segunda-feira, 30 de junho de 2008

[Trânsito] Tanque vazio

Oras, corretíssimo.

As pessoas não sabem dirigir, são distraídas por qualquer coisa e ainda querem beber? Biologicamente falando, não há quantidades seguras de álcool para um motorista. Esqueça os bombons de licor.

Não custa nada passar a chave do carro para voltar em segurança ou então beber em casa. O prazer imbecil de beber fora não paga uma gota de sangue sequer de inocentes, muito menos uma paralisia ou uma vida.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

[Aborto] O verdadeiro direito à vida

Uma menina romena de 11 anos, estuprada pelo tio, recebeu autorização para abortar.

Pena que, no Brasil, o entendimento seria diferente. Um papo furado de direito à vida da criança em gestação.

Mulheres, de qualquer idade, estupradas devem ter o direito ao aborto. E as mães de anecéfalos também; oras, como um bebê vai viver sem cérebro?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Versos alexandrinos

O mapa dos oito mares

Se tivesse olhos, Marccelo Fratelli ficaria ofuscado com aquela luz amarela. Antes de descer do topo do mastro, farejou a areia cada vez mais próxima e percebeu que as ondas começavam a quebrar não na água, mas em algo sólido, como uma praia.

O observador desceu para a cabine do capitão. James Cara-de-touro não saberia precisar a hora, mas tinha certeza de ser mais de meia-noite e menos de cinco da manhã. Aquela investida só poderia ser de madrugada.

- Aê, bovino, chegamos a...

- Alexandria – cortou o capitão.

Satisfeito, guiou para um ponto mais distante do farol e deixou o Refante aos cuidados do imediato, Màrc Pràtès, um francês meticuloso e preocupado com cada afazer. Cara-de-touro desceu ao convés e verificou se o grupo escolhido para desembarcar estava pronto. Eram sete homens ao todo: o capitão, o observador, quatro marujos (um australiano, um português – João Silva ficou no navio – e dois ingleses) e o prisioneiro espanhol.

Caminharam incontáveis minutos, talvez horas, com Marccelo de guia no escuro. Não poderia haver barulho, alarde, problemas. Os egípcios são ligeiramente temperamentais quando o assunto são as coisas deles. A biblioteca deles.

Especialistas em charadas, enigmas e esconderijos, os egípcios ocultaram o conhecimento sob uma mentira. A Biblioteca de Alexandria não fora destruída, incendiada. Quer dizer, fora, mas o conteúdo permanecera praticamente intacto.

Todo o acervo fora levado para uma câmara subterrânea abaixo da estrutura original. Um milhão de obras com tratados sobre astronomia, matemática, idiomas, cartografia, literatura. A tripulação tentou incessantemente fazer com que o capitão revelasse como ele descobriu a existência da biblioteca, mas ele apenas respondia:

- Tenho os meus informantes.

Andrew Reborn, o australiano, especulava ser uma mulher. Egípcias dariam qualquer coisa por ouro. Reborn, apesar de alto, não era o mais valoroso dos guerreiros, mas era um bom pirata por ser o único alfabetizado e falar inglês, alemão, italiano, cirílico, hebraico, grego, português, árabe e nórdico. Conhecia a capital de todos os países do mundo e as cidades mais importante de dezenas deles. Era bom de contas, de memória e raciocinava rápido. Unia a pontualidade de sua mãe, britânica, e a pentelhice de seu pai, aborígene. Na expedição, cabia a ele ler eventuais hieróglifos.

- A terra tá cada vez mais mole, chefe – avisou Fratelli.

- Então – apontando para o prisioneiro –, vá na frente.

Guillermo foi cutucado pela ponta da espada do português e, a contragosto, seguiu na vanguarda.

- Você vai deixar o desconhecido chegar primeiro, chefe? - indignou-se um marujo inglês.

- Vou.

- Vai deixar a glória para ele?

Antes da resposta de Cara-de-touro, González deu dois passos e foi engolido pela terra.

- Não – finalizou o capitão.

Se tivesse olhos, Marccelo Fratelli ficaria ofuscado com aquela luz amarela. Antes de descer do topo do mastro, farejou a areia cada vez mais próxima e percebeu que as ondas começavam a quebrar não na água, mas em algo sólido, como uma praia.

O observador desceu para a cabine do capitão. James Cara-de-touro não saberia precisar a hora, mas tinha certeza de ser mais de meia-noite e menos de cinco da manhã. Aquela investida só poderia ser de madrugada.

