notícias. Os refantes esperaram no navio, impacientes, apenas com o capitão James Cara-de-touro tranqüilo. O ar agoniado e demente dos últimos tempos cedeu à pose serena típica do comandante.

Tinha o tradutor, isso bastava. Não tinha o livro, fagocitado por Ernesto, mas este não tinha o navio e a tripulação. Cara-de-touro confiava na troca: ele entra com a estrutura, o padre com a decifração. Estava certo de que o religioso não recorreria a outro marinheiro.

Quando Ernesto citou a fama do capitão, queria ostentar conhecimento do estranho, mas apenas deu subsídios a ele. Se demonstrara tanto interesse no livro dourado, este tinha valor, e para alcançar preciosidades, deve-se lançar mão dos melhores.

Cara-de-touro não era o melhor, tampouco o Refante era o melhor navio. Porém, as línguas diziam que o navio era mágico, e o capitão, milagreiro. Era fato a memória prodigiosa e organizada de Cara-de-touro, mas esse era seu único talento além da habilidade de unir pessoas tão diferentes como os refantes.

Portanto, James era um homem enquanto o capitão James Cara-de-touro era uma lenda. Padre Ernesto, rapinoso e oportunista, não perderia a oportunidade de escravizar os serviços de alguém tão importante.

Por outro lado, o comandante precisava apenas de fazer o padre falar. Assim, decoraria a rota para onde o mapa levaria, ou seja, mal se preocupava com a perda do livro. Quanto às exigências do padre, pensaria nelas depois.

Agora só queria ouvir mais uma piada do cozinheiro Vitor Hugo Metallion e beber mais um copo de cerveja.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O livro, a corte e o negro

- Quando se lê esse livro, desiste-se do Brasil.

Estava eu no corredor da faculdade com alguns amigos. O professor Wágner Rizzo, do Departamento de Publicidade, dirigia-se à sala de aula quando me viu com a obra e proferiu a frase. Era o 1808, livro-reportagem de Laurentino Gomes.

Trata-se de belíssimo exemplo de best-seller com qualidade. A linguagem é muito simples, e a seqüência de idéias, bem elaborada. Não é necessário construções sintáticas escabrosas para escrever algo bom.

Agora, pensando na frase do professor, ele tem lá sua razão. Um dos personagens do livro, um estrangeiro hospedado no Brasil, diz ser uma pena terra com tanta riqueza ser colonizado por nação sem brilho e talento: Portugal.

Às vezes penso como seria um Brasil mais afrancesado ainda, caso Napoleão tivesse dominado o mundo; um Brasil mais inglês ainda, se o liberalismo não desincentivasse a colonização; um Brasil alemão, se o nazismo tivesse triunfado.

Mas há tempo para experiências. Quem sabe o Obama não invade essas bandas daqui?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O poder do Poder

Sustento em círculos sociais a tese de que é melhor trabalhar em órgãos da Justiça do que no legislativo, onde os salários são maiores.

Não há dinheiro que compense a politicagem e trabalhar para interesses privados de parlamentares. Na Justiça, pelo menos, lida-se quase sempre com concursados (membros do Ministério Público e juízes), o que minimiza problemas com o ambiente profissional.

Sempre que levanto tal opinião, logo sou contestado. “O legislativo é o topo da carreira de concurseiro”.

Tá bom, tá bom. Se vocês insistem...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A falácia da criação são-paulina

Para preencher espaço nos jornais, a imprensa esportiva levantou a suspensão do meia são-paulino Hugo para o jogo contra a Portuguesa. Que falta faria o rapaz?

Nenhuma, fiel leitor, nenhuma. Hugo é apenas um jogador mediano em boa fase. Para termos noção de como ele é secundário ao time, basta refletir sobre as suas melhores características: boa chegada ao ataque por meio do jogo aéreo e marcação do defensor adversário.

Oras, isso é lá qualidade de meia? Meia deve ter bom passe, finalizar de fora da área, segurar a bola quando necessário, driblar. Ou pelo menos alguns destes atributos.

Ano que vem, se chegar jogadores como Conca ou Verón, conforme se especula, Hugo vai para o banco. Sumariamente.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ou comigo ou contra mim

Quando a conversa de bar descamba para a discussão direita/esquerda, calo-me. Creio que acabaram tais conceitos ideológicos.

Hoje o direitista senta ao lado do esquerdista, ambos compõem o mesmo governo. Sarney é governista, Heloísa Helena é oposição.

Os que se intitulam de esquerda tomam medidas liberais e vice-e-versa. O mais famoso e poderoso socialismo adotou medidas capitalistas logo de cara: Lênin na URSS. O contrário é o mais famoso e poderoso capitalismo: os EUA, que sempre foram protecionistas e volta-e-meia injetam dinheiro na economia conforme a crise.

