terça-feira, 30 de setembro de 2008

O jeitinho americano

The american way of life é pior que o jeitinho brasileiro.

Enquanto nós furamos filas de banco, fazemos o salário render e embolsamos aquela nota de dez reais perdida pelo compatriota, os estadunidenses contradizem conceitos que eles próprios defendem.

Portadores da bandeira do liberalismo, os Estados Unidos, há muito, lançam mão do intervencionismo e do protecionismo. Intervêm no Oriente Médio, protegem os agricultores com subsídios. No século passado, há os casos do Vietnã, da Coréia, há o New Deal.

O assunto atual é a crise financeira. O governo americano interveio na economia mais uma vez.

Contradição pura.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Quando o microfone se mistura com o palanque

A Constituição Federal veda a agentes públicos possuírem emissoras de rádio e de TV. O intuito é evitar que o poder de difusão, propaganda e interação com o eleitor influencie o voto e igualar a disputa eleitoral em relação aos candidatos que não tenham os mesmos meios.

Ou seja, político cumprindo mandato não pode ter rádio ou televisão. Então, o que os empresários da comunicação fazem? Passam o veículo para as mãos de laranjas, muitas vezes amigos/familiares.

Por isso, não vote, nem para síndico do seu prédio, nas figuras que pintam na matéria abaixo da Folha de S. Paulo. Denfenda a Constituição, que completa, em 2008, 20 anos.

E defenda, de lambuja, a sua vida contra esses abusos.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u449946.shtml

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ares portugueses

O mapa dos oito mares

Naquele dia, o horizonte pariu o sol sobre a maciez das nuvens portuguesas. O ar dançava para formar um frio vento gostoso. Comportado, o mar abriu mão da ressaca para levar os refantes à cidade do Porto.

Atracaram em conveniente praia deserta, conhecida de longa data do capitão James Cara-de-touro. Vigiados por espadas, o prisioneiro Guillermo González e o padre Generaldo conduziam o grupo escolhido pelo capitão para encontrar o padre Ernesto.

Cara-de-touro escalou Andrew Reborn, Marccelo Fratelli, João Silva e Arruda para a empreitada. Não conversava, não piscava, não sorria. A concentração estava no objetivo único: decodificar o livro dourado que tinha embaixo do braço esquerdo.

Andaram pela mata cerrada em volta da cidade. Os refantes estampavam as páginas de “procurado” de toda a Europa Ocidental, evitavam ser vistos à luz do dia. E não havia necessidade de se expor, pois o padre dragão morava afastado de tudo e todos.

Após uma hora e meia de caminhada, em que apenas os passos conversavam entre si, chegaram a uma clareira ao pé de um monte. Ele tinha uma escadaria de pedra que subia em zigue-zague até um casarão. João Silva quis voltar, mas não expressou o desejo.

Sem tomar conhecimento, James Cara-de-touro passou pelo grupo empurrando-os com os ombros. Com o caminho descoberto, não precisava dos demais. Superou cada degrau pisando forte, determinado. Todos seguiram-no: os comparsas, por obrigação; o padre e o prisioneiro, por inércia.

A caminhada foi exaustiva. Fora o capitão e o padre, todos sentiam falta de ar. O líder estava preocupado demais com os próprios interesses; o sacerdote, empolgado demais. No topo da escada, um muro da altura de Deus e uma porta dupla de cor vermelha.

Atrás deles, algumas respostas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Pelo menos...

Dunga convocou os jogadores que enfrentarão a Colômbia e a Venezuela. Vejamos...

Nada a declarar no gol. Se Doni fica na reserva, não há problemas.

Na lateral-direita, nada a declarar. Pelo menos o Daniel Alves voltou. Maicon, risível, está bem na Inter de Milão, suportável.

Na lateral-esquerda, tragédia. Juan está mal, inclusive, no Flamengo, e Kléber está mal no Santos há muito. Nem vou pedir de novo a convocação do Marcelo...

Na zaga, nada a declarar, muito bem convocada.

Volantes... VOLANTES! Inadmissível a presença do Gilberto Silva e do Josué. Pelo menos Lucas e Anderson se firmaram. Elano pode ser boa opção para fazer o time jogar pela direita.