- Aê, bovino, chegamos a...

- Alexandria – cortou o capitão.

Satisfeito, guiou para um ponto mais distante do farol e deixou o Refante aos cuidados do imediato, Màrc Pràtès, um francês meticuloso e preocupado com cada afazer. Cara-de-touro desceu ao convés e verificou se o grupo escolhido para desembarcar estava pronto. Eram sete homens ao todo: o capitão, o observador, quatro marujos (um australiano, um português – João Silva ficou no navio – e dois ingleses) e o prisioneiro espanhol.

Caminharam incontáveis minutos, talvez horas, com Marccelo de guia no escuro. Não poderia haver barulho, alarde, problemas. Os egípcios são ligeiramente temperamentais quando o assunto são as coisas deles. A biblioteca deles.

Especialistas em charadas, enigmas e esconderijos, os egípcios ocultaram o conhecimento sob uma mentira. A Biblioteca de Alexandria não fora destruída, incendiada. Quer dizer, fora, mas o conteúdo permanecera praticamente intacto.

Todo o acervo fora levado para uma câmara subterrânea abaixo da estrutura original. Um milhão de obras com tratados sobre astronomia, matemática, idiomas, cartografia, literatura. A tripulação tentou incessantemente fazer com que o capitão revelasse como ele descobriu a existência da biblioteca, mas ele apenas respondia:

- Tenho os meus informantes.

Andrew Reborn, o australiano, especulava ser uma mulher. Egípcias dariam qualquer coisa por ouro. Reborn, apesar de alto, não era o mais valoroso dos guerreiros, mas era um bom pirata por ser o único alfabetizado e falar inglês, alemão, italiano, cirílico, hebraico, grego, português, árabe e nórdico. Conhecia a capital de todos os países do mundo e as cidades mais importante de dezenas deles. Era bom de contas, de memória e raciocinava rápido. Unia a pontualidade de sua mãe, britânica, e a pentelhice de seu pai, aborígene. Na expedição, cabia a ele ler eventuais hieróglifos.

- A terra tá cada vez mais mole, chefe – avisou Fratelli.

- Então – apontando para o prisioneiro –, vá na frente.

Guillermo foi cutucado pela ponta da espada do português e, a contragosto, seguiu na vanguarda.

- Você vai deixar o desconhecido chegar primeiro, chefe? - indignou-se um marujo inglês.

- Vou.

- Vai deixar a glória para ele?

Antes da resposta de Cara-de-touro, González deu dois passos e foi engolido pela terra.

- Não – finalizou o capitão.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Esperavam o quê?

Duas turistas paulistas foram assaltadas na Praça dos Três Poderes. Perderam R$ 700,00. A polícia afirma que não havia vigilância por ser um local deserto.

Francamente, turistas, vocês são muito inocentes. O que poderia haver lá? Deputado? Senador? Presidente da República?

É evidente que policiamento é desnecessário por onde ninguém passa.

terça-feira, 24 de junho de 2008

A prioridade nacional

Não é, mas deveria ser.

O Correio Braziliense estampa na página dois e três o que realmente importa: a reforma política. O presidente Lula iniciou um projeto para ela e, se emplacá-lo, será um dos maiores feitos como presidente da República.

Pena, apenas, que se trata de um embrião, tanto que a principal idéia da reforma é o financiamento público de campanha eleitoral.

Tá, tudo bem, pode ser. Contanto que sejam reduzidos os custos das eleições e que não haja pleito de dois em dois anos como agora.

Mas o melhor seria discutir e aprovar pontos ignorados:

- aumentar a freqüência dos congressistas. Atualmente, o parlamentar do Congresso Nacional só precisa ir a 1/3 das sessões (daí o recesso branco, os repetidos quóruns insuficientes);

- fim das votações secretas (como a que livrou Renan Calheiros da cassação);

- deixar nas mãos somente do Conselho de Ética os processos de cassação, ou seja, retirar o filtro da Mesa Diretora;

- impedir a candidatura de condenados em primeira instância.

Com isso, poderemos começar a pensar nos demais problemas do país.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Futebol total

Os nazistas usaram as idéias de um tal de Frederick Herzberg para fazer com que as pessoas trabalhassem sem parar e, assim, garantiram o crescimento da economia alemã e o aumento da produção bélica. Herzberg dizia que a motivação para o trabalho é o próprio trabalho.

