sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Contribuição (nada inovadora) contra engarrafamento

Antes que acabe a semana, gostaria de falar sobre o Dia do Servidor, comemorado no último dia 28. Com o funcionalismo sem trabalhar, as vias do Distrito Federal ficaram 100% transitáveis.

Por isso a descentralização é importante. A iniciativa privada e o governo federal deveriam seguir o exemplo do GDF, que levou a administração distrital do centro de Brasília para Taguatinga.

Se órgãos afins como o Ministério Público e os juizados saíssem do Plano Piloto e instalassem-se em uma região administrativa, ajudaria a reverter o fluxo unidirecional RAs-Plano (de manhã) e Plano-RAs (à noite).

E tem aquele discurso batiiiido... Investimento em transporte coletivo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Converta-se

O mapa dos oito mares

O cérebro de James Cara-de-touro pensava em alta velocidade. O marujo podia ouvir as engrenagens do pensamento, o que o atrapalhava. Era momento de autocontrole, usar a razão e esquecer delírios.

Negociar com sacerdotes era perigoso. Ao contrário da maioria da população, os religiosos são raposas estudadas, alfabetizadas. Sete condições para traduzir o mapa era um assalto. Os refantes tinham tudo a perder.

E nada a ganhar sem os serviços do clérigo. Os esforços para conseguir o livro dourado seriam inúteis, hipótese descartada pelo teimoso capitão. Ele fechou os olhos por alguns segundos, suspirou profundamente e preparou-se para o porvir.

- Estabeleça as sete condições.

Triunfante, padre Ernesto ordenou que toda a parafernália que o acompanhava entrasse no casarão, exceto o homem-estátua-guarda-costas.

- Não vai nos convidar para entrar, padre? – a única alternativa do marujo era desestabilizar o adversário.

- Vossa pecaminosidade seria fulminada pelo poder do Senhor assim que pisasse em recinto santo como este. Mantenho vocês aqui para preservá-los, como prova da minha generosidade.

O diabo não daria sorriso mais diabólico. Quando ficou somente com o grandalhão e os piratas, Ernesto esfregou as mãos, lambeu os lábios, e impôs:

- A primeira condição, cão bastardo, é converter toda a sua tripulação ao cristianismo. Tudo pelas vossas almas e pelo Reino dos Céus.

Antes que o comandante abrisse a boca, os demais protestaram. Falavam ao mesmo tempo questões ininteligíveis. Cara-de-touro abaixou a cabeça, que latejava, praguejando para que os refantes se calassem. Padre Ernesto deixou todos contestarem, sem intervir, sem mudar a feição, sem perder a satisfação.

- A segunda condição – retomou, assim que as vozes diminuíram – é a doação do seu navio à Santa Igreja.

Nesse momento os marujos gargalharam. Não tinham a menor vontade de rir, apenas de debochar. Simplesmente não acreditavam no que ouviam; de imediato descartaram a proposta. O capitão jamais alienaria o Refante. Venderia João Silva, mas não o Refante.

- A terceira condição é ceder à Igreja o que este livro revelar – ergueu a obra. - Naturalmente, o livro em si já é meu, pois somente eu sei decifrá-lo. A quarta condição – emendou em alto som, abafando novos protestos – é a garantia contra retaliações a meu respeito e a respeito de qualquer membro da Igreja ou de qualquer fiel Até aqui, alguma objeção, capitão?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A seleção do Brasileirão, segundo A cova

Adoro fim de ano, pois é a oportunidade de fazer algo de que gosto muito: listas.

A pedido de um confrade, vou começar com futebol. Vamos à seleção do Campeonato Brasileiro de 2008.

1 – Victor (Grêmio)

2 – Élder Granja (Palmeiras)

3 – Thiago Silva (Fluminense)

4 – Miranda (São Paulo)

6 – Juan (Flamengo)

5 – Toró (Flamengo)

8 – Hernanes (São Paulo)

7 – Cleiton Xavier (Figueirense)

10 – Alex (Internacional)

11 – Kléber (Palmeiras)

9 – Kléber Pereira (Santos)

O poder é nosso

Meus amigos e minhas amigas, povo brasileiro,

temos a possibilidade de tirar esse país da lama e de corrigir as burradas feitas na eleição de 2008. Devemos tirar o PMDB do poder. Não votemos nesse partido sujo, hipócrita, oportunista, parasita.