Por isso, defendo a divisão situação/oposição. Ou você está com o governo ou não. O resto é discussão obsoleta.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

James quer descansar

O mapa dos oito mares

Diante do silêncio do chantageado, padre Ernesto continuou.

- A quinta exigência para eu traduzir o livro é a sua fidelidade e obediência eterna para com a Igreja Católica.

James Cara-de-touro estava cansado. Não queria mais discutir, argumentar. Só desejava voltar para o Refante e dormir. A tripulação estava incrédula com tudo aquilo, não acreditava que o capitão aceitasse tal humilhação.

- A sexta condição é que você escreva, para acrescentar ao patrimônio da Igreja, todas as rotas marinhas que conhece – Cara-de-touro ergueu os olhos para ele. - Sua fama vai longe, capitão.

- Eu não sei escrever, padre – sussurrou.

- Não se preocupe. Há monges suficiente para escrever outra Bíblia com o seu conhecimento. Sétima e última condição... Não sei... Ainda tenho o que pensar, mas vou defini-la. Aguarde instruções minhas, herege, voltarei para catequizá-los e dar as primeiras ordens!

Deu as costas e entrou no casarão. Com o livro. O comandante foi cercado pelos marujos.

- Mas que diabos está fazendo? Entregando o paiol aos porcos!?

- Vamos invadir essa coisa logo, pegar o livro e dar no pé!

- Vamos esquecer essa bobagem de livro!

Cara-de-touro respirou fundo, organizou os pensamentos e disse em voz serena, a caminho do sonhado sono:

- Vamos ficar, atender às condições e ver o que o mapa tem para nos mostrar.

- Mas...

- Quantos fluentes em tupi-guarani você conhece? - sem resposta, James continuou. - Quem quiser desistir, vá embora. Ninguém precisa ser crente, não quero parceiros de má vontade. Mas eu ficarei.

- Que isso, bovino? - contestou Marccelo Fratelli. - Ninguém aqui abandona o barco.

- Mas estaremos perdidos se aceitarmos tudo! - questionou Andrew Reborn.

- O cretino fez seis exigências, o número da besta. Tenha certeza de que isso só vai trazer azar para ele – o capitão fez uma pausa. - Nosso objetivo é desvendar o mapa. Só. Depois resolvemos o que fazer. Já briguei com Deus e com o diabo. Não será esse paspalho que vai me vencer.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Bênção para o abençoado

Hoje blogs do mundo inteiro falam sobre a eleição de Barack Obama. Eu fiz campanha por ele, sim, para ser presidente do mundo. Tenho comigo que o principal nesse pleito era tirar os republicanos democratas da presidência. Então, sobraram os democratas republicanos.

Não sei se Obama é Kennedy, Collor, Saddam ou Osama. Eu sei que ele é Barack, “o abençoado”, e que tem um belo pepino nas mãos. Quando Lula foi eleito, a esperança venceu o medo. O medo deu o troco em 2005 e agora perdeu para o bolsa-família.

Que a mudança não perca para o americanismo. No fim das contas, a frase mais sensata sobre o assunto foi dita pelo Vaticano: “que Deus [realmente] abençoe Obama para que ele corresponda às expectativas depositadas nele”.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Culpa de todo mundo

Eu não sou ateu

Apenas sou mais eu

Não quero competir com Deus

Tampouco dou adeus

A questão é que há príncipes errados

Com tudo o que há de bom

E príncipes dignos do trono

Relegados ao abandono

Afinal, Aquiles venceu Heitor

O ator principal é o vilão

Todavia, a vida tem várias vias

Alguém deveria fazer o certo dar certo

Não apenas o passarinho do incêndio

Mesmo no terceiro milênio

Nós não nos damos conta

De que não damos conta

De pagar a conta

E gastamos por gastar.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O lamúrio da vitória

Foi o Tema da Vitória mais triste desde a morte de Senna. A decepção do pai de Felipe Massa, estampada após a ilusão do caneco, contrastou com a segunda vitória no GP Brasil, feito tão maravilhoso que não pode ser esquecido por que o título não veio.

Massa foi elegante, grandioso e competente. Hamilton também, mas ele é inglês. Os ingleses, fora o Mr. Bean, não têm a graça de ser brasileiro.

Hamilton pode ser negro, pode ter sido pobre, mas não é brasileiro. Não é a mesma coisa. O que o brasileiro ganha vale muito mais do que qualquer outra nacionalidade conquiste.

Só sendo brasileiro para entender.

Não sou ufanista, Policarpo Quaresma. Não.

