quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Niemeyer escraviza Brasília

O arquiteto considera-se dono dos nossos olhares, obrigando-nos a ver o que ele quiser. Considera dono da paisagem brasiliense como os proprietários de escravos consideravam-se donos de pessoas. Ele deu chilique após um projeto seu – uma praça – ter sido recusado.

Brasília precisa se libertar desse senhor, a arquitetura não se resume a ele. Livremo-nos das suas obras escabrosas que desesperam os engenheiros por sua inviabilidade (como colunas de base pontuda, o que aumenta a pressão no solo e dificulta o suporte da estrutura) e os usuários por causa do desconforto (como prédios sufocantes da Universidade de Brasília). Cortemos as linhas curvas que desenha e que nos estrangula.

Além do mais, a Praça da Soberania, a praça do soberano Niemeyer, é bizarra. Brasília merece alforria.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A saúde da Presidência da República

Com a doença do vice-presidente José Alencar, preocupemo-nos com o futuro do Brasil. A linha de sucessão está perigosa.

É um senhor simpático o Alencar apesar de ser imposição do empresariado na chapa de Lula. Porém, não podemos deixar de pensar na hipótese de sua morte. É um setentão debilitado por várias doenças.

Se ele morrer e Lula não estiver à frente do Planalto – o petista é um sessentão –, quem assume a Presidência é o presidente da Câmara dos Deputados, talvez Michel Temer. Se este não puder, vem o presidente do Senado, talvez José Sarney (só assim para o Sarney conseguir as coisas: na saída dos outros). Ambos do PMDB.

O país não pode cair de vez nas mãos dos oportunistas do PMDB. Torçamos pela recuperação de Alencar e pela saúde de Lula.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Gostei da convocação de Dunga para o jogo contra a Itália

O critério de não convocar jogadores que estão no Brasil é correto. Naturalmente o cabeçudo manteve erros injustificáveis:

No gol, a perseverança no sem-futuro Doni. O treinador poderia chamar um goleiro jovem e prepará-lo para 2014, como Parreira fez com o imperador Júlio César em 2006; poderia ser Renan, do Valência ou Diego Alves, do Almería.

No meio, Lucas é melhor que Josué.

Mas no ataque, o treinador coroa a sensatez. Amauri não é jogador de Seleção. Na posição dele, estão à frente Luís Fabiano, Adriano, Kléber Pereira, Washington, Keirrison e Nilmar. Fred, se resolver jogar, entra nessa lista. Não há espaço para Amauri.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Abdome tanquinho, cérebro de azeitona

Fiéis leitores, comecei a fazer exercício físico. De segunda a sexta, corro pelas ruas do Distrito Federal. Esta é mais uma oportunidade para negarmos a mecanização da vida e a previsibilidade matemática das relações interpessoais.

Por que, ao inicarem tais atividades, pessoas recorrem à academia? Apenas para gastar dinheiro e encontrar aquele ser desagradável gabando-se de seus músculos artificiais; é a única explicação que vejo.

Os três quilômetros ao ar livre, contemplando a paisagem, são os mesmos três quilômetros sem graça e sem poesia em cima de uma esteira. Se as pessoas querem ombros largos, por que elas não fazem natação, mas musculação?

Porque não só os romanos são loucos, mas toda a humanidade. Em vez de serenatas, recitais, flechas e esporte, a vida moderna rege-se por Orkut, MP5, bombas e o inócuo movimento de erguer e abaixar halteres.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

As mentiras que a sociedade conta 3

Na onda da nova lei de estágio, a Universidade de Brasília (UnB) inventou a bizarrice de acompanhar o trabalho dos seus universitários. A preocupadíssima instituição quer garantir que seus alunos aprendam e não sejam explorados. Para isso, exigem que os contratantes apresentem um plano de estágio com as atividades a serem desenvolvidas pelo contratado. Caberá a um professor aprovar ou não.

Certo, vamos analisar:

1º Nós, estagiários, sequer vemos a cara desse infeliz professor;

2º Esse infeliz professor nunca mais vai se informar sobre o estágio realizado;

3º Esse infeliz não vai acompanhar o dia-a-dia dos milhares de estagiários, então, não saberá de eventual exploração;

4º Inúmeros relatos de estagiários, cuja identidade preservo, mostram que são mais bem tratados no estágio do que nas salas de aula da UnB;

5º Dependendo do curso e da disciplina (no Departamento de Jornalismo, por exemplo) há mais aprendizado no estágio do que nas salas de aula.

Portanto, UnB, não adianta bancar a universidade que se importa com os alunos. Já que melhorar a qualidade dos docentes é exigir muito, reduza a burocracia e deixe-nos em paz.

Leia as mentiras que a sociedade conta 1 e 2.

Ecológico por enquanto

Nas proximidades da área destinada ao Setor Noroeste, há dezenas de placas e faixas do Governo do DF - confeccionadas com o nosso dinheiro - com os dizeres: Noroeste, bairro ecológico.

De fato, se a área continuar como está, cheia de árvores - somente árvores -, permanecerá um belíssimo bairro ecológico. Porém, se o governador Arruda e o vice Paulo Octávio derrubarem-nas, não poderei garantir o epíteto.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Habemus Obama

Fumaça negra na Casa Branca, o presidente do mundo está empossado.