Apenas derrotas eleitorais vão impedir as barganhas e chantagens dos Sarneys, Calheiros, Geddels, Costas.

PS: Há blogueiro interessado em bater com as luvas na minha cara. Duelo antecipadamente aceito. Sempre cabe mais um nesta Cova.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Inutilidades do coveiro

Eu sei que vocês estão loucos para saber, então, vou contar.

Joguei nesse fim de semana o campeonato de futebol da faculdade. Ficamos no honroso quarto lugar, até onde nossas forças puderam nos levar.

Estou com o joelho esquerdo inchado e com os músculos doloridos.

Claro que isso é mais importante que o resultado das eleições e que o atentado contra Barack Obama.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pode tirar o urubuzinho da chuva, nada de pôr as asinhas de fora

Flamenguistas, permitam-me avisá-los.

O Flamengo não será campeão brasileiro em 2008. Falta ao time o carimbo de vencedor.

Quando o time é exigido, na hora do “vamos ver”, na hora “H”, o rubro-negro dá para trás. Foi assim contra o América-MEX e contra o Atlético Mineiro.

As principais armas do time não são vencedoras. Se depender do Obina, ele perderá o gol decisivo; o bom goleiro Bruno entregará o ouro a qualquer momento; a criatividade no meio-campo secará nos pés de quatro volantes.

Tampouco acredito no São Paulo. Não se ganha pontos corridos sem jogar bem.

Por isso, aposto nos lampejos de futebol do Palmeiras.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sete vezes sete

O mapa dos oito mares

- Sou capaz de traduzir o livro - disse padre Ernesto; James Cara-de-touro suspirou de alívio -, mas só o farei sob condições.

O sossego do capitão do Refante durou um segundo. Desconfiado, encarou o sacerdote, cuja expressão estava impassível. “Padres não são burros”, pensou ele, e a Igreja tinha muitos interesses mundo afora. Quando soubesse do que se tratava, correria para o destino do mapa como hienas para a carniça.

- O que você quer, maldito? - rosnou o comandante.

- Primeiro – respondeu o padre, com toda a pompa –, quero que melhore o linguajar. Segundo, imponho apenas 12 condições, número apropriado por serem a quantidade de tribos de Israel, de apóstolos, de meses no ano.

- Doze foram os trabalhos de Hércules – provocou Cara-de-touro. - Vai corroborar com o politeísmo?

Ernesto pareceu refletir um instante. Não queria deixar margem para dúvidas sobre os seus propósitos catequizantes. O pirata não era tão ignorante assim. Então, sorriu amarelo e disse:

- Certo, herege, vossa imundice tem alguma cultura, veja só. Que sejam dez, dez condições, conforme os mandamentos do senhor.

- Dez são os lados do pentagrama de ponta-cabeça, padre. Símbolo do demônio.

Irritado com o lapso e com a insolência, Ernesto procurou pensar rápido em um número inconteste.

- Sugiro uma condição, pois um, e somente um, foi o messias – Cara-de-touro segurou-se para não rir na cara do sacerdote.

- Um é também todo o mal, o tinhoso, o sacripantas, o diabo! Sete! - sentenciou Ernesto. - Sete condições, o número perfeito, número bíblico, os dias da semana!

- Duas – o marujo tentava negociar. - Dois ladrões foram crucificados com Cristo, dois é o único número primo par e as maiores belezas da natureza formam pares: o dia e a noite, o céu e a terra, pai e mãe, pão e vinho.

Padre Ernesto gargalhou. - Não pense que vou ceder! Sete é o número perfeito, não pode derrubá-lo.

- Três! Os reis magos, a hora que Jesus morreu.