Sou apenas brasileiro.

domingo, 2 de novembro de 2008

Com o brasileiro, não se brinca

Assisti ontem a O ano em que meus pais saíram de férias. Não espere de mim, fiel leitor, que eu seja atualizado a respeito de cinema.

O filme mostra a dicotomia ufanismo pela Copa de 70 e ditadura militar. Esta aproveitou-se do sucesso futebolístico para propaganda do regime.

Mas não é disso que quero tratar.

A película mostra como o futebol mexe com o brasileiro, como é importante para o amor próprio, a inclusão social. Com isso não se brinca.

Daí vem Ronaldo, em entrevista à TV por assinatura, confessar que se apresentou acima do peso na Copa de 2006. Kaká, no mesmo programa, admitiu a péssima preparação.

Os jogadores fizeram pouco caso do mundial, a comissão técnica submeteu-se à ganância parasita de Ricardo Teixeira. Cuspiram na nossa cara, em nós que contávamos com uma participação digna.

PS: Gostaria de escrever algo sobre Felipe Massa, mas a minha inspiração não permitiria algo mais do que o pieguismo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Contribuição (nada inovadora) contra engarrafamento

Antes que acabe a semana, gostaria de falar sobre o Dia do Servidor, comemorado no último dia 28. Com o funcionalismo sem trabalhar, as vias do Distrito Federal ficaram 100% transitáveis.

Por isso a descentralização é importante. A iniciativa privada e o governo federal deveriam seguir o exemplo do GDF, que levou a administração distrital do centro de Brasília para Taguatinga.

Se órgãos afins como o Ministério Público e os juizados saíssem do Plano Piloto e instalassem-se em uma região administrativa, ajudaria a reverter o fluxo unidirecional RAs-Plano (de manhã) e Plano-RAs (à noite).

E tem aquele discurso batiiiido... Investimento em transporte coletivo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Converta-se

O mapa dos oito mares

O cérebro de James Cara-de-touro pensava em alta velocidade. O marujo podia ouvir as engrenagens do pensamento, o que o atrapalhava. Era momento de autocontrole, usar a razão e esquecer delírios.

Negociar com sacerdotes era perigoso. Ao contrário da maioria da população, os religiosos são raposas estudadas, alfabetizadas. Sete condições para traduzir o mapa era um assalto. Os refantes tinham tudo a perder.

E nada a ganhar sem os serviços do clérigo. Os esforços para conseguir o livro dourado seriam inúteis, hipótese descartada pelo teimoso capitão. Ele fechou os olhos por alguns segundos, suspirou profundamente e preparou-se para o porvir.

- Estabeleça as sete condições.

Triunfante, padre Ernesto ordenou que toda a parafernália que o acompanhava entrasse no casarão, exceto o homem-estátua-guarda-costas.

- Não vai nos convidar para entrar, padre? – a única alternativa do marujo era desestabilizar o adversário.

- Vossa pecaminosidade seria fulminada pelo poder do Senhor assim que pisasse em recinto santo como este. Mantenho vocês aqui para preservá-los, como prova da minha generosidade.

O diabo não daria sorriso mais diabólico. Quando ficou somente com o grandalhão e os piratas, Ernesto esfregou as mãos, lambeu os lábios, e impôs:

- A primeira condição, cão bastardo, é converter toda a sua tripulação ao cristianismo. Tudo pelas vossas almas e pelo Reino dos Céus.

Antes que o comandante abrisse a boca, os demais protestaram. Falavam ao mesmo tempo questões ininteligíveis. Cara-de-touro abaixou a cabeça, que latejava, praguejando para que os refantes se calassem. Padre Ernesto deixou todos contestarem, sem intervir, sem mudar a feição, sem perder a satisfação.

- A segunda condição – retomou, assim que as vozes diminuíram – é a doação do seu navio à Santa Igreja.

Nesse momento os marujos gargalharam. Não tinham a menor vontade de rir, apenas de debochar. Simplesmente não acreditavam no que ouviam; de imediato descartaram a proposta. O capitão jamais alienaria o Refante. Venderia João Silva, mas não o Refante.

- A terceira condição é ceder à Igreja o que este livro revelar – ergueu a obra. - Naturalmente, o livro em si já é meu, pois somente eu sei decifrá-lo. A quarta condição – emendou em alto som, abafando novos protestos – é a garantia contra retaliações a meu respeito e a respeito de qualquer membro da Igreja ou de qualquer fiel Até aqui, alguma objeção, capitão?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A seleção do Brasileirão, segundo A cova

Adoro fim de ano, pois é a oportunidade de fazer algo de que gosto muito: listas.

A pedido de um confrade, vou começar com futebol. Vamos à seleção do Campeonato Brasileiro de 2008.

