sexta-feira, 30 de maio de 2008

São pessoas como essa senhorita que fazem do trânsito de Brasília um caos

Ontem voltava eu para casa pela Estrada Parque Taguantinga-Guará por volta das 17h. Ingênuo, não imaginava o engarrafamento existente em tal horário.

Na altura do desvio, próximo a Águas Claras, a velocidade possível era de 50 km/h. E a mantive. Atrás de mim, uma moça, num Pálio azul-escuro, deu luz alta e fez, com a mão, sinal para que eu andasse mais depressa.

Perguntei-me: "ela quer que eu vá por cima ou por baixo?" Não havia por onde passar, a velocidade era aquela e pronto.

Chegando a Taguatinga, surpreendentemente, após ultrapassagens aqui e ali, deparei-me com a moça na minha frente.

Perguntei-me: "será que eu sou pirracento?"

Sou.

A situação era muito semelhante à anterior. Não havia como ela acelerar. Dei luz alta. Ela não reagiu.

Ao contornar o viaduto que dá acesso ao Pistão Sul, dei luz alta novamente. Ela fez um gesto obsceno conhecido como "dar dedo".

Minha irritação com o trânsito passou.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aqueles que se deputam e aqueles magistrais

Há sessões no Congresso Nacional em que os parlamentares votam secretamente. Foi o caso, por exemplo, da absolvição de Renan Calheiros. O congressista vota, num precisa de justificar nada. Ponto final.

Por outro lado, os magistrados, conforme a Constituição Federal, devem FUNDAMENTAR todas as decisões. Ontem e hoje os ministros do STF passaram horas justificando os votos no julgamento da ADIN relativa a células-tronco embrionárias. Estudaram e deram a cara a tapa. Sabemos quem votou em quê e porquê.

Os 11 do STF formam a seleção nacional. Seiscentos deputados/senadores não servem nem para suplente.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

As mil utilidades de João Silva

O mapa dos oito mares

Pedro Magalhães João de Almeida Bargonha Silva Oliveira estava na situação que mais o desagradava: prestes a morrer. Reconhecia, sem pudores, que a covardia não caía bem a um pirata, mas salvar a própria pele falava mais alto.

Não era coincidência o fato de utilizar o nome João Silva, perante tantas opções. Quantos “João Silva” haveriam pelos sete mares e pelas quatro terras? A guarda imperial lusa nunca chegou perto do verdadeiro, perdeu-se ao investigar dezenas de Joões errados (conta um soldado que a guarda, enganada, prendeu o primo terceiro do rei).

Contra o instinto de sobrevivência, jogava a feição pacata de João. Era uma isca perfeita, capaz de valentear inimigos tão covardes quanto. Por isso, restava ao marujo a incumbência de arriscar-se pela tripulação (a alternativa seria ir à linha de frente do ataque, de encontro a balas de canhões e espadas).

Nunca os companheiros deixaram de salvá-lo, mas confiar num pirata é confiar numa nota de três reales e 2687 centavos.

Naquele momento, João Silva estava amarrado do pescoço aos pés e de ponta-cabeça, pendurado no mastro do Illerocep, o navio do capitão mais retardado do Mediterrâneo. Vaidoso, adiposo e incompetente, o capitão Illerocep, tão magro quanto Moby Dick, não tinha um talento sequer, mas, agraciado pelo destino, estava de posse de algo que interessava a James Cara-de-Touro.

Capitão do navio de João Silva, o Refante, James Cara-de-Touro desconhecia o próprio sobrenome, mas tinha gravadas na memória todas as rotas marítimas possíveis e imagináveis. O apelido não sobrevinha da forma robusta que impedia fechar os botões da camisa, como a maioria pensava, muito menos do anel preso ao nariz, com o diâmetro do buraco de um violão. A alcunha foi cunhada pelo cozinheiro do Refante, Vítor Hugo Metallion, um francês sem amor-próprio, mas um belo piadista (e que tinha o hábito de apelidar todo mundo). Cara-de-Touro era uma referência às traições da esposa de James, Caroline, que vive em Manchester. O marido não dá atenção a ela e isso a deixa satisfeita, pois tem a liberdade de conhecer os talentos da guarda britânica. James não sabia o real motivo do apelido e nem queria saber, pois gostava da sonoridade dele.