Ernesto e sua comitiva deram as costas e rumaram para o casarão. Com o livro.

- Quatro são os elementos, cinco são os continentes, seis...

- Seis é o número da besta. Eu quero sete. Pegar ou largar.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O reverso da medalha

Ontem à noite, antes de dormir, tirei os meus livros da estante para organizá-los e ter noção do que eu guardo nas prateleiras. Concluí que literatura estrangeira exige a mesma quantidade de espaço que os livros teóricos, históricos e de literatura nacional, somados, precisam.

Um dia antes, li na terceira edição do jornal-laboratório Campus, da Universidade de Brasília, um box de memória que relembra a situação das nossas crianças em, se não me engano, 2004. As criaturinhas do século XXI não lêem Monteiro Lobato e afins; o gosto da leitura vem com Harry Potter e comparsas.

O meu caso sequer funciona como amostragem, é apenas um exemplo. Entretanto, as listas dos mais vendidos, há muito, mostram-nos a disseminação dos livros estrangeiros entre os jovens. Machado de Assis, Guimarães Rosa, Carlos Drummond não empolgam os pequeninos.

Não que seja problema ler importados, mas a qualidade dos nossos escritos merecem mais visibilidade e prestígio. Precisamos sair dos círculos acadêmico e pessoal, demasiado restritos, onde os grandes autores brasileiros são lidos de joelhos. Fora deles, Dan Brown, Nora Roberts e Stephenie Meyer dominam.

Para estimular o nacional, o ensino fundamental e o médio devem mudar seu estilo de lecionar. Começar com os complexos, profundos e psicológicos romances machadianos é estrangular o interesse pelo escritor.

Devemos iniciar pelo seu teatro e pelos seus contos, pelos romances românticos sebosos de José de Alencar. O sentimento do mundo de Drummond é para fases posteriores; poesia deve começar por Vinícius de Morais.

(Acabemos com os delírios parnasianos, que só aborrecem e entediam o jovem.)

As aulas devem contextualizar o livro, evocar as referências do autor e fazer o aluno compreender que livro bom não é somente o vibrante, mas também o crítico, analítico, inovador, reprodutor de época.

Nada disso impede a leitura das obras comerciais.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cada um no seu quadrado

Depois do barulho das cigarras e do preço do álcool, o que anda me incomodando é o laptop. Encaremos o fato: as pessoas não precisam dessa máquina maldita!

Se a pessoa tem um, tem/teve um computador comum em casa e trabalha/estuda onde há computadores. Sim, há exceções, mas exceções não se espalham como pragas.

A moda é cada um se fechar no portátil, e dane-se o mundo. Pensa-se que a internet tem tudo, que o aparelho facilita a vida etc. Bobagem. Nem tudo que é novo é bom, nem tudo que é tradicional é ruim.

Ninguém precisa acessar o computador cada vez que põe as nádegas em uma superfície sólida. Ninguém precisa acompanhar a atualização de notícias com tanta freqüência, responder a tanto e-mail (a maioria é propaganda barata).

Se for escrever algum trabalho, vá para casa ou para o ambiente profissional, os lugares mais adequados. Não precisa abrir essa joça na parada de ônibus.

Na Universidade de Brasília, vi aula em que três alunos fecharam-se no laptop. Não adianta dizer que usam a máquina para anotações e pesquisas do assunto da aula porque não usam. Comprovei empiricamente. Esses alunos não prestam a menor atenção no docente.

Laptop é como celular que fotografa, grava, filma, conecta e até faz ligação, isto é, supérfluo. Só serve para ostentar riqueza e chamar a atenção de mal-intencionados.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Perdão, Eloá

Não há um culpado pela tragédia do seqüestro em Santo André; há vários. Um deles é a atuação desastrosa, incompetente, desonesta, nefasta, indevida de um dos pilares da sociedade.

Não, leitor, não é a polícia. É a imprensa.

Como os poderosos meios de comunicação não fazem autocrítica, darei minha singela contribuição de análise dos procedimentos jornalísticos no caso.