1 – Victor (Grêmio)

2 – Élder Granja (Palmeiras)

3 – Thiago Silva (Fluminense)

4 – Miranda (São Paulo)

6 – Juan (Flamengo)

5 – Toró (Flamengo)

8 – Hernanes (São Paulo)

7 – Cleiton Xavier (Figueirense)

10 – Alex (Internacional)

11 – Kléber (Palmeiras)

9 – Kléber Pereira (Santos)

O poder é nosso

Meus amigos e minhas amigas, povo brasileiro,

temos a possibilidade de tirar esse país da lama e de corrigir as burradas feitas na eleição de 2008. Devemos tirar o PMDB do poder. Não votemos nesse partido sujo, hipócrita, oportunista, parasita.

Apenas derrotas eleitorais vão impedir as barganhas e chantagens dos Sarneys, Calheiros, Geddels, Costas.

PS: Há blogueiro interessado em bater com as luvas na minha cara. Duelo antecipadamente aceito. Sempre cabe mais um nesta Cova.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Inutilidades do coveiro

Eu sei que vocês estão loucos para saber, então, vou contar.

Joguei nesse fim de semana o campeonato de futebol da faculdade. Ficamos no honroso quarto lugar, até onde nossas forças puderam nos levar.

Estou com o joelho esquerdo inchado e com os músculos doloridos.

Claro que isso é mais importante que o resultado das eleições e que o atentado contra Barack Obama.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pode tirar o urubuzinho da chuva, nada de pôr as asinhas de fora

Flamenguistas, permitam-me avisá-los.

O Flamengo não será campeão brasileiro em 2008. Falta ao time o carimbo de vencedor.

Quando o time é exigido, na hora do “vamos ver”, na hora “H”, o rubro-negro dá para trás. Foi assim contra o América-MEX e contra o Atlético Mineiro.

As principais armas do time não são vencedoras. Se depender do Obina, ele perderá o gol decisivo; o bom goleiro Bruno entregará o ouro a qualquer momento; a criatividade no meio-campo secará nos pés de quatro volantes.

Tampouco acredito no São Paulo. Não se ganha pontos corridos sem jogar bem.

Por isso, aposto nos lampejos de futebol do Palmeiras.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sete vezes sete

O mapa dos oito mares

- Sou capaz de traduzir o livro - disse padre Ernesto; James Cara-de-touro suspirou de alívio -, mas só o farei sob condições.

O sossego do capitão do Refante durou um segundo. Desconfiado, encarou o sacerdote, cuja expressão estava impassível. “Padres não são burros”, pensou ele, e a Igreja tinha muitos interesses mundo afora. Quando soubesse do que se tratava, correria para o destino do mapa como hienas para a carniça.

- O que você quer, maldito? - rosnou o comandante.

- Primeiro – respondeu o padre, com toda a pompa –, quero que melhore o linguajar. Segundo, imponho apenas 12 condições, número apropriado por serem a quantidade de tribos de Israel, de apóstolos, de meses no ano.

- Doze foram os trabalhos de Hércules – provocou Cara-de-touro. - Vai corroborar com o politeísmo?

Ernesto pareceu refletir um instante. Não queria deixar margem para dúvidas sobre os seus propósitos catequizantes. O pirata não era tão ignorante assim. Então, sorriu amarelo e disse:

- Certo, herege, vossa imundice tem alguma cultura, veja só. Que sejam dez, dez condições, conforme os mandamentos do senhor.

- Dez são os lados do pentagrama de ponta-cabeça, padre. Símbolo do demônio.

Irritado com o lapso e com a insolência, Ernesto procurou pensar rápido em um número inconteste.

- Sugiro uma condição, pois um, e somente um, foi o messias – Cara-de-touro segurou-se para não rir na cara do sacerdote.

- Um é também todo o mal, o tinhoso, o sacripantas, o diabo! Sete! - sentenciou Ernesto. - Sete condições, o número perfeito, número bíblico, os dias da semana!

- Duas – o marujo tentava negociar. - Dois ladrões foram crucificados com Cristo, dois é o único número primo par e as maiores belezas da natureza formam pares: o dia e a noite, o céu e a terra, pai e mãe, pão e vinho.

Padre Ernesto gargalhou. - Não pense que vou ceder! Sete é o número perfeito, não pode derrubá-lo.

- Três! Os reis magos, a hora que Jesus morreu.

Ernesto e sua comitiva deram as costas e rumaram para o casarão. Com o livro.

- Quatro são os elementos, cinco são os continentes, seis...

