quinta-feira, 31 de julho de 2008

O conhecimento é infinito

O mapa dos oito mares

Estupefato e arfante, Guillermo González ficou imóvel por alguns segundos, com a faca na goela de Marccelo Fratelli. O italiano mal respirava com receio de o movimento dos pulmões forçarem a lâmina contra a pele.

Então, frustrado, o espanhol baixou a faca e empurrou o refém para frente, como se se livrasse de algo asqueroso.

- Piratas miseráveis - murmurou ao ir em direção à luz da tocha acendida por Dan. Cauteloso e amedrontado, Fratelli seguiu-o a distância segura.

Sem dar atenção aos recém-chegados, James Cara-de-touro parou na escuridão.

- Reborn, a partir daqui você guia. Fratelli, ache a saída.

Antes de alguém perguntar como andar na escuridão, por mais que a tocha brigasse com ela, o capitão tomou o fogo de Dan e aproximou-se de algo similar a uma parede. Baixou a chama como quem acende um cigarro e tocou o sólido.

A chama pareceu ganhar vida, pois correu em diversas direções, em linha reta, como uma cobra. A cada passo do fogo, a Biblioteca se iluminava mais. A chama só parou ao varrer o último centímetro de pólvora na parede.

- Tome caso precise - o capitão jogou a tocha para Fratelli cumprir a ordem e encarou Reborn. O australiano seguiu a frente, atento como um detetive. - E o mais importante, animais - alertou Cara-de-touro. - Não toquem nos livros.

Vagaram os seis, com González insatisfeito e sem opção. As atenções voltaram para Reborn, que assumiu feição interessada perante as estantes.

- Hipócrades, Asclépio - murmurava para si mesmo ao passar numa seção -, Demócrito, Aristóteles - mudaram de estante. - Meu deus ateu... O desconhecimento, de Sócrates. Mas Sócrates não deixou registros escritos da sua filosofia...

- Cartografia, Reborn - lembrou o capitão. - Cartografia.

- Nabucodonosor, os originais de Lucas e Mateus, Sun Tzu... As crônicas de Artur, por Derfel Cadarn, tradução do saxão para o inglês... Mas esse lugar é incrível...

Andaram por horas, sem notícias do observador. González estava impaciente, Cara-de-touro curiosamente despreocupado e os demais aterrorizados. A Biblioteca tinha livros a perder de vista, estantes e mais estantes que iam até a escuridão do teto. Um perfeito labirinto literário.

- Chefe, deixe-me levar alguns - pediu Reborn, sem tirar os olhos das obras.

- Quando acharmos o que interessa, pode pegar quantos você quiser.

- Mas eu quero... Agora...

- Aguarde. Quando violarmos esse lugar, os guardas despertarão.

- Que guardas? - Doug, o segundo inglês. A tentação da pergunta era maior que o temor da resposta.

- Os mortos.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A mão estranguladora do mercado

O fracasso das negociações na OMC revela a hipocrisia e ignorância dos governantes e, conseqüentemente, do povo que os apóia.

No sistema capitalista, adotado até mesmo pela China (!), os preços, a oferta, a demanda seguem a mão invisível do mercado, metáfora adotada por Adam Smith para explicar que o mercado se ajusta naturalmente, chega ao equilíbrio sem interferências. Logo, protecionismo e subsídios estão fora de questão.

Mas europeus e americanos pisam nas próprias concepções e, movidos por egoísmo e burrice, emperram o mercado, impedem o desenvolvimento dos miseráveis e, como se não fosse o bastante, massacram o ambiente.

Sem consenso, as decições importantes ficaram para a próxima reunião. Em busca de avanço imediato, o Brasil aceitou flexibilização nas negociatas e por isto foi criticado por Índia e China.

Mas a posição brasileira é correta. Entre algum passo adiante e nada, demos o braço a torcer, demos o exemplo para exigir das demais nações. Parabéns para o sério Celso Amorim, ministro desde o primeiro dia de Lula como presidente.