E gostava de Silva. Era divertido, inteligente e útil para distrair adversários e tapeáveis. Sabedor dos bons olhos com que Cara-de-Touro o via, João tranqüilizou-se até aquele exato instante. Porém, o cano do revólver de um pirata inimigo estava tão próximo que ele enxergava o rosto do cidadão por uma fresta, do outro lado. E o capturado era alérgico a pólvora.

- Tem que ser mais esperto para roubar o ouro do capitão Illerocep, animal imundo! - disse o dono do navio. - Mande lembranças ao diabo!

Silva cerrou os olhos com força, ouviu o clique da bala engatilhada e deixou de ser ateu por cinco segundos para rezar um Pai-nosso.

Quando a pirataria chegou.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Inutilidades de um coveiro

Muitas vezes as coisas dão errado. A preguiça impede o que depende de você e o destino impede o que não depende de você.

Tinhosa, a dona Entropia.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Social-comuno-anárquico sul

Após o Mercosul e a Unasul, a perspectiva de um Banco Central e uma moeda únicos. Vamos ao mistureba.

Poderíamos fazer novelas conjuntas. Dramalhão mexicano com romances sebosos Globais.

Poderíamos unificar os campeonatos de futebol. Quem sabe não aprendemos a ganhar do Boca Juniors?

Poderíamos dividir os esforços para proteger a Amazônia. Andinos, cuidem das fronteiras!

Poderíamos dividir a conta do narcotráfico. Andinos, impeçam que a droga chegue ao Brasil!

Poderíamos unificar o petróleo. O petróleo venezuelano é nosso! O gás boliviano também! Eletricidade paraguaia...

Poderíamos ter um idioma comum. Português, muito mais bonito.

E eu dispenso os discursos do Chávez, podem ficar.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um novo vício

Eu odeio feriado.

Vil, asqueroso, cretino. Um verdadeiro tartufo é o que no Brasil convencionou-se de "fe-ri-a-do".

Contamos os dias úteis para o dia inútil chegar. Planejamos viagens, festas, tudo do bom e do melhor.

E ele chega.

E vai-se.

Como o sonho com a mulher inalcançável, como o felposo reajuste salarial, como a juventude, ele some, deixa-nos na mão. Após um feriado sempre tem um dia de trabalho. Não se iluda com feriado na sexta e o posterior fim de semana. A segunda-feira está à espreita e, acredite, ela vai te atacar.

Relaxar em feriado é inocência. Você diminuirá o ritmo do cotidiano, achar que meses de trabalho serão recuperados em um dia. Bobagem.

Você trabalhará mais cansado e puto no dia seguinte.

E rezar pelo próximo feriado.

O vício não tem cura.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

[Da série "Mistérios"]

Por que diabos as domésticas, para limpar a casa, precisam de manter todas as luzes de todos os cômodos ligadas simultaneamente?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Inutilidades de um coveiro

Às vezes as coisas dão certo, o trabalho funciona, a faculdade vale a pena.

Agarremos-nos a cada minuto em que a vida vai bem.

terça-feira, 20 de maio de 2008

O assunto anda em alta, o coveiro em baixa

Desatei a falar de futebol. Hoje eu queria falar sobre o novo apartheid na África do Sul, onde os nativos do país massacram imigrantes e acusa-os de serem os responsáveis pelos problemas sociais sul-africanos. Mas não tive tempo nem inspiração.

Após Dunga divulgar uma pré-lista para os Jogos Olímpicos, segue a lista dos meus convocados para Pequim.