Meias-atacantes. Só Kaká salva. Júlio Baptista está abaixo de outros como Thiago Neves e Daniel Carvalho, mas na suspensão de Diego, é aceitável. Agora quanto ao Mancini, o caso é outro. Ele é, sim, ótimo, mas o Brasil não joga com duas linha de quatro como no 4-4-2 inglês, ou seja, será subaproveitado em outra posição. O Brasil costuma jogar com um quadrado ou um losango no meio.

No ataque, patacuadas, pelo menos o Pato voltou (nem pensar em dizer que ele não será o craque que pensamos, o erro não está no jogador, esteve em sair tão cedo do Brasil). Não precisamos de três centroavantes (Pato, Fabuloso e Jô). Melhor trazer o Nilmar, centroavante, mas que sabe jogar pelos lados. Ou então, aí sim, usar o Mancini na posição.

Ou convocar outro treinador.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Pares o que estás fazendo e leias

Poesia curta, letra enxuta a cada enxerto
Nada certo, nada rimado, nada primado
Apenas o bastante a fim de relaxar
Podes achar muito bom, tu podes não achar
Não que eu vá sinceramente me importar
Importo inspiração de todo e qualquer lugar
Pode bem resolver, pode sequer funcionar
Ao menos, enquanto, furioso(a), me criticas
Lês o poema entre umas e outras biritas
Perdes inrecuperável tempo com titicas
Mas quem sabe não consegues espantar as zicas?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A solução da crise financeira

O caderno do jornal mais irritante é o de economia. Além de ser feito por pessoas que nada sabem - jornalistas -, têm o dedo da segunda categoria profissional mais ignorante: os economistas (comentaristas de futebol vêm em terceiro).

Economia é um inferno. Deve-se produzir muito para incentivar investimento e satisfazer a classe produtora. Depois, deve-se vender toda a produção. O consumidor necessita de renda para comprar. Quando a possui, gasta, quando gasta, os vendedores aproveitam o embalo para aumentar o preço. Ou seja, inflação.

Sobem os preços, as pessoas não conseguem comprar. Logo, pressão por aumento salarial, onera o Estado e o empresariado. Este exige isenção fiscal para compensar, isto é, onera o Estado de novo. Com o novo aumento salarial, as pessoas compram mais, e a inflação continua. Com inflação, cessam as compras, produtos excedem. Os preços despencam, o empresariado quebra, trabalhadores são demitidos, a economia entra em recessão.

Então, para que perder tempo com a crise financeira? Relaxa e g... Ah, deixa pra lá.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

As mentiras que a sociedade conta 2

O fiel leitor leu neste blog uma das mentiras que a sociedade conta: a colação de grau. Desta vez, falarei da festa de casamento.

Fui a uma no sábado. Durante a cerimônia religiosa, via-se os longos, os ternos, o glamour. Porém, por trás das máscaras, saltavam os bocejos, as piadinhas de mau-gosto e comentários sobre o jantar a vir.

Logo veio a festa. A bebida entrava e saía dos copos, a conversa animava-se minuto a minuto. Mas melhor que os sorrisinhos hipócritas, como se todos quisessem estar ali, foi um adiposo senhor de bigodes na mesa atrás da minha.

Ele acenou para o garçom e pediu que ele abaixasse para falar-lhe ao pé do ouvido (creio que não conseguiria levantar). Como quem não quer nada, arrematou:

- Não tem uns salgadinhos como aperitivo, não?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Obsessão

O mapa dos oito mares

O capitão James Cara-de-touro perdera a sanidade. O líder combativo e estrategista dera lugar a um demônio à frente do Refante. Durante a viagem a Portugal, ele passou horas trancado na cabine, sem abrir sequer para o cozinheiro, Victor Hugo Metallion.

Ele delegara a Màrc Pràtès, o imediato, a responsabilidade de conduzir o navio; ignorava as pregações do padre Generaldo; não se importava com a liberdade que o prisioneiro Guillermo González passou a ostentar após a visita à Espanha.

Tudo se resumira ao livro dourado. Mesmo sem saber uma letra de tupi-guarani, devorou o livro sem compreendê-lo. A cada frase ininteligível, a cabeça latejava.