Maldito. O trabalho me impede de assistir à Eurocopa.

Tudo bem, tudo bem. No fim de semana, assisti a duas quartas-de-final.

Stalin, durante a Segunda Guerra Mundial, também tinha técnicas curiosas de motivação. A ordem para os soldados era de encarar a linha de frente inimiga (leia-se, balas) e se não o fizessem, eram mortos pelos próprios companheiros. Aparentemente, a prática continua na Rússia. O que os caras correram contra a Holanda foi incrível.

Mas, laranjas, não se preocupem com a eliminação. Na América do Sul, há uma seleção cujos volantes não acertam passes como os de vocês, o centroavante não recebe bolas como o de vocês. Os jogadores não chutam a gol como os de vocês. Conformem-se.

Para vencer os espanhóis, atenção, russos! Nada de recuar e contar com o inverno, como contra Hitler. É verão na Europa. Vocês devem manter a bola, como fizeram contra os holandeses. E insistam, pois Casillas é o melhor goleiro do mundo.

PS: brasileiros, relaxem. Na Itália, o técnico escala QUATRO volantes no meio-de-campo. E os laterais não sabem atacar, como os de vocês.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ao prisioneiro, as batatas

O mapa dos oito mares

- Você é um péssimo descascador de batatas.

- Deve ser porque o salário aqui é péssimo.

Havia duas preocupações na cabeça de Vítor Hugo Metallion. A primeira, consertar o serviço porco que o prisioneiro do Refante fazia com as preciosas batatas. A segunda, não menos importante, era encontrar um apelido adequado para uma velha sebosa e modorrenta do Porto.

Vítor Hugo não era o melhor dos cozinheiros franceses nem pretendia ser. Tudo o que queria era fazer a comidinha diária e ler romances à noite. Não tinha prazeres específicos. Apreciava um bom rum, um bom gim, a carne mais gordurosa disponível e mulheres.

Não era casado. Divertia-se com mulheres fáceis e apaixonava-se pelas princesas. Sempre havia um rabo-de-saia para ele na Ilha dos Amores, mas o coração do francês era dedicado, verdadeiramente, ao sangue azul feminino. Depois de uma conta rápida, constatou que nutre um amor platônico por 14 princesas, simultaneamente. No resto do tempo, dedicava-se a rezar a um santo, que assumia a forma de cão, e a defender a existência de um fantasma, o capitão Almeida, morto a uns trezentos anos, traído pelos próprios marujos.

- Quer dizer, então, que o tesouro do Illerocep ficou para trás – o prisioneiro, Guillermo González, tentava puxar assunto, ambos sentados na cozinha do Refante, à luz de uma tocha.

- Ah, ficou. Cara-de-touro detesta dinheiro. Volta-e-meia diz: “não como dinheiro, não bebo dinheiro, não levo dinheiro para a minha cama”. A ordem é trazer alimentos e mulheres, se houver.

- Pensei que haveria prisioneiros.

- Não, ele prefere matar os homens. Ele diz, e eu concordo, que homens são bichos muito sujos, desprezíveis mesmo.

- Então por que ele não me solta? Ou me mata logo.

- Porque você é espanhol, o único no navio. É sempre bom ter alguém que fale todo o tipo de idioma – ele encarou a amarelitude do tubérculo à sua frente, pensou e decidiu continuar. - Olha, não é por nada não, mas eu acho que o Cara-de-touro vai aprontar algo. Ele não invadiria um navio só para obter comida, é muito arriscado. Muito melhor é saquear um comerciante indefeso. O Illerocep tinha algo que o capitão queria. E conseguiu, pela cara de satisfação dele. De lambuja, afundou um concorrente.

- E pode ser o quê?

- Não sei, mas o capitão é ambicioso e capaz. Ele levou este navio para lugares inimagináveis e conquistou muita coisa mais valorosa que dinheiro. No Refante há coisas das quais até o São Cão duvida.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

As vontades dos deuses

Antes considerada divina, a família real japonesa perdeu o status quando admitiu a rendição perante os Aliados na Segunda Guerra Mundial.

Mas eu acredito na condição de sagrado de todo o povo japonês.

Apenas deuses e semideuses erguem, em tão pouco tempo, um país após duas bombas atômicas. Apenas divindades erguem o país dos outros, como fizeram, no Brasil, os imigrantes nipônicos.