Não foi para nós a duvidosa, repetitiva e esburacada cobertura do seqüestro em tempo real. Foi para o bandido. Ele assistiu a tudo, e tudo alimentou o sadismo do meliante.

A imprensa deveria, sim, cobrir o caso, mas só noticiá-lo após o desfecho para não prejudicar as negociações. Sem audiência, qualquer coisa perde o interesse. São preferíveis manchetes menos escandalosas a uma vida perdida e famílias desgraçadas.

Assim como no caso Nardoni, o caso Eloá não tinha interesse público. Seria melhor o seqüestro acabar com todos vivos sem ninguém saber.

PS: a Globo foi na onda das versões oficiais e noticou a morte de Eloá enquanto ela estava viva. Não adianta culpar o governo, pois o jornalista é responsável por TUDO o que divulga. Está no nosso Código de Ética, artigo oitavo (sim, nós temos um código de ética).

(Não, ninguém lê.)

PS 2: João Hélio, Nardoni, Eloá, o rapaz morto pelo segurança do filho da promotora. Façam as suas apostas para o próximo caso romanceado pela imprensa.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dragão cospe fogo

O mapa dos oito mares

Anoiteceu. Arruda e João Silva buscaram alimentos no Refante, mas James Cara-de-touro não quis comer. Estava sentado, abraçado às pernas, tremendo de demência. Os olhos estavam vermelhos, e os lábios, trincados. Desde que o padre Generaldo entrou no casarão, ele nada disse. O espanhol Guillermo González estava tacitamente livre, não tinha serventia para os piratas. Podia fugir, mas sabia que na cidade do padre dragão não iria longe.

Os tripulantes tentaram dissuadir o capitão, levá-lo de volta, mas ele não se mexeu, não demonstrou reação, não deu atenção. Poderiam ter ido, deixado o chefe lá, sozinho e vulnerável. Porém, sequer cogitaram a hipótese. Não fazia parte de piratas largar o comandante. Sem falar que o navio não obedeceria a outro se a sucessão não fosse justa e merecida.

Antes de os marujos dormirem, deram a última olhadela no capitão e, quando acordaram, viram-no acordado, em pé, encostado na muralha com as costas e o pé direito, olhando para qualquer lugar. O livro dourado estava jogado no chão, aberto. Cara-de-touro perdera o cuidado com o mapa. Só queria ser recebido pelo tal padre.

No meio da tarde, sob sol escaldante, todos amontoaram-se debaixo de uma sombra de árvore, menos James. Ele postou-se de frente à porta vermelha, empertigado, com as mãos para trás. Passaram-se quase duas horas até que a porta se abriu lentamente.

Havia inúmeras pessoas do lado de lá do muro, todas militarmente postadas e organizadas. O primeiro a sair foi o homem-estátua, seguido de duas fileiras de homens com espingardas, que cercaram os marujos, apontando as armas para eles. Depois vieram sacerdotes sem fim arrastando as barras das batinas e portando bíblias. O penúltimo foi o padre Generaldo, carregado nos ombros por um gigante negro sem camisa. Por fim, quatro branquelos musculosos carregavam uma espécie de trono onde um homenzinho de um metro e meio de altura sustentava olhar inquisidor.

Abatinado, ele encarava cada um. Não tinha cabelo na fronte, sinal da calvície. No topo da cabeça, uma ilha de cabelo e, nas laterais e na traseira, uma quantidade considerável de tufos. Era moreno de sol.

- In nonime Patris et Filii et Spitiui Sancto – falou o senhorzinho.

- Amém - responderam os que saíram com ele, em uníssono.

- Pecadores! - chamou, com uma voz potente e surpreendente para alguém tão mirrado. - Chamo-me padre Ernesto. Soube que querem me encontrar! - ele mais danava do que conversava. - Poderia eu muito bem fechar-lhes a porta do Senhor, mas o Senhor não vira as costas nem mesmo para os mais parvos répteis! - ninguém se mexia. Os marujos, alvos fáceis para os rifles, mantiveram as espadas abaixadas. - Então – aumentando o tom de voz -, digam-me o que desejam e prometo refletir o máximo para dar o menor castigo que vossas heresias merecem!