1 - Diego Alves (Almería)

2 - Daniel Alves (Sevilha)

3 - Breno (B. Munique)

4 - David Luiz (Benfica - um dos melhores zagueiros brasileiros)

6 - Marcelo (Real Madrid - e o Dunga cogita não levá-lo!)

8 - Lucas Leiva (Liverpool)

5 - Hernanes (São Paulo - a camisa do Zidane)

7 - Anderson (M. United)

10 - Diego (W. Bremen)

11 - Pato (Milan)

9 - Adriano (Inter de Milão - recuperado pelo São Paulo)

-------------------------------------------------------------------------

12 - Cássio (PSV)

13 - Rafinha (Schalke 04)

14 - Henrique (Palmeiras)

15 - Alex Silva (São Paulo)

16 - Denílson (Arsenal)

17 - Thiago Neves (Fluminense)

18 - Luís Fabiano (Sevilha)

O Brasil não precisa de Kaká e Robinho se tem Diego, Anderson, Neves. Não precisa de Juan/Lúcio se tem quatro ótimos zagueiros jovens. Precisamos de laterais e centroavantes.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Post scriptum

Quando o detetive encontra uma carta e uma fita cassete

Carlos,

quando você ler esta carta, estarei com mia mamma, na Sicília. Espero que você entenda, nunca te enganei, nunca menti para você, sempre tentei te ajudar.

Sempre ressaltei minha heterossexualidade, mas você não acreditava, achava que poderia me mudar... Agradeço tudo o que fez por mim, as vezes em que me livrou da cadeia, mas...

Quando você mandou que eu vigiasse a Kil, não imaginei que poderia me apaixonar por ela. Aposto que está chorando, mas você sabe, eu não gosto de homens.

Kil me prometeu tudo, tudo o que sempre sonhei: voltar à Europa, rever minha família, dinheiro. Ela é muito rica, sabe, ela pode me dar o que você não pode. E ainda posso trabalhar nos crimes dela. Aprendo tanto!

E só tenho a agradecer a você pelas dicas de como funcionam os tiras.

Como gratidão, segue esta fita cassete. Kil grava tudo o que conversa com os clientes. Nela tem a confissão de Artúrio Matim. Você é demais, acertou o mandante dos crimes.

Bom, até nunca mais, eu acho. Cuide-se. Que você encontre um bom homem.

Daniele Scarloti

PS 1: Lara Matim se casou com um pintor norte-americano e nunca mais advogou.

PS 2: Artúrio Matim foi a júri popular e pegou 28 anos de prisão. Como a pena excedeu vinte anos, teve direito a novo julgamento. Foi inocentado.

PS 3: Não perca a próxima série d'A Cova dos Dragões. OS REFANTES - O MAPA DOS OITO MARES contará a saga dos mercenários tripulantes de um navio pirata sedentos por glória, poder e mulheres. E por um pouco de riso.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

[Futebol] Adriano, faça história

Permita-me, fiel leitor, compartilhar uma utopia de um são-paulino empolgado.

Adriano, fique no São Paulo até o fim do ano.

Deixo a deixa após ler que o centroavante afirmou: "o São Paulo foi tudo para mim". Se conquistarmos a Libertadores, quem mais tem a ganhar em ficar no Morumbi é o próprio Adriano.

Jogar o Mundial seria uma oportunidade de eternizar-se como ídolo do clube. Vide o exemplo de Danilo, Mineiro, Josué, Lugano, Cicinho. Saíram do São Paulo com títulos que nem Kaká e Luís Fabiano conseguiram.

Exemplo do outro lado da moeda é Amoroso. Ganhou a Libertadores e o Mundial de 2005, poderia, com tamanha técnica e raça, estar nos anales do clube, mas queimou-se ao transferir-se para o Milan (e amargar uma interminável reserva).