Em algum lugar daquela pilha de papel estava a resposta que o movia há anos. Desde a compra do verniz para o casco, passando pelo roubo da vela do Illerocep, ele lançou mão de todo o esforço, a concentração e a habilidade que possuía.

Não queria dinheiro, mulheres, poder. Só queria fazer o que os homens não podiam. Queria honra, glória, fama. Queria ser como Vespúcio, como Colombo, como Vasco da Gama. Imaginava o seu nome escrito na memória das pessoas 200, 300 anos depois. James.

Ah, a aventura. Chegara à costa oeste da América do Norte, fora aos confins do Ártico, perdera as contas de quantas voltas ao mundo fizera, comandara, como imediato, a embarcação que rendeu Napoleão 55 anos antes. Agora os indícios pareciam levá-lo à América do Sul, onde nunca estivera.

Em um lugar onde ninguém esteve.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Coisa de ficção

- Polícia Militar.

- Olha, é o seguinte. Vou ser muito sincero com você. Desviei R$ 3 bilhões de reais com lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Mas aí eu vi que muitas pessoas estão morrendo nos hospitais e resolvi mandar esse dinheiro para os cofres públicos.

Tu, tu, tu, tu.

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- Polícia Militar.

- Olha, é o seguinte. Vou ser muito sincero com você. Sou juiz, vendi uma ou outra sentença e só fui perceber depois que prejudiquei um casal de idosos. Eles moram na rua***, vocês podem orientá-los contra erro judiciário?

Tu, tu, tu, tu.

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- Polícia Militar.

- Olha, é o seguinte. Vou ser muito sincero com você. Quebrei um sigilo bancário e só depois percebi que se trata de um caseiro. Eu só queria contar isso para alguém...

Tu, tu, tu, tu.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ficamos em nono no quadro geral das Paraolimpíadas

Excelente resultado, foram 47 pódios.

Pessoas sem perspectiva de vida após a deficiência encontraram-se no heroísmo por meio do esporte.

E há quem duvide deste e daquelas.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O combinado é o combinado

A posição da Unasul de apoiar a manutenção das fronteiras colombianas e do governo Morales fortalece a democracia e a própria Unasul. Esta caminha para consolidar-se como instituição de consenso, mediação e parceria.

Evo Morales foi eleito de forma justa e ratificado em outra votação. Cabe à oposição fiscalizá-lo e criar idéias para a Bolívia. O presidente, oportunista, aproveitou para alfinetar os adversários ao afirmar que estes devem trazer propostas, não violência.

A América do Sul precisa de fazer valer os acordos para garantir estabilidade. Por isso, nada de terceiro mandato para Lula ou Uribe, nada de continuísmo na Venezuela, nada de racha na Bolívia.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A capital tem seus abutres

Irresponsabilidade pura a manchete do Correio Braziliense Online. Até as 17h, este link trazia a notícia de um assassinato no SIA sem dizer os nomes das vítimas e sem detalhar o crime. As famílias e os amigos de quem trabalha nas proximidades enlouquecem.

Em vez de tentar dar furo nos concorrentes com matérias sem informação, melhor retardar o texto para divulgar algo consistente e apurado.

Meus préstimos ao segundo dia da semana

Segunda, profunda, vagabunda, moribunda!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O valor do professor

O Governo do Distrito Federal está prestes a assinar um decreto que dá aos professores do ensino público a possibilidade do 14º salário. Para ganhá-lo, as escolas têm de cumprir metas, entre elas diminuir a evasão e repetição escolar e garantir bons índices avaliativos do próprio GDF e do MEC. O dinheiro virá do fundo constitucional a que o DF tem direito por abrigar a capital federal.

A iniciativa é excelente contanto que os meios de avaliar o trabalho dos mestres sejam eficazes. Devem ser utilizados a prova Brasil e o Índice de Educação Básica, o Ideb.

Grande cartada do único governador democrata, José Roberto Arruda. Além de trazer a meritocracia para a educação, ele valoriza o profissional e a profissão e conquista valiosíssimos eleitores para 2010.