Só não vá quebrar a minha cara, ministro, em escândalos de corrupção.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Quando sabemos da fidelidade do leitor

É quando eles compreendem a falta de inspiração.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Os lados e o meio olímpico

Os mais velhos têm muito a aprender com os mais jovens. O meio-campo e as laterais da seleção olímpica são melhores que os da seleção principal.

Maicon, o lateral-direito do time de cima, é desengonçado e sem a mínima qualidade para cruzar a bola. A única vantagem sobre o habilidoso e incisivo Daniel Alves (e o olímpico Rafinha) é o porte físico, mas não queremos maratonistas para a Seleção.

Na esquerda, Marcelo é escandalosamente melhor que o lento e moroso Gilberto. O madridista, se não tem vocação defensiva, como o atual lateral-esquerdo, é melhor no ataque.

No meio, mais gritantes discrepâncias. Mineiro e Josué não são jogadores para a Seleção e a fase de Gilberto Silva passou. É hora de Lucas e Anderson como titulares e Hernanes como opção. Com aqueles, não temos saída de bola e presença no ataque. Com esses, a bola chega no ataque, temos criatividade e mais vigor, e contamos com os dribles de Anderson e as cobranças de falta de Hernanes.

O cerne do problema, contudo, é inerente a ambos os escretes. O treinador.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Cartada do morcego

Assisti ao Batman - the dark knight. Gostaria de fazer o trocadilho "não assisti ao Batman, assisti ao Curinga", mas não posso.

Os componentes do filme são ótimos, não só o antagonista. Ledger faz um vilão inimaginável, palpável, coerente (?), maníaco (!), mas não ofusca a elegância de Alfred, o estilo de Wayne e, não esqueçamos, o brilhantismo de Harvey Dent e o bigode do comissário Gordon.

Comecemos pela cereja do bolo. Impecável, o Curinga. Cicatrizado, maquilado, demente, inteligente. O personagem propicia excelentes diálogos e surpresas. A inquietação da língua e dos olhos contrasta com a tranqüilidade da fala. O engenhoso assalto a banco, a troca dos reféns pelos palhaços, o jogo dos navios e os detonadores. Perfeito e coerente. Como o Curinga financia bazucas, caminhões, dinamites? Com dinheiro roubado, muito mais factível que a interminável fortuna de Bruce Wayne, único defeito do Batman.

Não sou cinéfilo nem acompanho HQs, mas em uma busca rápida, não encontrei um vilão a altura do Curinga de Ledger e Nolan. O Duende Macabro (Homem-aranha), personagem semelhante, fica no chinelo. O Lex Luthor do famoso Smallville nem se fala.

A inteligência de Lucius Fox e o efeito especial no rosto de Harvey Dent também se destacam, junto com o ativo Gordon, diferente do policial insosso que eu esperava. Para completar, sutilmente, o prisioneiro que se livra do detonador em vez de matar centenas de civis em troca da própria pele.

Contra, apenas detalhes. A insistente moeda de Dent/Two-faces prejudicam o grande personagem e o grande ator. O instinto faraônico do diretor: o Curinga assaltou um banco, explodiu um hospital, quase dinamitou dois navios, virou um caminhão de ponta-cabeça pela frente, atirou uma moça de um telhado, matou agentes políticos, policiais, civis, mafiosos, e sobrou tempo para o Batman prender um grupo de fãs que o copiavam como justiceiro.

Há ainda o executivo chinês, Lau (sim, há chineses na história, esqueceram?), e a desnecessária máquina dos celulares. Chega. Coisa demais para um filme só.

Fiquemos com a interpretação de Ledger, que, se não se repetirá, pelo menos ficará imortalizada com a morte do ator, sem riscos de ser manchada por eventuais fracassos dos próximos filmes. Fiquemos com a certeza de que o Two-faces não retorna. Eu sei que se trata de ficção, mas se Dent sobrevive à queda que sofreu, perde a graça.

E depois de um filme inteligente, que nos deixa diferente de quando entramos no cinema, vamos para um hollywoody. A múmia 3.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Chantagem espanhola

O mapa dos oito mares

- Podem descer!