Há quem diga que a burra Inter de Milão não o quer. Fique, Adriano, para imperar de vez na história do São Paulo.

Uai, acabou?

Não sei se o movimento estudantil está para um morto-vivo, que vira-e-mexe sai do túmulo, ou para aquele gordo centroavante oportunista (Obina) que sequer sabe chutar a bola, mas faz gols.

Fato é que a putaria acabou. Depois da invasão da reitoria, dos holofotes, da fama e de chamar repetidamente a imprensa de burguesa (cuspir no prato em que comeu), os fabulosos revolucionários sumiram.

Acabaram as reivindicações, os protestos, a indignação. Virou letra morta em uma carta de páginas amareladas.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

[Futebol] O São Paulo liberta o São Paulo

No primeiro jogo das quartas-de-final da Libertadores, o Tricolor do Morumbi deu um banho no pó-de-arroz fluminense. Se jogar no contra-ataque no Maracanã, aproveitando os espaços no enorme gramado, será semifinalista.

Ontem, Fábio Santos anulou Thiago Neves, Richarlyson não deu chance a Gabriel, Alex Silva e Miranda ganharam todas de cabeça. Os cariocas tiveram apenas uma chance de gol, chute de Neves (e a bola foi pra fora). Sem a criatividade dos meias, Washington e Dodô não receberam bolas, ou seja, foram dois cones no campo de ataque.

Zé Luís e Hernanes ganharam todas as divididas, Jancarlos teve muita personalidade na direita e empurrou Júnior César para a defesa das laranjeiras. Hugo, Hernanes e Dagoberto fizeram um show a parte. Com trocas de passes rápidas, Arouca, Ygor e Cícero não conseguiram marcar. Hugo fez exatamente o que um jogador como ele deve fazer: sem velocidade, mas com técnica, o passe deve ser rápido, nada de prender a bola.

Dagoberto caiu nas costas de Gabriel e os zagueiros do Fluminense não conseguiam tirar a bola de Adriano. Este surpreende pelos bons passes e movimentação, ao contrário do grosso centroavante de 2006. Na Seleção, a bola passava por Ronaldo, Ronaldinho e Kaká. Quando chegava em Adriano, a jogada ficava quadrada.

O Imperador recuperou-se. Feliz do time que o receber na próxima temporada européia. Feliz dos são-paulinos, que agora vêem um time com cara de time, com chance de título, liberto.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Desmatamento político

Com furacões e terremotos no Brasil, vulcão inativo ativo no Chile, aquecimento global, buraco na camada de ozônio, degelo nos pólos... e as pessoas ainda acham que desenvolvimento sustentável é clichê.

As preocupações de Marina Silva foram obliteradas por interesses imediatistas e populistas. Para o empresariado e para mostrar serviço ao povão, hidrelétricas, por exemplo, são ótimas. Para o futuro (ambiental) nacional, são péssimas, mas quem liga?

Fale para um motorista com carro bicombustível para abastecer com álcool por este ser menos poluente que a gasolina. Ele vai fazer a continha do 70% e se o resultado acusar que a gasolina rende mais potência e economicamente, ele vai rir de você.

No Brasil, interessa o agora. Então, ambiente e sustentabilidade serão o assunto da vez somente quando o Rio de Janeiro for engolido por uma onda gigante.

terça-feira, 13 de maio de 2008

O direito do resto

Hoje a Lei Áurea completa 120 anos. Pilhas de reportagens sobre os negros, sobre a dúvida se os EUA elegerão um presidente negro (tomara!). Discussão sobre cotas para negros nas universidades. Estatuto da Igualdade Racial pra cá, Secretaria da Igualdade Racial pra lá.

Aliás, pergunta-se se os EUA elegerão uma presidente. Há uma secretaria para mulheres no Executivo federal, o homem-forte do governo não é homem. É ela (ao contrário das parceiras de Ronaldo, que são eles).