PS: Atualmente, os parlamentares recebem quinze salários por ano. Já pensou, que beleza, a utopia de aplicar o mesmo princípio de mérito para eles? Só ganha salário extra se comparecer ao plenário, garantir a fluidez da pauta, diminuir os índices de violência...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Por dentro de um navio pirata

O mapa dos oito mares


O padre Generaldo estava desconfiado de levar seres nada cristãos para junto de alguém tão importante como o padre Ernesto. Porém, intuía que esses “filhos do demônio” fossem de interesse do padre dragão.

Todos os seus sentidos estavam aguçados. Só de entrar no navio Refante, subia-lhe um frio na espinha. A embarcação combinava aspecto chulo com imponência, era muito rápida e parecia guiar-se sozinha. O capitão jamais conduzia o navio, deixava tudo por conta do imediato, Màrc Pràtès.

O mais estranho ali, fora o bizarro observador, Marccelo Fratelli, era a vela principal. Surrada, amarelada por grilos e esburacada, permanecia inflada, invariavelmente, mesmo sem vento. Parecia mágica, ou seja, “coisa do diabo”.

Outra inquietação recaía sobre o casco. Ele destruía tudo por que passava: pedras, animais marinhos, restos de outras embarcações. O Refante nunca mudava de curso, os empecilhos que saíssem do caminho.

Contrapondo a desconfiança, havia a satisfação de reaver Guillermo González. Ele não era o melhor espadachim, não era dos mais inteligentes, não era dos mais fiéis a Cristo, mas era confiável, desempenhava o que lhe mandavam.

Para passar o tempo, além das orações, padre Generaldo explorava uma grata surpresa. O cozinheiro Victor Hugo Metallion, herege até o último pêlo da orelha, mas culto e bom de prosa, raridade em um navio pirata. Outra fonte de conversa poderia ser Andrew Reborn. Entretanto, padre Generaldo aborrecia-se com a implicância do australiano, que se deliciava com O desconhecimento, de Sócrates.

No fundo, o sacerdote sentia pena daqueles homens, tão distantes da salvação eterna. Por isso, decidiu fazer algo por eles, dedicando-se à conversão de todos. Só conseguiu convencer João Silva, mas o português prometia fé a todo religioso que o abordava só para garantir que um deus o salve. Sabe-se lá o que há no outro mundo.

Além das conversas, a bênção. Todos os dias passeava pelo convés com uma colherinha e água benta, murmurando preces. Até que os marujos caíram na tentação.

Enquanto o padre espalhava água navio afora, Arruda, o mais corajoso dos marinheiros para chacotas, topou o desafio proposto pelo piadista Metallion. Encheu um balde de água e encharcou o padre, pelas costas.

- Quer lavar o convés, padre? - caçoou Arruda, em meio às gargalhadas dos demais. - Essa colher aí vai retardar o trabalho do senhor. Sugiro um balde!

O religioso respirou fundo e continuou o que fazia. Mal podia esperar a vingança.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Parabrasil

Os atletas paraolímpicos do Brasil dão show na China, e a imprensa não trasmite as competições, dedicando-lhes parcas matérias.

Parabéns aos atletas, vencedores na mais pura acepção do termo, e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro. Este, exemplo de gestão, esbofetea, com toda a elegância, a versão COB.

Tremam, estrangeiros, pois nas Olimpíadas de Londres, se não formos engolidos por um buraco negro, os sucessos tendem a ser maiores. Algum país contestará a classificação dos nossos atletas, como aconteceu com o campioníssimo Clodoaldo.

Daniel Dias concorrerá com Michael Phelps, e Lucas Prado, contra Usain Bolt. Aposto nos nossos atletas.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Retrocesso

Dé-ci-mo pri-mei-ro lu-gar. A Universidade de Brasília, que foi a melhor federal do país, a terceira de todas, despencou de qualidade, conforme o mais recente índice de avaliação do MEC. Não adianta os decanos satisfazerem-se com o resultado: respiramos a decadência na universidade.

Enquanto isso, as propostas das eleições para reitor giram em torno de expansão, aumento do número de vagas, ciclovias...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Atentado contra a Independência

No Sete de Setembro, presenciamos a derrota da pátria.

A vitória sobre o Chile diz muitas coisas, menos que o Brasil jogou bem. Como falar do Ricardo Teixeira cansa, falemos do Dunga.