Os piratas fincaram uma espada na areia para amarrar a corda e encontrarem Marccelo Fratelli e o prisioneiro espanhol. Foram um a um para não exceder o peso.

Breu. Impossível ver a ponta do nariz, enxergava-se mais de olhos fechados. Cara-de-touro calculou a altura de sete a nove metros. O chão estava coberto com uma fina camada de areia em certos pontos e montes mais fofos em outros. Se o espanhol caiu numa área de areia fina, quebrou uma perna.

- Onde está você? - Cara-de-touro. Ninguém respondeu. - Fratelli? - Silêncio.

- Italiano maldito - rosnou o português, com frio na espinha. - Apareça.

- Tô aqui - respondeu em voz trêmula, a poucos passos.

Um dos ingleses acendeu uma tocha que trouxera. Brandiu-a de um lado a outro na tentativa de encontrar o observador. Logo deu de cara com ele.

Tomaram um susto. Fratelli apertava as pálpebras contra as órbitas vazias, suava frio. A chama mostrava apenas o rosto dele, um braço em torno de seu pescoço e uma faca contra a garganta. Era González.

- Soltem-me, ou mato o seu observador - quando caíra, Guillermo ficara atordoado, mas não se ferira. Aproveitou a oportunidade para render um marujo no escuro. Quando Marccelo desceu, tateou até encontrá-lo e ambos brigaram no breu. O espanhol tomou a faca e ordenou que o italiano chamasse os demais para baixo.

- Vamos, larguem as armas.

Os marujos esperaram a atitude do capitão. Cara-de-touro encarou o prisioneiro e deu-lhe as costas.

- Deixem os dois namorando. Há um livro para tomar emprestado.

- Chefe! - Fratelli. - Ele vai me matar! - os demais seguiram Cara-de-touro, perplexos.

- Capitão - Andrew Reborn, afoito -, não podemos sair daqui sem Fratelli.

- Mate-o, espanhol, mate-o se tem coragem! - gritou o capitão, sem olhar para trás e sumindo na penumbra. Os marujos o seguiram e deixaram o observador desesperado e o prisioneiro embasbacado.

- Capitão, precisamos de Fratelli! - insistiu Reborn.

- O espanhol nada vai fazer, é um blefe. Ele quer ser solto? Oras, já está, não o acorrentamos. Como ele vai sair daqui sem nós? Vagará sozinho pelo Egito? Venha, Dan, ilumine o caminho. Reborn, procure a seção de cartografia.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Lista de candidatos com ficha suja da página da AMB

Não vote neles nunca.

Note que a lista do Maluf é sete vezes maior que a dos demais.

http://www.amb.com.br/portal/ambdebate/todos_can.asp

O nirvana do jornalismo

Atacado, menimo morde pitbull para se defender em Sabará (MG)

Colaboração para a Folha Online

Um menino de 11 anos mordeu um cachorro da raça pit bull após ser atacado em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), na tarde de terça-feira (22). Segundo o Corpo de Bombeiros, o garoto brincava no quintal da casa do tio quando o cão, que estava preso a uma corrente, avançou e mordeu seu braço.

Assustado, o menino gritou por socorro, mas não foi prontamente atendido. Para se defender, cravou os dentes no cão. Devido à força da mordida, um de seus dentes se soltou e ficou preso à pele do animal.

Pessoas que passavam pelo local ajudaram a separar o pit bull e o garoto, que foi encaminhado a um hospital. Ele foi medicado e liberado ainda na terça-feira.

O cachorro foi encaminhado ao centro de zoonoses da cidade, onde ficará sob observação.
Atacado, menimo morde pitbull para se defender em Sabará (MG)

Colaboração para a Folha Online

Um menino de 11 anos mordeu um cachorro da raça pit bull após ser atacado em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), na tarde de terça-feira (22). Segundo o Corpo de Bombeiros, o garoto brincava no quintal da casa do tio quando o cão, que estava preso a uma corrente, avançou e mordeu seu braço.

Assustado, o menino gritou por socorro, mas não foi prontamente atendido. Para se defender, cravou os dentes no cão. Devido à força da mordida, um de seus dentes se soltou e ficou preso à pele do animal.