Os Estados Unidos esperam que Mr. President traga-os de volta aos anos dourados, mesmo que à custa do subdesenvolvimento dos outros. O resto espera que os Estados Unidos não sejam os Estados Unidos. Só assim para o Oriente Médio ter paz, a África, evolução, e a América Latina, atenção.

Resumindo, cabe a Obama fazer com que o próximo presidente não necessite discursar com aparato de segurança recorde.

OBS: Que o dízimo de Kaká pague indenização aos prejudicados no incidente da Igreja Renascer.

PS da OBS: O jogador fez bem ao permanecer no Milan.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O preconceituoso e o perigoso

Se a extradição do condenado italiano não sai, o Brasil poderia expulsar dois terroristas que atentam contra a segurança nacional: o popular e o mesmo.

Volta-e-meia leio no Correio Braziliense: “... um popular chamou a polícia...”, “... um popular que esteve no local...”. Danado o popular, não? Não. Trata-se de expressão pobre e preconceituosa. Há populares no Lago Sul, no Leblon, em Alphaville?

O mesmo é mais perigoso, ele pode te atacar! Por isso sempre devemos verificar se ele se encontra no andar. Filho do Google, o Orkut, confessa: tem medo do mesmo. Eu também. Defenestremo-lo!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Projeto: Brasil sempre mais

O projeto de nação e país dos Emirados Árabes é o projeto que eu gostaria para o Brasil. O governo explora os recursos do território, mantém o nível de vida da população em alta e pode gastar o que quiser.

Não sei se a teocracia árabe prepara as finanças do país para quando o petróleo acabar. Essa é a única precaução que exijo: providenciar a boa vida do povo na era pós-petróleo.

No Brasil, esse problema é reduzido, pois as alternativas econômicas tupiniquins são variadas. Por isso, o Maluf pode roubar o que quiser, a cúpula do PT aprontar o que quiser e o Luiz Estêvão enriquecer o quanto quiser. Contanto que todo brasileiro viva bem.

Enquanto o dono dos Emirados Árabes oferece £ 100 mi pelo jogador de futebol Kaká, desejo de menininho mimado, a população do país tem o 31º Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo. O Brasil está em 70º. Os árabes também estão na frente do Uruguai, de Portugal, República Tcheca e Chile. São 0,90 ponto, considerado pela ONU como elevado nível de desenvolvimento. O IDH leva em conta saúde, educação e qualidade de vida das crianças.

Ah! Ofereça £ 1 bi pelo Obina! Não importa.

No outro lado da negociação, o Milan quer o dinheiro, o que seria um erro gravíssimo. Se o clube italiano quer dinheiro, venda o Pirlo, o Gattuso, o Ronaldinho e o Pato e feche as portas. No futebol importa a qualidade do time. Se vender Kaká, o envelhecido Milan perderá seu melhor jogador. Daí gastará o dinheiro na compra do Messi. Adeus, grana! Valeria a pena?

Além disso, o jogador não deve sair do Milan rumo a um time de nada por causa do salário. Se o Kaká quiser dinheiro, ele deve fazer como o Beckham: vire modelo, ator, garoto-propaganda e pare de jogar bola. No campo, deve-se atuar entre os melhores, nos melhores clubes. Kaká sabe disso.

O Manchester City nunca será grande. A estratégia de montar equipes com os melhores jogadores do mundo deu errado várias vezes. As mais famosas foram o Brasil da Copa de 2006 e o Real Madrid com Zidane, Ronaldo, Figo, Beckham, Roberto Carlos e Casillas.

Não basta contratar os melhores. O time precisa de entrosamento e jogadores identificados com o clube. O Santos de Pelé foi o melhor clube do século passado, mas não tinha os melhores. Coutinho, Zito, Pepe não eram melhores que Vavá, Didi e Garrincha ou Canhoteiro, mas eram identificados com o Santos e bons de bola. Portanto, trazer Kaká, C. Ronaldo, Buffon, F. Torres e Fábregas, como a imprensa especula, não adiantaria. O Manchester City continuaria um time de quinta.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

É difícil ser honesto no Brasil

Ontem eu voltava para casa pela Estrutural, via paralela à que dá acesso ao meu bairro, a EPTG. Entrei no retorno que desemboca na pista que liga as duas vias citadas. No retorno, uma fila indiana de carros aguardava o momento ideal para entrar na via de ligação. Ali há espaço para duas filas, mas se dois carros entrarem ao mesmo tempo na via de ligação, o risco de acidente aumenta. Logo, pessoas de bem se postam em fila indiana e aguardam – com paciência e polidez – a vez.

Contudo, há os que enfiam a frente do carro em cada espaço possível a fim de ultrapassar os enfileirados. Ao entrar na via, entram junto com a pessoa que aguardou segundos/minutos. Contrariado, eu procuro fechar quem burla a ordem de chegada.