O que traz outra questão: a homofobia.

Tá, mas quem não é nada disso? Quem não é negro, mulher, homossexual, pobre?

O que fazem por quem não recebe auxílio do governo, mas não tem gordos salários? Pessoas que não têm cotas reservadas nas universidades públicas e que sofrem no orçamento para pagar uma particular.

Pessoas que não têm ministros exclusivos, políticas públicas exclusivas.

O que fazem pelo direito do resto?

Pobrema cem rezolvê

É com grande pesar que leio no Blog da Dad a confirmação da reforma da Língua Portuguesa. As alterações entram em vigor em 2009.

Acentos diferenciais e o trema serão excluídos, por exemplo. A reforma pretende aproximar os países de Língua Portuguesa e facilitar traduções de obras literárias.

Absurdo. Quer dizer então que a partir de 2009 vamos passar a ler publicações angolanas graças à aproximação propiciada pela reforma? Vamos conviver mais com os nossos amigos moçambicanos?

A única utilidade da reforma é jogar fora toneladas de publicações porque estarão com tremas e acentos circunflexos a mais, e os concursos e vestibulares poderão fazer mais pegadinhas.

No frigir dos ovos, os grandes problemas da língua não serão resolvidos:

- os mil usos do som de "s" e de "r";

- verbos irregulares (eu sei / você sabe / eu não cabo);

- o desconhecimento do uso correto da Língua pela maioria dos brasileiros.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A ajuda do roedor

Quando Tavares prova uma teoria

Lara Matim detestava acordar cedo, ainda mais em dia de chuva. Ao ouvir os berros do despertador, sentiu que tinha todos os motivos para não sair da cama.

O friozinho daquela manhã a empurrava contra o colchão. O edredom a prendia numa deliciosa preguiça. Para completar, tinha uma entediante conversa com uma cliente.

"Ela não quer se ajudar", pensou, ao lembrar da mulher presa num edifício de segurança máxima. Foram três encontros e nada de informação útil para livrá-la do processo.

Corajosamente, afastou a preguiça, engoliu um café e vestiu uma capa de chuva. Antes de encarar o frio, atendeu a uma ligação no celular. Não reconheceu o número.

Horas depois, Kil Huntler entrava numa salinha destinada à conversa dos advogados com as presas. Usava um uniforme roubado da cliente de Lara Matim. O recinto era isolado acusticamente, tinha apenas uma câmera postada numa junta da parede com o teto.

Um vidro separava a presa do advogado. O único contato era feito por um sistema de som, uma espécie de microfone, semelhante aos usados nas bilheterias de cinema.

Huntler retirou um frasco borrifador outrora utilizado por um asmático qualquer. Aproximou-se do sistema de som e borrifou um gás para o lado do advogado. Com um pano, isolou o seu lado da salinha para o gás não vazar.

Sentou-se e esperou.

Oito minutos e meio depois, uma capa de chuva adentra a salinha, deixando uma poça de água. Dois minutos bastariam para ela morrer. Huntler aguardou, pernas cruzadas, balançando o pé direito.

Um minuto e meio se passou, enquanto tirava documentos de uma pasta. Leu alguns. Três minutos depois, retirou um recipiente com tampa onde havia um rato dentro.

A assassina parou de estranhar a demora para a morte para se perguntar sobre o rato. O recipiente foi destampado. Em trinta segundos, o rato começou a se incomodar. Mais trinta segundos: tentou sair do recipiente. Debateu-se.

Ao fim de dois minutos, morreu.

A figura na capa de chuva aproximou-se do microfone, exibindo uma máscara presa ao rosto, e falou. Não era uma voz de mulher, como Huntler esperava. Era uma afeminada voz de homem.

- Você está presa, seja você quem for, por tentativa de assassinato contra Lara Matim.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

[Internacional] Mianmar não é o Iraque

Ditaduras cruéis e povos oprimidos não são novidade no cenário mundial. Do Império Romano à China do século XXI, passando pelo stalinismo, sempre houve terrorismo de Estado.