Como acertos, óbvios acertos, as escalações de Júlio César e do quarteto ofensivo. Diego (o que você tem contra as canelas adversárias, Diego?) na posição do contudido Kaká; Ronaldinho e Robinho abertos; e o melhor centroavante brasileiro, Luís Fabuloso.

Porém, os erros poderiam ter custado a vitória.

A insistência com G. Silva, a qual só mancha a biografia dele; a escalação de Josué como segundo volante, incapaz de um passe; Maicon e Kléber, totalmente bisonhos quando temos opções melhores; os cones Robinho e Ronaldinho, sem mobilidade, sem troca de posições.

O time não teve saída de bola e levou sufoco. Se os volantes brucutus estão ali para proteger a defesa, por que o Brasil foi pressionado? Fomos salvos pela inoperância chilena, traduzida no craque deles: Valdívia.

Só ganhamos a partida:

1 na bola parada;

2 na individualidade de Luís Fabuloso, excelente finalizador, e seu belíssimo domínio de bola no chutão do segundo gol.

Tudo indica que o calvário continuará, permaneceremos colônia da mentalidade parasitante da CBF.

E pior: iludidos por atuações paliativas.

Bobos alegres

Não agüento mais o jargão "ele voltou a sorrir".

Ronaldinho voltou a sorrir no Milan, Robinho voltou a sorrir no treino da Seleção, Adriano voltou a sorrir no São Paulo...

Por que só o torcedor brasileiro está triste?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Os faraós da academia

A maioria dos candidatos à reitoria da Universidade de Brasília (UnB), aspirantes a substitutos de Mulholland I, defendem propostas de expansão, aumento, grandiosidade. Porém, a realidade do ensino superior brasileiro não permite excesso de gastos.

A maioria dos candidatos defende a expansão da universidade para as regiões periféricas do Distrito Federal. Errado. O campus de Brasília mal tem condições de se manter: faltam professores, recursos para laboratórios. Como deslocar recursos para outros lugares? Impossível, tanto que nas regiões do Gama e da Ceilândia as aulas começaram sem sedes.

A maioria defende o aumento do número de vagas na UnB. Errado. Não há professores para o atual número de alunos, que cresce mais rapidamente que a contratação de docentes. Como trazer mais pessoas ávidas por estudo? Impossível e equivocado, pois o ensino superior não deve ser para todos, deve ser para a elite intelectual. O correto é fazer do ensino fundamental e médio de qualidade para todos. Assim, a competição seria justa, e só os melhores ingressariam na universidade, que formaria os melhores profissionais.

O resto que curse faculdade particular.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O padre dragão

O mapa dos oito mares

- In nonime Patris et Filii et Spitiui Sancto.

- Amém.

Era a última missa do dia, e o padre Generaldo recusava o cansaço. Que alegria a celebração! A igreja cheia, as pessoas ajoelhadas, o gole do vinho, as crianças correndo, sem prestar atenção. Lindo demais.

- Bem que vocês poderiam ficar para mais uma missa, meus filhos - disse, a quinze pessoas, sorriso estampado.

Sua vozinha esganiçada mal fazia eco em tão pequena e mísera igreja. O chão, de terra batida; as paredes, de pau-a-pique. Uma ou outra barata, acompanhada de um ou outro catengo, engrossavam os presentes.

Mas não importava, e sim, a reunião em Cristo, nosso Senhor. Ao fim, conversou com uma mãe aflita e faminta, mas não podia ajudar. Em cidades tão pequenas, padre era juiz, promotor, professor...

Sem coroinhas ou qualquer tipo de ajudante, limpou a mesa e juntou as peças, de madeira. A garrafa de vinho estava quase no fim, mas, se regrada, dava para mais duas ou três missas. Pensava em uma leitura para embalar o sono, recompor as energias. Talvez levantar um pouco mais tarde. Escolheu John Locke. Fazia questão de estudar tudo, de sociologia a anatomia. E lia todo tipo de heresia, para não recomendá-las aos fiéis.

Altar organizado, planejou acordar às 3h e dirigiu-se aos modestos aposentos.

Quando ouviu um estrondo às costas.