Os deuses deles fazem viagens diplomáticas, negociam acordos. Pena que por aqui isso não é possível.

Que Deus é brasileiro, eu sei, mas ele não se candidata a presidente, não. A política é suja demais para Ele.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A safra é boa como sempre

Não é à toa que temos um técnico como o Dunga. Em mais um domingo de mesas redondas compostas por comentaristas quadrados, escutei o seguinte:

- A safra de jogadores brasileiros não é tão boa como nos últimos anos.

Ah, não?! Segue abaixo uma listinha de jogadores que a Seleção sequer convoca ou não escala devidamente. Em negrito, os meus preferidos.

* Goleiros (para a reserva do ótimo Júlio César)

Diego Alves (Almería)
Felipe (Corinthians)
Cássio (PSV)
Bruno (Flamengo)
Diego Cavalieri (?)

* Laterais (Fora, Maicon!)

Daniel Alves (Sevilha)
Marcelo (Real Madrid)
Rafinha (Schalke 04)
Leonardo (ex-Portuguesa)
Cicinho (Roma)

* Zagueiros (para a reserva de Lúcio e Juan)

Alex Silva (São Paulo)
Thiago Silva (Fluminense) - o melhor zagueiro do Brasil
Breno (Bayern de Munique)
Alex (Chealsea)
Miranda (São Paulo)
David Luiz (Benfica) - o melhor zagueiro sub-23

* Volantes

Hernanes (São Paulo)
Ramires (Cruzeiro)
Lucas (Liverpool)
Anderson (Manchester United)
Pierre (Palmeiras)
Arouca (Fluminense)
Elano (Manchester City)
Denílson (Arsenal)

* Meias (sem falar de Kaká e Ronaldinho)

Alex (Fenerbahçe) - convoquem-no pelamordedeus!
Mancini (Roma)
Thiago Neves (Fluminense)

* Atacantes (a dupla atual me agrada)

Washington (Fluminense)
Adriano (Inter de Milão)
Alexandre, o Pato (Milan)
Nilmar (Internacional)

Qual seleção no mundo tem tantas opções?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Dia de todos os demônios

Hoje os seres mais asquerosos, modorrentos e vis do universo se manifestam plenamente. A maldade sobe ao máximo, o perigo redobra-se.

Cuidado. Há precaução.

1 No caso de ser atacado por republicanos americanos (McCain e Bush, por exemplo), vote em Barack Obama.

2 Se repreendido por nazistas católicos (que, aliás, reúnem-se com os citados republicanos), desobedeça.

3 Se atacado por comunistas, cubanistas, castristas, sovietes e afins, jogue na cara deles a atuação de um certo Raúl.

4 Se o problema for cachorros raivosos, seja um pioneiro: monte um exército, a guerra é iminente.

5 No caso de vampiros e mordidos, converse com um especialista.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O observador

O mapa dos oito mares

O observador do Refante, Marccelo Fratteli, provocava a curiosidade de todos que conviviam com ele. Dotado de estupidez e de vulgaridade ilimitadas, Fratteli era curiosa e paradoxalmente tranqüilo, prestativo e, alguns arriscam, sensível.

Fugia ao estereótipo do observador: o pirata do “terra à vista!”, burro, fétido e seboso. Primeiro porque se interessava por histórias. Não sabia ler, mas aprendia com os outros.

O segundo contraste era o quanto Marccelo, natural de Florença (Itália) podia ser asseado, ainda mais se prestes a encontrar uma garota.

Por fim, a Fratteli faltava algo que todos os observadores tinham. Olhos. O direito perdeu em uma aposta, aos 16 anos. O esquerdo perdeu aos 22 para uma mulher, ligeiramente furiosa ao saber ser a amante número 26.

Foi relegado ao marasmo do Refante, incapaz de lutar, limpar, vigiar. Inconformado, ateve-se a cada oportunidade de desenvolver habilidades novas. Mapeou na mente cada centímetro do navio, decifrou cada tom de voz dos companheiros e tornou-se em um especialista em vinhos e aromas.

Superando a inabilidade dos demais observadores, percebeu a diferença de odor entre as praias de diversos lugares do Mediterrâneo, da costa norte africana, da Índia e de uma terra distante a oeste. Numa disputa em que apostou a narina esquerda, ganhou o cargo de observador e um olho de ouro (usado) que preferiu não vestir. A expressão medonha, quase cadavérica, era útil em combates.