O que mais impressiona na situação de Mianmar é a postura dos países interessados em ajudar. Oras, se uma ditadura esmaga a população e impede a entrada de agentes humanitários, invadam o país! Derrubem o governo, façam o caralho a quatro. Mas ajudem as pessoas.

Na invasão do Iraque, para democratizar (?) o país, salvar (?) os iraquianos e matar os Hussein, sequer precisaram do aval da ONU. Então, qual a diferença para a antiga Birmânia?

Alguns litrinhos de petróleo?

[Futebol] Mensagem de um botafoguense para um flamenguista, quinta, 0h28

Créu. A vingança é cruel.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Meu presidente, meu herói

A vida do brasileiro é tão lascada que carecemos de heróis. Na falta de nacionais, importamos morcegos, aranhas e magnatas mulherengos.

O produto brasileiro só surge em época de eleição presidencial.

1989 Jovem, bonito, atlético. Traído pelos amigos e pelo próprio irmão. Mas o mocinho sempre vence e volta apoteótico.

1994/1998 Dada à trama que derrubou o herói anterior, solucionada apenas no século seguinte, recorremos a outro estilo. Intelectual, experiente, bem-sucedido. A novela fez sucesso, quiseram aumentá-la, mas a estratégia não deu certo e o herói saiu desgastado.

2002/2006 Cansado de almofadinhas, o povo quer alguém com a sua cara. Retirante, operário, barbudo. O pobre quer vestir terno e gravata, mas continuar simples, quebrar protocolos, montar em jegues, colocar bonés. Falar inglês sem saber a pronúncia e o significado. Aqui entra o herói para representá-lo.

2010 Radicalizar com a adolescente torturada no regime militar? Voltar ao intelectualismo? Comer rapadura? Comer cupuaçu? Comer pão de queijo?

Cenas dos próximos capítulos.

Dê-me um motivo para usar transporte coletivo e não carro

DFTV, da Rede Globo:

“ 'O metrô opera, desde 2001, com uma tarifa promocional, abaixo do preço dos ônibus. Isso porque não era um sistema de transporte eficiente como o atual. Agora buscamos melhorar a oferta de serviço, para conseguir atingir a nossa demanda esperada: 140 mil passageiros por dia. Possivelmente operando com a tarifa igual a dos ônibus, de R$3,00', explica José Gaspar [presidente do Metrô-DF]."

"Para Gaspar, os passageiros devem ocupar melhor o espaço. De acordo com ele, os vagões não são ocupados totalmente."

O sistema atual não é eficiente porque:

1 Não há integração com os ônibus, são duas tarifas;

2 Nos horários de pico, NÃO HÁ ESPAÇO PARA TODOS PORQUE OS USUÁRIOS OCUPAM TODOS OS ESPAÇOS POSSÍVEIS E IMAGINÁVEIS;

3 O metrô não chega à Asa Norte e nem às quadras 700 e 900 da Asa Sul;

4 O metrô é lento e há poucos vagões;

5 O metrô não funciona de madrugada;

6 O acesso às estações de portadores de deficiência é difícil. Em trens quase abarrotados, eles não podem embarcar.

Com a tarifa do metrô a R$3,00, somada a de um ônibus cujo trajeto é L2 norte-L2 sul (R$2,00), por exemplo, a ida e volta do percurso pode significar R$10,00.

Um Fiat Mille, 1.0 e regulado, com R$10,00 de álcool faz a mesma quilometragem.

Quando podemos massacrar um irmão

Uma grande quantidade de insanos não entendem o valor de um bem inglês patenteado pelos brasileiros (nós também pegamos coisas deles e patenteamos, mesmo sem tê-las inventado).