Impaciente, James Cara-de-touro agachou-se para pegar o livro dourado. A mira de três armas o seguiram. Sem olhar para elas, aproximou-se do pseudo-trono, mas foi barrado pelo homem-estátua. Calado, este tomou o livro do capitão e estendeu-o para o padre Ernesto. O religioso abriu a obra a esmo e leu um parágrafo. Satisfeito, fechou-a com força, fazendo subir poeira, e pensou por alguns segundos.

- Muito bem – retomou ele. - Tenho uma proposta para vocês.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Quando nós seremos indenizados?

A rádio CBN informa que as verbas indenizatórias dos deputados distritais será reajustada em 12%. Não, fiel leitor, não será reduzida, será aumentada mesmo.

Com isso, a verba fica o dobro das dos deputados federais.

O que justifica tanto dinheiro para parlamentares de um cubículo como o DF? Pagar passagem aérea para a Ceilândia?

O distrital Antônio Reguffe (PDT) mantém 14 assessores a menos que os demais e diz economizar R$52 mil reais com essa brincadeira. (Saiba que, sim, sou eleitor dele).

Ou seja, não são necessários tantos gastos. Onde estão o Ministério Público, órgãos de contas, corregedorias para contestar o abuso? A imprensa fez o que lhe cabia.

Por isso não sobra dinheiro para nós.

Não votem em...

Alírio Neto (PPS), presidente da Câmara Legislativa e defensor da proposta.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Loucura de Quixote, ignorância de Cubas

O presidente Lula recebe hoje na Espanha a condecoração Dom Quixote por promover o ensino do espanhol no Brasil.

Enquanto isso, comete bobagens na Língua Portuguesa como a deforma ortográfica, e há brasileiros que escrevem quis ( do verbo querer) com "z", preposicionam o sujeito, separam com vírgula este do predicado.

Bem que o presidente poderia se esforçar para ganhar o prêmio Machado, Guimarães, Graciliano...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Desconcentração e dor no corpo

Perdoe-me o fiel leitor: essa semana não haverá capítulo de Os refantes. Este coveiro está muito cansado para pensar em texto grande.

Mas prometo quena próxima semana os piratas voltam. E vocês vão conhecer o padre Ernesto, doçura de pessoa.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tragam o cabeçudo

Escrevi neste blog que Mancini é peixe fora d'água no esquema da Seleção. Errei. No esquema que Dunga usa, com dois atacantes abertos e um meia centralizado, ele pode jogar. Provavelmente será escalado na esquerda, onde Ronaldinho estava. É assim que Mancini atuava na Roma e joga na Inter de Milão.

Porém, como observou Tostão, o esquema continua errado. Com dois volantes brucutus (Josué e G. Silva) e três meias-atacantes avançadíssimos (Robinho, Kaká e Mancini), há um buraco no meio. Por isso que a bola não chega à frente. Os volantes são incapazes de dar um passe decisivo.

Quem deveria preencher, então, a lacuna? Alex Cabeção, do Fenerbahçe. A sua inteligência, seu passe e seu chute de fora da área credenciam-no a ser o articulador do time. Ao lado de Kaká, velocista e arrematador, eles se completam.

Dizia Parreira, é questão de equilíbrio. O time precisa de:

- um goleiraço (Júlio César);
- laterais que ataquem alternadamente;
- um zagueiro imponente (Lúcio), outro classudo (Juan);
- um volante cão-de-guarda (o meu preferido é o Pierre, do Palmeiras, ou o Lucas), outro habilidoso (Anderson ou Hernanes, do São Paulo);
- um meia articulador (Alex Cabeção), outro que assuma a condição de atacante (Kaká);
- um atacante driblador (Robinho) e um centroavante matador (Luís Fabiano, Adriano, Fred).