- Seis é o número da besta. Eu quero sete. Pegar ou largar.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O reverso da medalha

Ontem à noite, antes de dormir, tirei os meus livros da estante para organizá-los e ter noção do que eu guardo nas prateleiras. Concluí que literatura estrangeira exige a mesma quantidade de espaço que os livros teóricos, históricos e de literatura nacional, somados, precisam.

Um dia antes, li na terceira edição do jornal-laboratório Campus, da Universidade de Brasília, um box de memória que relembra a situação das nossas crianças em, se não me engano, 2004. As criaturinhas do século XXI não lêem Monteiro Lobato e afins; o gosto da leitura vem com Harry Potter e comparsas.

O meu caso sequer funciona como amostragem, é apenas um exemplo. Entretanto, as listas dos mais vendidos, há muito, mostram-nos a disseminação dos livros estrangeiros entre os jovens. Machado de Assis, Guimarães Rosa, Carlos Drummond não empolgam os pequeninos.

Não que seja problema ler importados, mas a qualidade dos nossos escritos merecem mais visibilidade e prestígio. Precisamos sair dos círculos acadêmico e pessoal, demasiado restritos, onde os grandes autores brasileiros são lidos de joelhos. Fora deles, Dan Brown, Nora Roberts e Stephenie Meyer dominam.

Para estimular o nacional, o ensino fundamental e o médio devem mudar seu estilo de lecionar. Começar com os complexos, profundos e psicológicos romances machadianos é estrangular o interesse pelo escritor.

Devemos iniciar pelo seu teatro e pelos seus contos, pelos romances românticos sebosos de José de Alencar. O sentimento do mundo de Drummond é para fases posteriores; poesia deve começar por Vinícius de Morais.

(Acabemos com os delírios parnasianos, que só aborrecem e entediam o jovem.)

As aulas devem contextualizar o livro, evocar as referências do autor e fazer o aluno compreender que livro bom não é somente o vibrante, mas também o crítico, analítico, inovador, reprodutor de época.

Nada disso impede a leitura das obras comerciais.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cada um no seu quadrado

Depois do barulho das cigarras e do preço do álcool, o que anda me incomodando é o laptop. Encaremos o fato: as pessoas não precisam dessa máquina maldita!

Se a pessoa tem um, tem/teve um computador comum em casa e trabalha/estuda onde há computadores. Sim, há exceções, mas exceções não se espalham como pragas.

A moda é cada um se fechar no portátil, e dane-se o mundo. Pensa-se que a internet tem tudo, que o aparelho facilita a vida etc. Bobagem. Nem tudo que é novo é bom, nem tudo que é tradicional é ruim.

Ninguém precisa acessar o computador cada vez que põe as nádegas em uma superfície sólida. Ninguém precisa acompanhar a atualização de notícias com tanta freqüência, responder a tanto e-mail (a maioria é propaganda barata).

Se for escrever algum trabalho, vá para casa ou para o ambiente profissional, os lugares mais adequados. Não precisa abrir essa joça na parada de ônibus.

Na Universidade de Brasília, vi aula em que três alunos fecharam-se no laptop. Não adianta dizer que usam a máquina para anotações e pesquisas do assunto da aula porque não usam. Comprovei empiricamente. Esses alunos não prestam a menor atenção no docente.

Laptop é como celular que fotografa, grava, filma, conecta e até faz ligação, isto é, supérfluo. Só serve para ostentar riqueza e chamar a atenção de mal-intencionados.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Perdão, Eloá

Não há um culpado pela tragédia do seqüestro em Santo André; há vários. Um deles é a atuação desastrosa, incompetente, desonesta, nefasta, indevida de um dos pilares da sociedade.

Não, leitor, não é a polícia. É a imprensa.

Como os poderosos meios de comunicação não fazem autocrítica, darei minha singela contribuição de análise dos procedimentos jornalísticos no caso.

Não foi para nós a duvidosa, repetitiva e esburacada cobertura do seqüestro em tempo real. Foi para o bandido. Ele assistiu a tudo, e tudo alimentou o sadismo do meliante.

A imprensa deveria, sim, cobrir o caso, mas só noticiá-lo após o desfecho para não prejudicar as negociações. Sem audiência, qualquer coisa perde o interesse. São preferíveis manchetes menos escandalosas a uma vida perdida e famílias desgraçadas.

Assim como no caso Nardoni, o caso Eloá não tinha interesse público. Seria melhor o seqüestro acabar com todos vivos sem ninguém saber.

PS: a Globo foi na onda das versões oficiais e noticou a morte de Eloá enquanto ela estava viva. Não adianta culpar o governo, pois o jornalista é responsável por TUDO o que divulga. Está no nosso Código de Ética, artigo oitavo (sim, nós temos um código de ética).

(Não, ninguém lê.)