Trata-se do futebol. Há quem diga ser o ópio do povo, o que não passa de um disparate. Afirmar que o esporte é uma válvula de escape alienante é uma completa burrice. Futebol é uma pacífica, saudável e civilizada maneira de o homem fazer o que mais gosta: massacrar o próximo.

Em vez de jogar criancinhas do sexto andar, jogamos o rival tabela abaixo. Em vez de encarcerar parentes por 24 anos, rimos dos rivais que não conquistam títulos por anos a fio. Em vez de insinuar que um ministro de Estado possa mentir perante o Senado Federal, deduramos ao árbitro o impedimento do atacante adversário (por mais que ele jure estar em posição legal).

Pois bem. Não consigo me conter com a eliminação do Flamengo na Libertadores. Em que outras circunstâncias poderia eu, de consciência tranqüila, deliciar-me com a desgraça alheia?

Um cavalheiro, elegante, democrata

Não é o Agripino Maia nem o governador Arruda. É o semáforo.

Os motoristas devem entender que o semáforo abre para todos, ou seja, sinal verde significa que todos podem seguir.

É um balé de democracia. Seja uma Ferrari, seja um Uno Mille. Álcool, gasolina ou bi(o)combustível. Carteira recém-tirada ou velha de guerra. Todo mundo pode sair com o carro quando o semáforo permitir.

NÃO SE ACANHE. ANDE. Se todos sairmos juntos, mais pessoas passam pelo sinal, menos engarrafamento teremos.

A dama

Beijem a mão dela: a seta. Quando for mudar de faixa, de direção, fazer curva. LIGUE A SETA.

Pelo nosso futuro

Vamos melhorar o país a começar pelo trânsito e pelo português. Por que "trânsito" tem som de "z"?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

[Humanidade] Temos salvação (?)

Da Folha Online:

" 'Poderia ter matado todos e não aconteceria nada. Ninguém me descobriria', afirmou Fritzl [o austríaco que aprisionou a filha por 24 anos e fez sete filhos nela]."

Como há pessoas boazinhas no mundo, não?

terça-feira, 6 de maio de 2008

[Turismo] Um dos problemas enraizados há anos no Brasil

Há estrageiros querendo vir ao Brasil para tirar foto e bater papo com traficante. É um passeio turístico organizado no Rio de Janeiro. Mas o problema de bandido virar celebridade é mais sério do que pensamos. E vem de longa data.

A polícia precisa de acabar com o turismo na Esplanada dos Ministérios, no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto.

Morram

A Câmara dos Deputados está prestes a aprovar o pagamento de auxílio-funeral para os... os próprios deputados.

A Folha de S. Paulo informa que a família do parlamentar falecido pode receber ressarcimento de R$16500,00, tudo para cobrir gastos com os ritos fúnebres. O texto é de autoria do presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Que falta de visão da Câmara... O auxílio deveria ser concedido à população mais pobre, que morre mais: de fome, de frio, de desgosto. Pense no impacto eleitoreiro, quantos votos o petista não conseguiria? Por que não incluir auxílio-funeral no PAC?

PS 1: Deputado não precisa da ajuda. Vaso ruim não quebra.

PS 2: O senhor, presidente Chinaglia, decepciona-me. Após ver a entrevista concedida por Vossa Excelência no Correio Braziliense, com críticas ao "terceiro mandanto" e com atenção à reforma tributária, o senhor me aparece com tal estapafurdia.

PS 3: Por isso o Executivo emite tanta medida provisória. O Congresso Nacional não legisla o que interessa.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Ah, as mulheres...

Quando Tavares descobre o mandante dos assassinatos

Com os laudos das mortes de Ryan e Lílian Matim, o detetive Tavares fazia o que mais gostava: pensar. Sentado à mesa com Daniele Scarloti, comia uma bela massa feita pelo italiano.

- Dizem os peritos que apenas uma mulher poderia ter estrangulado Ryan - murmurou o policial, mais para si do que para o italiano. - Mãos de mulher.