Assim, a defesa fica protegida, a bola chega ao ataque, o time tem variação de jogadas e maximiza o potencial de cada atleta.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Não subestimemos o capitalismo

O capitalismo não acabará, e não é necessário ser especialista para deduzir isso. O que alimenta o sistema não é a oferta de crédito e produtos. A questão está na outra ponta do processo: na demanda.

Enquanto houver consumismo, o capital ditará as regras. Se verificarmos os problemas que a população mundial tem com a crise financeira, veremos a falta de crédito e aumento de preço de eletrodomésticos e automóveis.

Ou seja, está mais difícil se endividar e comprar o que ninguém precisa para sobreviver. Oras, isso não é bom? Ninguém morrerá sem carro ou sem geladeira nova. A crise freia o consumismo, os gastos desnecessários.

Os prejudicados são os clientes dos bancos quebrados. Esses sim podem reclamar.

O capitalismo regula a si próprio; o que chamamos de crise, para ele, é reciclagem. Então, se for para discutir a situação, pensemos no preço do que importa – alimentos, por exemplo – e pensemos no dinheiro público (pacotes governamentais de salvação) corrigindo a besteira que interesses privados fizeram..

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Partido Oportunista

P.O. Não é nome de lanche de padaria nem de manda-chuva em capital federal. Trata-se do carimbo que o PMDB põe na própria testa.

O partido joga no time que ganha, seja da situação ou da oposição. Está com o PT no plano federal, mas rebela-se no estadual e municipal. Faz oposição quando tem oportunidades eleitorais e está com a situação quando não pode vencê-la.

É o mais votado partido do Brasil. Oras, por que, então, o PMDB não tem presidenciável? Por que não tem candidato forte ao maior estado e à maior cidade do país? Porque é partido de segunda, um parasita.

Há muito os conceitos de direita e esquerda acabaram. Hoje é situação ou oposição. O PMDB é os dois, conforme a salvação da própria pele.

domingo, 5 de outubro de 2008

O jogo democrático consolida-se

Ah, a democracia. Eleições de dois em dois anos é bom para o país. Os custos elevados do sufrágio e os aborrecimentos provocados pelos candidatos são o ônus para o nosso atual sistema político. Plenamente suportável.

Concordo com o presidente do TSE e com o francês Alexis de Tocqueville: eleições freqüentes fazem com que exercitemos o voto, a análise, o pensar o país. E os resultados surgem a longo prazo (não esqueçamos que a democracia brasileira tem apenas pouco mais de vinte anos).

Olha o caso da Bahia. Após a derrota do grupo de ACM em 2006, ACM Neto sequer foi para o segundo turno em Salvador. No Rio de Janeiro, Crivella ficou de fora (!), e Gabeira foi para o segundo turno. Maluf mal foi lembrado em São Paulo.

Há os percalços, inevitáveis, mas o jogo democrático consolida-se. A democracia americana, por exemplo, tem mais de 200 anos. Temos muito a percorrer, mas o caminho é o certo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O fim do Brasileirão segundo A cova

Com o simulador do Globoesporte.com, especulei como terminará o Campeonato Brasileiro. Clique na figura abaixo e veja a tabela segundo A cova.

Segui os seguintes critérios: a regularidade do São Paulo, a fraqueza do Flamengo, o favoritismo do Palmeiras, a força do Grêmio, a ascenção do Internacional, a qualidade do Fluminense, a fragilidade do Ipatinga, a sem-gracice do Botafogo.

Deu Palmeiras campeão e Flu livre do rebaixamento.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O homem é feito do pó

O mapa dos oito mares

Na entrada do casarão do padre Ernesto, uma estátua, solitária, olhava para os refantes; o resto era o zunido do vento e o cantar dos passáros. A escultura, de soldado, era feita de material acinzentado, provavelmente argila. Tinha mais de dois metros de altura, pés juntos e pernas esticadas, em posição de sentinela. Nas mãos petrificadas, havia uma espada de verdade, de lâmina grossa e brilhante apontada para o queixo. A estátua encarava o horizonte.