Pessoas que passavam pelo local ajudaram a separar o pit bull e o garoto, que foi encaminhado a um hospital. Ele foi medicado e liberado ainda na terça-feira.

O cachorro foi encaminhado ao centro de zoonoses da cidade, onde ficará sob observação.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Uma bússola para Brasília

A rosa dos ventos da capital federal murcha.

O Governo do DF vai começar em Setembro a construção do Setor Noroeste, mais um setor de gente rica.

Administrações brasileiras gastam com novos empreendimentos sem aperfeiçoar os existentes. Águas Claras é um bairro inacabado, o recente Setor Sudoeste tem problemas de tráfego. Regiões Administrativas como São Sebastião, Sobradinho e até mesmo a mais bem favorecida Taguatinga sofrem com criminalidade, escolas precárias e hospitais sucateados. A Estrutural não tem estrutura.

Vamos construir mais bairros? Vamos atrair mais gente para o DF? O presidente da Terracap diz que o Noroeste trará apenas 40 mil pessoas. Oras, Brasília deveria ter 500 mil. Hoje o DF tem 4 milhões.

Os números iniciais do Noroeste vão se tornar quanto?

E não adianta argumentar com as atuais obras do GDF, elas não solucionam o problema. A EPTG terá mais vias, mas elas afunilarão na altura do Guará e na entrada dos eixos do Plano Piloto. A via Estrutural, na aurora e no crepúsculo, tem 6 (seis!) faixas em sentido único. Mas isso não resolve o problema do trânsito porque as seis afunilam em três no Viaduto Ayrton Senna.

A solução é batida, mas é a solução: gastar com o metrô, descentralizar a administração federal do Eixo Monumental e investir em saneamento básico, educação, saúde e segurança do que existe e esquecer sonhos faraônicos.

Para não ficarmos sem norte, sem eira nem beira.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Volta

Estive uma semana em Minas Gerais.

A partir de amanhã as postagens retornam normalmente.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Não vote

Enquanto o Executivo paga mal os servidores, enquanto falta pessoal no Judiciário, enquanto a inflação sobe, enquanto os professores ganham piso salarial de R$ 950,00, enquanto o salário mínimo não banca a cesta básica...

O Senado gasta R$ 12 milhões com a contratação de assessores não concursados. E ninguém precisa de autorizar, sequer passar pelo Plenário. O Legislativo aumenta o próprio orçamento, joga fora o Princípio dos Pesos e Contra-presos.

Não vote em Efraim Moraes, Álvaro Dias, Magno Malta.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tire o Hommer do sofá

Atenção. Muita calma nessa hora! Pare tudo. As noites de segunda a sábado podem mudar para você.

Ontem e anteontem, o Jornal Nacional mostrou imagens exclusivas sobre a Operação Satyagraha. O Ministério da Justiça, primeiro superior da Polícia Federal, quer saber quem vazou as informações. O ministro Tarso Genro isentou a imprensa (a TV Globo) de culpa, disse que o jornalista deve, sim, buscar o furo. E está correto. O interessante vem agora.

Bonner, William. O chefe do principal telejornal do Brasil, a segunda maior audiência da televisão brasileira. Trinta e tantos anos no ar. Confira as palavras do apresentador após a exibição das preciosas imagens:

"As razões que levaram a TV Globo a ser a única a acompanhar com imagens a operação da Polícia Federal foram as mesmas que a fizeram obter uma entrevista exclusiva com Ingrid Bettancourt, ontem: trabalho árduo, credibilidade e acesso a múltiplas fontes de informação na sociedade e nas três esferas do poder público.

O ministro da Justiça está certo quando fala na busca pelo furo e pela informação em primeira mão. Em benefício de nossos telespectadores, nosso compromisso é exatamente este. Sobre a sindicância que será aberta, a TV Globo não se manifesta, mas antecipa apenas que fará valer sempre o que está disposto no Inciso 14, do Artigo 5° da Constituição: 'É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional'."

Fiel leitor, não acredite. Balela.