James Cara-de-touro arrombou a porta dupla de madeira a um pontapé. Sem cerimônia, marchou em direção ao padre, que se virou lentamente. O pirata sacou a espada e levou-a a um centímetro da garganta do sacerdote.

- Bença, padre - sussurrou em tom cortês.

- Que Deus te mande para o quinto dos infernos, meu filho - retrucou padre Generaldo, sem alterar a voz.

Cara-de-touro fechou a cara. Sem olhar para trás, estendeu a mão aos que o seguiam. João Silva entregou o livro dourado, prontamente levado ao nariz do padre pela mão ossuda do capitão.

- Vim te pedir um favorzinho, padre, indicado por um amigo seu.

- E quem foi o filho-do-cão que o mandou? - disse, aparentemente desinteressado.

- Eu, padre - Guillermo González deu um passo a frente e destacou-se no grupo atrás do pirata.

- Herege patife - cumprimentou o religioso. - Você não se esforça nem para ir para o limbo.

- Padre, não tive escolha - lamuriou o espanhol. - O senhor sabe o por quê do meu sumiço? Fui seqüestrado durante uma missão ordenada pelo senhor! O conhecimento do senhor em troca da minha liberdade. Ajude-os, e não teremos problemas.

- É simples, reverência - intrometeu-se Cara-de-touro. - O senhor sabe que idioma é este aqui?

Padre Generaldo pegou o manuscrito e folheou. Não estava disposto a ajudar, mas se fosse para ter González subordinado novamente, valeria a pena. Era muito trabalhoso não tê-lo. Leu uma página, leu outra. Até que chegou a uma conclusão.

- E então? - impacientou-se o capitão.

Mais cinco segundos de silêncio.

- Sim, eu sei.

- Ótimo, ótimo. Então, traduza.

- Não posso.

- COMO NÃO PODE, CRETINO? VAMOS! TRADUZA ESSA COISA AGORA!

- Eu disse que sei que idioma é, mas não disse que sei traduzir.

- Olha aqui, padreco - ameaçou o outro, segurando-o pela gola. - Detesco joguinhos de charadas, mas adoro joguinhos de arrancar escalpos.

- Essa língua chama-se tupi-guarani - respondeu o padre, sempre com a voz serena. - Sei porque vi escritos semelhantes quando fui à América espanhola ajudar na salvação eterna dos incas, maias e astecas. Mas não aprendi o dialeto, pois quem o fala é da América portuguesa.

- Seu imundo! - Cara-de-touro avançou contra González, espada erguida. - Disse que ele saberia!

- Mas sei quem sabe ler - disse o padre, depressa, antes que o espanhol sucumbisse perante a lâmina. - E só digo se preservar este verme. Quero que ele volte a trabalhar para mim - e antes que alguém contestasse, emendou. - Conheço um padre português que evangelizou na colônia portuguesa e que conviveu com os índios. Ele é conhecido como o padre dragão.

- O padre dragão não! - González ajoelhou em súplica. - Não podemos entregar alguém tão importante a esses homens!

Padre Generaldo abaixou-se para encará-lo e responder de forma que só ele ouvisse.

- Não se preocupe, pecador. Se estes senhores querem enfrentar o padre Ernesto, pior para eles.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Róbson, o aluno-problema

A transferência para o irrisório Manchester City (ING) foi bela patacuada de Robinho. Sem formação cultural, o jogador tornou-se refém da picaretagem empresarial.

O Real Madrid é o maior clube do mundo, pouco acima do Milan e do Boca Juniors. Lá, perante defesas mais frágeis e expostas a jogadores rápidos, o atacante poderia almejar vôos maiores, ainda mais acompanhado de um ótimo finalizador, o holandês Nistelrooy, e de jogadores com bom passe, como o espanhol Guti e o holandês Van der Vaart. Sem falar de uma boa combinação com o excelente lateral brasileiro Marcelo.

Mas não. Indisposto a jogar futebol, a mostrar que é realmente bom, Robinho prefere dar chiliques. Fruto de falta de educação, escola, preparação, alicerce.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Grampos

Eu sei, fiel leitor, o que você fez no fim de semana passado.

Mas não se preocupe, nada falarei.

Pois eu sei que você sabe o que eu fiz no fim de semana passado.