O capitão James Cara-de-touro dirigiu-se à porta, braço esticado para empurrá-la, disposto ao arrombamento se não cedesse. Quando a mão chegou a três centímetros da maçaneta em forma de argola, a mão esquerda da escultura desceu sobre o punho do pirata, como reprovação. A massa de argila não movera mais nada, permanecia com o olhar fixo no nada. Após segundos em que o grupo assimilou o espanto, a escultura disse com voz grossa:

- Posso ajudar? - e virou cabeça para fitar Cara-de-touro.

Todos afastaram-se da estátua falante. Maravilhado, padre Generaldo desatou a pular e a gritar.

- Milagre! É a manifestação de Deus Todo-poderoso! Ele trouxe Lázaro dos mortos, abriu as vistas do cego e agora dá vida à pedra! Milagre!

- A bênção, padre – pediu a estátua, ajoelhando-se e segurando a mão do sacerdote, que o abençoou imediatamente. - Sinto desapontá-lo, mas o único milagre presente em mim é o da concepção – e ergueu-se.

Enquanto se levantava, caía pó de todo o corpo, como se o material de que era feito estivesse em decomposição. Os humanos sequer tiveram tempo de aterrorizar-se, pois logo perceberam manchas cor de pele nos braços e no pescoço. Contrafeito, Arruda aproximou-se insolentemente e segurou com força o braço esquerdo do rapagão.

- Ahá! - voltou-se triunfante para os companheiros, erguendo a mão aberta. - Piada de português!

A mão estava acinzentada por uma espécie de tinta. Atrevido, ele passou o dedo indicador na bochecha do capitão, deixando-lhe um risco cinza. Enfurecido com o ludíbrio, Cara-de-touro procurou manter a calma.

- Olha aqui, monte de maquiagem – começou em tom ameaçador. - Abra essa merda ou por-la-ei abaixo!

- O que deseja, nobre? - respondeu, em tom cortês, o homem fantasiado de estátua.

- Na verdade, desejo arrancar-lhe os olhos e ver se Deus faz o milagre de devolver-lhe a visão, mas contento-me se trouxer a mim o padre que mora aí dentro.

- Releve esse bruto, meu caro fiel – intrometeu-se padre Generaldo, aproximando-se do grandalhão. - Eu sou conhecido do padre dragão, somos companheiros de batina e de orações. Você poderia levar-me a ele?

- Claro, reverência. Queira acompanhar-me.

Guillhermo González deu um passo a frente para segui-los, mas o sentinela o barrou.

- Está com o senhor, padre?

- Não, jovem. Não convivo com servos do diabo.

- Cretino! - ralhou Cara-de-touro, sacando e erguendo a espada. - Vai quebrar a promessa?!

- Não sou vil como piratas – retrucou o padre, em baixo, mas audível, tom. - Trouxe vossa heresia para junto do padre Ernesto. Se ele vai recebê-lo ou não é outra história. Mas prometo que intercederei por você. Quem sabe o dragão não o exorciza?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cada povo tem a imprensa que merece?

Da capa do Correio Braziliense de hoje: "Bancários e professores prejudicam brasiliense".

Com manchetes como essa, o jornal veste a carapuça de veículo de informação ligado ao GDF. O título é tendencioso ao subentender que os malvados funcionários judiam da população.

Fato é que os profissionais da educação enfrentam condições de trabalho inimagináveis. O próprio Correio noticiou há semanas a existência de gangues nas escolas da Asa Sul, e a imprensa faz vista grossa para a rotina de regiões como Sobradinho e Brazlândia. Sem falar do professor que apanhou de um aluno na Ceilândia.

Quanto aos bancários, preocupamo-nos apenas com a fila do banco, com o dinheiro retido no caixa eletrônico e com o bônus que não foi entregue. Esquecemos o ser humano que veste o crachá, uma pessoa que faz das tripas coração para corrigir a besteria que a instituição-banco cometeu.

Não à toa somos ignorantes. O mais influente periódico impresso local estimula o desconhecimento escrevendo asneiras.