A TV Globo consegue informações privilegiadas por dois motivos principais: poderio econômico e poderio de divulgação. Quem passa algo para jornalista global quer que o algo seja amplamente divulgado (a Globo atinge mais de 95% do território nacional).

A Ingrid Bettancourt quer falar para a TV Chinfrim? Para a RedeTV? TV Brasil?

As fontes nas três esferas do Poder Público não são as que julgam a TV Globo, legislam sobre comunicação social, concedem sinal de transmissão? E exatamente donas de retransmissoras da TV Globo?

As múltiplas fontes são múltiplas? Com quantas pessoas um repórter fala para confirmar uma informação se ele tem menos de 24 horas para entregar uma matéria?

Quem são as múltiplas fontes? A TV Globo contou para você a metodologia das matérias? Contou com quantas fontes falou, a procedência das fontes e o motivo de ocultar os nomes?

Todos somos importantes

Quando o presidente Lula viaja para a África, para o Vietnã ou para a Conchinchina, logo aparece um cidadão para criticar a investida com o argumento "qual a importância do país tal para o mundo?".

Oras, tal preconceito, arrogância e prepotência caracteriza país desenvolvido. É a visão, por exemplo, da maioria do G-7 em relação ao Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e do Conselho de Segurança da ONU em relação às nações subdesenvolvidas postulantes a vagas permanentes no Conselho (Brasil novamente, entre eles).

Viajar para o Vietnã é importante, sim. Acordos bilaterais com todo o tipo de país fortalece as nações e suas imagens, aproxima os povos, valoriza o humano. Desprezar o vietnamita plantador de arroz e valorizar o americano playboy corresponde ao pensamento ultrajante que cai sobre os negros, as mulheres, os pobres.

A velha e imortal negação do homem como homem.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Do abade à escrava

O mapa dos oito mares

Enquanto os marujos arfavam de susto com o sumiço do prisioneiro, James Cara-de-touro, tranqüilo como quem amarra uma corda de pular, envolveu Marccelo Fratelli pela cintura com uma corda grossa.

- Nós vamos içar você pelo buraco – explicou o capitão. - Imagino haver uma grande queda até o chão da biblioteca, cuidado. Procure pelo González e veja como ele está, o que ele viu.

- E se houver outras armadilhas, chefe?

- Desarme-as para nós.

Com os pés fincados na areia, os demais desceram Fratelli pelo buraco, lentamente, e esperaram. Passaram-se vários minutos sem ouvir nada além do vento.

- E se o bicho pegar, chefe? - perguntou o português.

- Aí a gente dá no pé – respondeu um dos ingleses.

- Aí a gente desce – retrucou o capitão.

Nada o impediria de alcançar o objetivo. Foram anos para reunir o que precisava: o verniz de Champingnon, a vela do Illerocep e a localidade da Biblioteca de Alexandria. Só faltava o mapa.

Descobrira a Biblioteca por meio de uma escrava egípcia que comprara, por acaso, no mercado de Istambul. Bonita, submissa, de uma cultura diferente. O que seria bom divertimento, virou fonte de informações. Um porre de vinho francês fazia qualquer mulher fazer e dizer qualquer coisa.

Deborah, o nome dela. Fugira do Egito rumo ao Oriente Médio, mas o sonho de libertação acabou no Mar Vermelho, presa por saltimbancos. Mas estava satisfeita. Se fosse capturada pelos compatriotas, no mínimo, teria a língua cortada e as mãos decepadas para não contar o destino da Biblioteca queimada, onde trabalhara como bibliotecária.

Exatamente onde estava o mapa. Um certo abade Faria, antes de ser injustamente preso, contara-lhe do mapa, contara-lhe que Alexandre, o Grande, utilizara-o nos sucessos militares. Mas o mapa estava condenado às chamas da Biblioteca, sem recuperação.

Quem diria que Deborah, uma escrava gostosinha e ignorante, daria ao mapa um novo sentido, uma nova utilidade, um novo comandante.

terça-feira, 8 de julho de 2008

João não é João Ninguém

O depoimento do pai de João Roberto, o menino de três anos assassinado por policiais no Rio de Janeiro, embarga a voz, mareja os olhos, dispara o coração de quem assiste. Não há pedido de desculpas do Estado que conforte a família.