Scarloti devorava a lasanha, furioso por manter relações sexuais com um homem. Porém, era importante satisfazer Tavares. Melhor do que virar boneca de cadeia. Tentara recolher informações para descobrir o executor dos assassinatos, mas não chegou a lugar nenhum.

- E no hospital onde Lílian trabalhava e morreu, só são admitidas mulheres, profissionais ou pacientes - retomou Tavares, trocando os laudos por documentos largados no sofá.

- As pacientes da médica estavam todas dopadas/em coma. Sem testemunhas. O que é isso, Tavares?

- Algumas informações sobre Lara Matim, a advogada criminal. Sabia que a maioria dos clientes dela são mulheres?

- Sério - respondeu Scarloti, sem muita emoção na voz.

- Então, isso resolve o crime.

Scarloti tomou um susto, engasgou com carne moída e encarou o detetive. - Descobriu o assassino?

- O mandante. Mas, sabendo quem ele é, temos o executor. Quem está por trás das mortes é Artúrio Matim. - Diante da estupefação do amante, continuou. - Não faz sentido pensar em outra pessoa que não da família. Os filhos querem a herança, o pai quer se vingar deles.

Pausa.

- Ryan trabalhava para o pai e o largou. Lara era a advogada dele. Largou. Lílian era a médica dele.

- Largou.

- Exato. E pelo estilo das duas mortes (sem rastros, de irmãos, cometidas por alguém do sexo feminino), há uma ligação entre elas. O executor é o mesmo. A executora.

Scarloti ficou interessado de repente, curioso.

- E Lara Matim tem clientes mulheres. Conforme a agenda dela, nos próximos dias, vai visitar uma penitenciária feminina. Oras, as presidiárias são o disfarce perfeito para uma assassina.

- Por exclusão, você diz que Artúrio Matim é o mandante. Francamente, Tavares, isso não comprova nada! São apenas suposições! Não há indícios, provas cabais, nada!

- Sim, querido, sim. Com a minha dedução, não levo ninguém a júri. Mas tenho o suficiente para provar minha teoria. Podemos fazer um flagrante, descobrir a executora e, a partir dela, chegar ao mandante.

- E se tudo isso estiver errado?

- Se eu estiver errado, parto do zero novamente. Mas tenho algo concreto, querido! Desvendar crimes, na vida real, é muito diferente do que lemos nos livros, nas novelas e em blogs por aí.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

[Bahia] Quantidade de ignorância

As declarações do coordenador do curso de Medicina-UFBA são pura e simplesmente aterradoras. Afirmar que os baianos têm inteligência inferior é a negação do homem.

Crer na inferioridade do próximo foi a base do nazismo. Os gregos, antes de Cristo nascer, achavam haver pessoas mais capazes que outras.

E pareciam estar certos. Temos que eliminar pessoas como o demente coordenador.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

[Poesia] Trabalhador, trabalhador

Trabalhador, trabalhador brasileiro
Que anda o país inteiro
Querendo trabalhar

Trabalhador, trabalhador brasileiro
Que rala de janeiro a janeiro
E não pode se aposentar

Trabalhador, trabalhador nortista
Que sequer tem em vista
Como trabalhar

Trabalhador, trabalhador nordestino
Condenado pelo destino
A sempre trabalhar

Trabalhador, trabalhador do Entorno
Que vive com o transtorno
De correr pra trabalhar

Trabalhador, trabalhador operário
Sem um tostão de salário
Sem ter como comprar

Trabalhador, trabalhador estagiário
Como um profissional diário
Deve trabalhar

Trabalhador, trabalhador professor
Nesse dia do Labor
Não tem o que comemorar

Trabalhador, trabalhador policial
Corre risco sem igual
Morre ou tem que matar

Trabalhador, trabalhador brasileiro
Nesse dia primeiro
Durma cedo pra cedo levantar.