PS 2: João Hélio, Nardoni, Eloá, o rapaz morto pelo segurança do filho da promotora. Façam as suas apostas para o próximo caso romanceado pela imprensa.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dragão cospe fogo

O mapa dos oito mares

Anoiteceu. Arruda e João Silva buscaram alimentos no Refante, mas James Cara-de-touro não quis comer. Estava sentado, abraçado às pernas, tremendo de demência. Os olhos estavam vermelhos, e os lábios, trincados. Desde que o padre Generaldo entrou no casarão, ele nada disse. O espanhol Guillermo González estava tacitamente livre, não tinha serventia para os piratas. Podia fugir, mas sabia que na cidade do padre dragão não iria longe.

Os tripulantes tentaram dissuadir o capitão, levá-lo de volta, mas ele não se mexeu, não demonstrou reação, não deu atenção. Poderiam ter ido, deixado o chefe lá, sozinho e vulnerável. Porém, sequer cogitaram a hipótese. Não fazia parte de piratas largar o comandante. Sem falar que o navio não obedeceria a outro se a sucessão não fosse justa e merecida.

Antes de os marujos dormirem, deram a última olhadela no capitão e, quando acordaram, viram-no acordado, em pé, encostado na muralha com as costas e o pé direito, olhando para qualquer lugar. O livro dourado estava jogado no chão, aberto. Cara-de-touro perdera o cuidado com o mapa. Só queria ser recebido pelo tal padre.

No meio da tarde, sob sol escaldante, todos amontoaram-se debaixo de uma sombra de árvore, menos James. Ele postou-se de frente à porta vermelha, empertigado, com as mãos para trás. Passaram-se quase duas horas até que a porta se abriu lentamente.

Havia inúmeras pessoas do lado de lá do muro, todas militarmente postadas e organizadas. O primeiro a sair foi o homem-estátua, seguido de duas fileiras de homens com espingardas, que cercaram os marujos, apontando as armas para eles. Depois vieram sacerdotes sem fim arrastando as barras das batinas e portando bíblias. O penúltimo foi o padre Generaldo, carregado nos ombros por um gigante negro sem camisa. Por fim, quatro branquelos musculosos carregavam uma espécie de trono onde um homenzinho de um metro e meio de altura sustentava olhar inquisidor.

Abatinado, ele encarava cada um. Não tinha cabelo na fronte, sinal da calvície. No topo da cabeça, uma ilha de cabelo e, nas laterais e na traseira, uma quantidade considerável de tufos. Era moreno de sol.

- In nonime Patris et Filii et Spitiui Sancto – falou o senhorzinho.

- Amém - responderam os que saíram com ele, em uníssono.

- Pecadores! - chamou, com uma voz potente e surpreendente para alguém tão mirrado. - Chamo-me padre Ernesto. Soube que querem me encontrar! - ele mais danava do que conversava. - Poderia eu muito bem fechar-lhes a porta do Senhor, mas o Senhor não vira as costas nem mesmo para os mais parvos répteis! - ninguém se mexia. Os marujos, alvos fáceis para os rifles, mantiveram as espadas abaixadas. - Então – aumentando o tom de voz -, digam-me o que desejam e prometo refletir o máximo para dar o menor castigo que vossas heresias merecem!

Impaciente, James Cara-de-touro agachou-se para pegar o livro dourado. A mira de três armas o seguiram. Sem olhar para elas, aproximou-se do pseudo-trono, mas foi barrado pelo homem-estátua. Calado, este tomou o livro do capitão e estendeu-o para o padre Ernesto. O religioso abriu a obra a esmo e leu um parágrafo. Satisfeito, fechou-a com força, fazendo subir poeira, e pensou por alguns segundos.

- Muito bem – retomou ele. - Tenho uma proposta para vocês.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Quando nós seremos indenizados?

A rádio CBN informa que as verbas indenizatórias dos deputados distritais será reajustada em 12%. Não, fiel leitor, não será reduzida, será aumentada mesmo.

Com isso, a verba fica o dobro das dos deputados federais.

O que justifica tanto dinheiro para parlamentares de um cubículo como o DF? Pagar passagem aérea para a Ceilândia?

O distrital Antônio Reguffe (PDT) mantém 14 assessores a menos que os demais e diz economizar R$52 mil reais com essa brincadeira. (Saiba que, sim, sou eleitor dele).

Ou seja, não são necessários tantos gastos. Onde estão o Ministério Público, órgãos de contas, corregedorias para contestar o abuso? A imprensa fez o que lhe cabia.

Por isso não sobra dinheiro para nós.

Não votem em...