Porque isso é tragédia anunciada, repetida, batida. João Hélio, a criança morta por bandidos no ano passado, também foi desamparado pelo Estado, o que não protegeu João Roberto. Enquanto isso, a corrupção esbalda-se com dinheiro público, vide a operação João de Barro.

O atacante Mané Garrincha chamava os adversários que driblava de "João" pela dificuldade de pronunciar nomes estrangeiros. Qualquer um era João, qualquer um era ninguém, apenas um derrotado, superado, esquecido.

Pena que logo João Roberto, como João Hélio, será um João como os de Garrincha.

PS: População brasileiria idiota e ignorante, por que não sitiar os policiais algozes como fizeram com os Nardoni?

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Mais uma prova da superioridade do Distrito Federal

Lamento, moradores dos estados, mas no DF não há eleições municipais. Não gastamos milhões com o pleito e não vemos nossa cidade suja com propaganda.

Taguatinga tem cerca de 200 mil habitantes. O que não significa que precisamos de prefeito e vereadores aspones. Vivemos muito bem, obrigado.

Yarc, yarc, yarc.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A pane é em nós mesmos

O problema da falta de internet em São Paulo não são os transtornos, mas o nosso próprio espanto. As pessoas vêm com discursos sem sentido, de que não vivemos mais sem tecnologia etc.

Oras, evidente.

Meu tatatatatatatatatatataravô vivia sem fogo e não largou dele mais quando o descobriu. Os gregos, antes ignorantes, não puderam esquecer a filosofia. A humanidade não vive sem escravos, só troca a cara da escravidão. Não é um tormento quando a empregada doméstica falta?

Japonês não vive sem computador, brasileiro não vive sem futebol, escocês não abandona as saias.

Então paremos de discutir bobagens. Claro que não vivemos sem internet e isso não é motivo de espanto.

PS: Vou dever o capítulo semanal de Os Refantes, mas semana que vem a série volta. Prometo.

PS 2: A não ser que haja pane na internet.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Renato, o Gaúcho, e Thiago, o Neves

Parabéns para ambos, que levaram o Fluminense a um lugar nunca atingido pelo clube.

A culpa da derrota não é deles (do comandante e de um que perdeu pênalti). A culpa é do resto do time que não correspondeu futebolisticamente.

Washington perdeu três gols na cara do goleiro nos dois jogos finais e perdeu um pênalti (não foi falta de Ambrosi no jogo do Maracanã).

Conca bateu muito mal a penalidade que lhe cabia.

Gabriel foi um cone no gol marcado pelos equatorianos. Esteve plantado na área, não marcou o autor do tento, Bolaños.

Impossível exigir mais de Thiago Neves. Ele marcou quatro gols nas finais: um de cabeça, um de fora da área, um a la centroavante e um de falta. Monstro, joga muito, um baita meia-esquerda, o melhor jogador do Brasil (pelamordedeus, não é o Valdívia).

E, por fim, o R gaúcho da vez. Renato, renascido.

Ele joga pra frente, fala o que quer, não tem medo de desagradar, é vibrante. Não escalou o time mal, o Fluminense não perdeu por causa do técnico.

Gostaria de vê-lo n'A Seleção. Claro que o melhor nome é V(W)anderlei Luxemburgo, mas este é muito enrolado. Então, se ninguém lembra do São Paulo Autuori, faço o lobby pelo Renato Gaúcho.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Prezado senhor detentor de mandato eletivo

Está na mão do Tribunal Superior Eleitoral a regulamentação do uso da internet em campanhas políticas. Atualmente, o candidato pode apenas manter uma página pessoal.

Ou seja, nada de mil e uma páginas de apoiadores e de enviar e-mails para os eleitores. Por enquanto.

Excelentíssimos ministros, por favor não liberem, pelo menos, o correio eletrônico. Detesto spams.

E se o parlamentar não me responde quando eu peço que ele se posicione sobre determinado assunto, por que hei eu de dar atenção a ele?