Como na invasão do Illerocep. Marccelo farejou o medo de João Silva. E o sangue que jorrou das costas do quase algoz quando o atravessou com a espada.

Soa o chamado-mugido de Cara-de-touro. Hora de voltar.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Revolução sufocada

No Brasil, ganha alarde o que não merece. Oblitera-se o que precisa de ser mostrado.

Pouco se fala do julgamento no TSE, que decidiu se candidatos têm que ter ou não ficha criminal limpa para concorrer às eleições. Ganhou o "não".

Você é acusado de estupro? Candidate-se. Acusado de peculato? Candidate-se. Estelionato, então, nem se fala. De repente, você consegue foro privilegiado, olha que legal.

Apenas condenados em última instância estão inelegíveis. Oras, sabemos da lentidão da Justiça brasileira. Como bem colocou o ministro do TSE Joaquim Barbosa, configura-se a impunidade.

Certamente, acusados podem ser inocentes. Mas, na dúvida, em matéria eleitoral, são culpados até provarem o contrário.

Depois de postado: Lembro que o voto de Joaquim Barbosa defende que sejam inelegíveis os condenados em primeira instância, ou seja, não meramente culpados.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Planeta dos cãezinhos

Às armas, humanos. Se não quiserem inverter os papéis e deixar o filé para ficar com o osso, preparem-se.

O clima está tenso, há exemplos de agressões mútuas.

Um rapaz é acusado de espancar um poodle no DF.

Catarina, a cadela (in)domada, comanda a resistência canina. Totó Evsky, o cãozinho suicida, figura como mártir inimigo.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Carta de desamor

Minha cara,

não, eu não rio da sua cara, não tenho esse tipo de tara. A questão é que "o tempo não pára" e toda ferida sara. A gente se prepara e vê que não ama a quem amara.

Quando te vi ali mal percebi que revivi. Bom te ver, bem te vi, mas, como você queria, não estou aqui.

Acabou.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O que Cara-de-touro quer

O mapa dos oito mares

A primeira coisa a cair com o ataque do Refante foi o mastro do Illerocep. A segunda foi João Silva, amarrado ao mastro.

Onde um segundo atrás nada havia, passou a ter um navio com 26 metros de comprimento. A chuva de balas de canhão seria bonita se não provocasse uma carnificina. O silêncio dos mares foi trocado por uma gritaria pornográfica, a maresia contaminou-se com pólvora e fumaça.

Surpreendidos, os marujos do Illerocep tentavam se organizar, mas, indevidamente armados, eram presas fáceis para as espadas inimigas. Os refantes preocupavam-se em eliminar o maior número de inimigos. Alguns sequer tiveram tempo para entender a invasão. Outros pularam na água, mas morreram na mira de revólveres. Uma parcela pediu clemência, ajoelhou, e a maior misericórdia recebida foi uma morte rápida.

Sob a supervisão de uma gorda sombra, com um anel de boi no nariz, os refantes recolhiam a vela do Illerocep, um pedaço de pano amarelado, esburacado pelas traças.

- O ouro! - berrava Illerocep. - Guardem o ouro!

O navio invadido carregava quilos e quilos de ouro, jóias e todo tipo de pedra preciosa, resultado de um saque mal-feito, mas milagrosamente bem-sucedido. Rapidamente, os sobreviventes desceram para barrar o acesso ao tesouro.

Aflito, Silva procurava por um companheiro salvador. Teve inúmeras oportunidades de morrer cortado, baleado, pisoteado. E afogado, pois o casco do Illerocep fora perfurado pelas balas de canhão. A água minava impiedosamente, estava à altura dos tornozelos, o suficiente para cobrir o nariz de um amarrado deitado de bruços.

- O ouro! - berrava Illerocep. - Icem o ouro!

Com o fundo do navio submerso, o tesouro foi levado para o convés por nove homens, três caixas. Em seguida, os tripulantes restantes ficaram em volta dele numa fortaleza humana.

Exceto por um pirata sem nariz, com um corte no braço jorrando sangue. Ele encarou João Silva, inerte de medo, sem reação, sem defesa. O prisioneiro fechou os olhos, ofuscado pelo brilho do sol na espada da morte, e esperou a guilhotinada.

Quando o salvador apareceu.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Negação do homem como homem

Satisfeito pelo fim do expediente, à noitinha, ele dirigiu até a Esplanada dos Ministérios. Parou num semáforo.