Alírio Neto (PPS), presidente da Câmara Legislativa e defensor da proposta.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Loucura de Quixote, ignorância de Cubas

O presidente Lula recebe hoje na Espanha a condecoração Dom Quixote por promover o ensino do espanhol no Brasil.

Enquanto isso, comete bobagens na Língua Portuguesa como a deforma ortográfica, e há brasileiros que escrevem quis ( do verbo querer) com "z", preposicionam o sujeito, separam com vírgula este do predicado.

Bem que o presidente poderia se esforçar para ganhar o prêmio Machado, Guimarães, Graciliano...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Desconcentração e dor no corpo

Perdoe-me o fiel leitor: essa semana não haverá capítulo de Os refantes. Este coveiro está muito cansado para pensar em texto grande.

Mas prometo quena próxima semana os piratas voltam. E vocês vão conhecer o padre Ernesto, doçura de pessoa.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tragam o cabeçudo

Escrevi neste blog que Mancini é peixe fora d'água no esquema da Seleção. Errei. No esquema que Dunga usa, com dois atacantes abertos e um meia centralizado, ele pode jogar. Provavelmente será escalado na esquerda, onde Ronaldinho estava. É assim que Mancini atuava na Roma e joga na Inter de Milão.

Porém, como observou Tostão, o esquema continua errado. Com dois volantes brucutus (Josué e G. Silva) e três meias-atacantes avançadíssimos (Robinho, Kaká e Mancini), há um buraco no meio. Por isso que a bola não chega à frente. Os volantes são incapazes de dar um passe decisivo.

Quem deveria preencher, então, a lacuna? Alex Cabeção, do Fenerbahçe. A sua inteligência, seu passe e seu chute de fora da área credenciam-no a ser o articulador do time. Ao lado de Kaká, velocista e arrematador, eles se completam.

Dizia Parreira, é questão de equilíbrio. O time precisa de:

- um goleiraço (Júlio César);
- laterais que ataquem alternadamente;
- um zagueiro imponente (Lúcio), outro classudo (Juan);
- um volante cão-de-guarda (o meu preferido é o Pierre, do Palmeiras, ou o Lucas), outro habilidoso (Anderson ou Hernanes, do São Paulo);
- um meia articulador (Alex Cabeção), outro que assuma a condição de atacante (Kaká);
- um atacante driblador (Robinho) e um centroavante matador (Luís Fabiano, Adriano, Fred).

Assim, a defesa fica protegida, a bola chega ao ataque, o time tem variação de jogadas e maximiza o potencial de cada atleta.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Não subestimemos o capitalismo

O capitalismo não acabará, e não é necessário ser especialista para deduzir isso. O que alimenta o sistema não é a oferta de crédito e produtos. A questão está na outra ponta do processo: na demanda.

Enquanto houver consumismo, o capital ditará as regras. Se verificarmos os problemas que a população mundial tem com a crise financeira, veremos a falta de crédito e aumento de preço de eletrodomésticos e automóveis.

Ou seja, está mais difícil se endividar e comprar o que ninguém precisa para sobreviver. Oras, isso não é bom? Ninguém morrerá sem carro ou sem geladeira nova. A crise freia o consumismo, os gastos desnecessários.

Os prejudicados são os clientes dos bancos quebrados. Esses sim podem reclamar.

O capitalismo regula a si próprio; o que chamamos de crise, para ele, é reciclagem. Então, se for para discutir a situação, pensemos no preço do que importa – alimentos, por exemplo – e pensemos no dinheiro público (pacotes governamentais de salvação) corrigindo a besteira que interesses privados fizeram..

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Partido Oportunista

P.O. Não é nome de lanche de padaria nem de manda-chuva em capital federal. Trata-se do carimbo que o PMDB põe na própria testa.

O partido joga no time que ganha, seja da situação ou da oposição. Está com o PT no plano federal, mas rebela-se no estadual e municipal. Faz oposição quando tem oportunidades eleitorais e está com a situação quando não pode vencê-la.

É o mais votado partido do Brasil. Oras, por que, então, o PMDB não tem presidenciável? Por que não tem candidato forte ao maior estado e à maior cidade do país? Porque é partido de segunda, um parasita.

Há muito os conceitos de direita e esquerda acabaram. Hoje é situação ou oposição. O PMDB é os dois, conforme a salvação da própria pele.

domingo, 5 de outubro de 2008

O jogo democrático consolida-se

Ah, a democracia. Eleições de dois em dois anos é bom para o país. Os custos elevados do sufrágio e os aborrecimentos provocados pelos candidatos são o ônus para o nosso atual sistema político. Plenamente suportável.

Concordo com o presidente do TSE e com o francês Alexis de Tocqueville: eleições freqüentes fazem com que exercitemos o voto, a análise, o pensar o país. E os resultados surgem a longo prazo (não esqueçamos que a democracia brasileira tem apenas pouco mais de vinte anos).

Olha o caso da Bahia. Após a derrota do grupo de ACM em 2006, ACM Neto sequer foi para o segundo turno em Salvador. No Rio de Janeiro, Crivella ficou de fora (!), e Gabeira foi para o segundo turno. Maluf mal foi lembrado em São Paulo.

Há os percalços, inevitáveis, mas o jogo democrático consolida-se. A democracia americana, por exemplo, tem mais de 200 anos. Temos muito a percorrer, mas o caminho é o certo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O fim do Brasileirão segundo A cova

Com o simulador do Globoesporte.com, especulei como terminará o Campeonato Brasileiro. Clique na figura abaixo e veja a tabela segundo A cova.

Segui os seguintes critérios: a regularidade do São Paulo, a fraqueza do Flamengo, o favoritismo do Palmeiras, a força do Grêmio, a ascenção do Internacional, a qualidade do Fluminense, a fragilidade do Ipatinga, a sem-gracice do Botafogo.

Deu Palmeiras campeão e Flu livre do rebaixamento.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O homem é feito do pó

O mapa dos oito mares

Na entrada do casarão do padre Ernesto, uma estátua, solitária, olhava para os refantes; o resto era o zunido do vento e o cantar dos passáros. A escultura, de soldado, era feita de material acinzentado, provavelmente argila. Tinha mais de dois metros de altura, pés juntos e pernas esticadas, em posição de sentinela. Nas mãos petrificadas, havia uma espada de verdade, de lâmina grossa e brilhante apontada para o queixo. A estátua encarava o horizonte.

O capitão James Cara-de-touro dirigiu-se à porta, braço esticado para empurrá-la, disposto ao arrombamento se não cedesse. Quando a mão chegou a três centímetros da maçaneta em forma de argola, a mão esquerda da escultura desceu sobre o punho do pirata, como reprovação. A massa de argila não movera mais nada, permanecia com o olhar fixo no nada. Após segundos em que o grupo assimilou o espanto, a escultura disse com voz grossa:

- Posso ajudar? - e virou cabeça para fitar Cara-de-touro.

Todos afastaram-se da estátua falante. Maravilhado, padre Generaldo desatou a pular e a gritar.

- Milagre! É a manifestação de Deus Todo-poderoso! Ele trouxe Lázaro dos mortos, abriu as vistas do cego e agora dá vida à pedra! Milagre!

- A bênção, padre – pediu a estátua, ajoelhando-se e segurando a mão do sacerdote, que o abençoou imediatamente. - Sinto desapontá-lo, mas o único milagre presente em mim é o da concepção – e ergueu-se.

Enquanto se levantava, caía pó de todo o corpo, como se o material de que era feito estivesse em decomposição. Os humanos sequer tiveram tempo de aterrorizar-se, pois logo perceberam manchas cor de pele nos braços e no pescoço. Contrafeito, Arruda aproximou-se insolentemente e segurou com força o braço esquerdo do rapagão.

- Ahá! - voltou-se triunfante para os companheiros, erguendo a mão aberta. - Piada de português!

A mão estava acinzentada por uma espécie de tinta. Atrevido, ele passou o dedo indicador na bochecha do capitão, deixando-lhe um risco cinza. Enfurecido com o ludíbrio, Cara-de-touro procurou manter a calma.

- Olha aqui, monte de maquiagem – começou em tom ameaçador. - Abra essa merda ou por-la-ei abaixo!

- O que deseja, nobre? - respondeu, em tom cortês, o homem fantasiado de estátua.

- Na verdade, desejo arrancar-lhe os olhos e ver se Deus faz o milagre de devolver-lhe a visão, mas contento-me se trouxer a mim o padre que mora aí dentro.

- Releve esse bruto, meu caro fiel – intrometeu-se padre Generaldo, aproximando-se do grandalhão. - Eu sou conhecido do padre dragão, somos companheiros de batina e de orações. Você poderia levar-me a ele?

- Claro, reverência. Queira acompanhar-me.

Guillhermo González deu um passo a frente para segui-los, mas o sentinela o barrou.

- Está com o senhor, padre?

- Não, jovem. Não convivo com servos do diabo.

- Cretino! - ralhou Cara-de-touro, sacando e erguendo a espada. - Vai quebrar a promessa?!

- Não sou vil como piratas – retrucou o padre, em baixo, mas audível, tom. - Trouxe vossa heresia para junto do padre Ernesto. Se ele vai recebê-lo ou não é outra história. Mas prometo que intercederei por você. Quem sabe o dragão não o exorciza?