Poucos metros à frente, um homem, maltrapilho, aproximava-se. O motorista praguejou, não queria ouvir pedido de esmola.

O homem emparelha e diz:

- Eu sei que o senhor não é mal. Dá um dinheiro pra eu comer, que não vai faltar pro senhor.

Aborrecido, o motorista pegou a carteira para repassar uma ou outra moeda. Quando o sinal abriu.

(Arrancando com o carro) - Olha, eu não vou poder...

- Pode jogar. Pode jogar no chão.

O motorista ficou simplesmente estarrecido, surpreendido pela súplica. Não jogou a moeda porque não teve reação diante de tal pedido.

E imaginou como seria jogar algo no chão e ver, pelo retrovisor, um ávido pobre recolher qualquer coisa.

O melhor lugar do mundo

Cinqüenta anos de TaguaYork Rock City Unlimited.

Taguatinga tem os mais belos encantos do Distrito Federal.

A praça do DI, melhor ambiente de bares para assistir aos jogos de futebol.

O bar do Jessé, melhor bar chulo (e melhor pizza chula).

A Associação Portuguesa, melhor clube decadente.

O Brasiliense Futebol Clube, o melhor time inventado e a melhor maneira esportiva de esconder falcatruas.

O Nu Céu, o melhor Nu Céu da cidade e a melhor maneira de perturbar os vizinhos.

E os blogueiros mais inteligentes, divertidos e interessantes.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Todas as metáforas do presidente

"Vejo, com indignação, que muitos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão".

Escrevi, há alguns dias, que Lula é tudo o que o brasileiro pobre quer ser: um jeca galante com carta branca para transitar na fineza e agir com tosqueza.

Mas não é que o presidente está mais e mais culto?

No discurso proferido ontem, para a ONU, nada de metáforas sobre o Corinthians. Ah, então sobre o Manchester United, campeão europeu de futebol, o fiel leitor indagaria.

Não, o requinte é muito maior.

De "eu e o Palocci somos unha e carne" e "o Estado nada mais é que uma mãe, e a mãe sempre vai dar atenção ao filho mais fraquinho", o Lulinha Paz, Amor e Letras foi para:

"De que adiantará produzir se os subsídios e o protecionismo tolhem o acesso aos mercados, mutilam a renda".

"É evidente que o etanol do milho só consegue competir com o etanol da cana quando é anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias".

"Há quem diga que o etanol é como o colesterol: há o bom etanol e o mau etanol. O bom etanol ajuda a despoluir o Planeta, e é competitivo. O mau etanol depende das gorduras dos subsídios".

"O etanol não é apenas um combustível limpo. É também um combustível que limpa o Planeta enquanto está sendo produzido".

terça-feira, 3 de junho de 2008

Vemos crescer candidatos à marginalidade

Professores exigem apuração rápida da agressão sofrida por um colega em Ceilândia (DF). Um aluno espancou o mestre.

O ensino nacional é deficiente em todos os sentidos, da mentalidade à prática. Não faltam condições de trabalho somente; falta planejamento, visão e vontade política.

Fala-se muito de cotas em universidades, ProUni, reitores. Isso não importa agora. Vamos começar de baixo.

Precisamos de concentrar os recursos no ensino fundamental e formar um exército do saber. Transformar as crianças em leitoras ávidas e calculadoras ágeis, socialmente interessadas. Num segundo momento, é preciso investir no ensino médio para termos adolescentes curiosos e amadurecidos.

Construída a base, aí sim pensemos no ensino superior. Os vestibulandos teriam condições iguais de digladiar pelas vagas públicas, conforme o conhecimento, sem depender das melaninas.

A universidade não pode se expandir. O ensino superior não é para todos, mas para um grupo intelectual seleto, privilegiado pelo esforço. Não precisamos de centenas de advogados e jornalistas, mas de centenas de técnicos, engenheiros, professores, poliglotas e médicos.

Ao pensar hoje nos menores, eles não vão agredir professores daqui a quinze anos.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Há mais nas entrelinhas

Episódios como a tortura dos jornalistas de O Dia, no Rio de Janeiro, são a cereja podre de um bolo crescente e estragado.

Quantos profissionais da imprensa sofrem perseguições nos confins do país? Quantas barbáries deixam de ser conhecimento público?

Sem falar de ameaças, pressões, péssimas condições de trabalho a que jornalistas são submetidos todos os dias pelo poder privado, público e/ ou paralelo. E pelos próprios chefes.