Fiz isso ontem. Olhei de cara amarrada para o motorista pilantra e, vejam que cara legal, ele fez sinal para eu passar na frente para nós dois tapearmos a fila inteira. O típico “me dá frentinha que eu te dou frentinha” dos tempos de pivete. Estupefato, ignorei. Então, ele resolveu passar por mim já que eu não endossei a corrupção do dia-a-dia. Ele só não me ultrapassou porque o meu retrovisor impediu. Veja bem, fiel leitor, ele estava tão próximo de mim que apenas o meu retrovisor impediu a ultrapassagem malandra. Enquanto isso, outro tentava ultrapassar-me pelo lado direito. Diante disso, despi o manto de cidadão e arranquei, cantando pneu e fechando ambos abruptamente.

O reiterado estresse mina a saúde e semeia os cabelos brancos. Por isso o Brasil é lascado e as pessoas infartam: sempre há quem queira tirar vantagem em tudo. Para ser do bem, para combatê-los, é preciso ser do mal.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A maquiagem de Maysa

Corrijam-me se eu estiver errado:

Quando a protagonista da minissérie Maysa canta - com aquela maquiagem branca, bochechas protuberantes e batom vermelho - ela não parece o Coringa do Batman?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Não há efervescente que dê jeito.

Ler jornal dá azia no presidente Lula.

Há um erro semântico, presidente. O que dá azia são os assuntos publicados.

Ver o Executivo lotado de ministérios para atender indicações políticas;

Ler que os bancos nunca lucraram tanto como no governo atual

Ouvir que a inútil reforma ortográfica foi assinada;

Acessar que o Brasil não tem tecnologia para explorar o pré-sal;

Político corrupto;

Aliança com o PMDB dá azia; tudo isso dá azia.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O incorrigível

Um dos maiores rivais do cidadão contemporâneo é o corretor do Word.

Se os pré-históricos tinham problemas com as paredes irregulares e os medievais com a tinta insuficiente, nós, atuais ocupantes do planeta, guerreamos dia a dia com esse Leviatã da informática.

Nada me irrita mais do que o sublinhado verde e vermelho do corretor, as cores desviam a minha atenção do que escrevo. Quando me disponho a parar o raciocínio para retirá-las, acontece o que descrevo a seguir.

Se a correção não é ortográfica, aparece a linha verde, 99% das vezes equivocada. Então, clico na opção “Ignorar sentença”, e o que acontece? Após a primeira letra que digito, a maldita linha verde reaparece.

Mas hoje, fiéis leitores, aconteceu-me algo inédito. Escrevi uma frase na voz passiva, algo como “usava-se roupas...”. O corretor sublinhou de verde e sugeriu “usavam-se”. Concordei com ele e mudei para o plural. Em um segundo, o trecho voltou a ficar sublinhado de verde. Qual não foi minha surpresa quando li a sugestão: mude para “usava-se”. Mudei. Continuou verde, sugerindo “usavam-se”.

Felizes dos antepassados cujas penas ficavam caladas.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Futebol fluminense onde merece

Após um ou dois anos de força, o futebol do estado do Rio de Janeiro voltou ao ostracismo. Ano passado o Fluminense foi finalista da Libertadores, disputada pelo Flamengo. Nos últimos anos, Flamengo e Fluminense conquistaram a Copa do Brasil. Em 2007, havia quem dissesse que o Botafogo tinha o futebol mais vistoso do país.

Hoje os três nada são (lembro que não falo de time de Série B). No Flamengo, Ibson está em final de contrato, Obina é a salvação. O Fluminense perdeu seus melhores jogadores. O Botafogo só tem lágrimas para escalar.

PS: Volto a falar do Corinthians. Como pode os torcedores e a diretoria de tal espécime contar vantagem por contratar o Souza? O brilhante Souza! Melhor escalar o Ronaldo como está.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Proto-ditador

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, se esforça a fim de tornar-se ditador, mas não consegue, tadinho. Expulsar de Caracas o embaixador israelense vai na contra-mão do que o mundo precisa. Em vez de convergir, agregar, unir, Huguinho quer o confronto, a encrenca, a balbúrdia.

Ou então quer apenas apoiar o Hamas, que apóia o fundamentalismo islâmico, que apóia países da Opep.

Mas, Vossa Insolência, vossos dias estão contados. Assim que o petróleo no mundo acabar, o peso político da Venezuela vai para as cucuias, e o Chávez mais importante do mundo voltará a ser o mexicano, com todo o mérito.

Aliás, espero que o Brasil, como nunca antes nesse país, seja potência mundial quando o ouro negro secar. Senão os Estados Unidos, a União Européia e a China farão conosco um Congresso de Viena ou, pior, vão nos invadir. Pelo menos o Oriente Médio terá sossego.


PS: Não sei o emprego de ambos os hífens deste post quanto a quaisquer das grafias oficiais.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Contradição ortográfica

Li que a Presidência da República e o Congresso Nacional não adotarão de imediato a nova ortografia oficial. Apenas o Supremo Tribunal Federal (STF) preparou-se para a mudança ao capacitar profissionais nos últimos três meses.

Nada mais natural. Os 11 do STF são há muito o escrete nacional, pelo menos desde que Ricardo Teixeira fez a trapalhada de nomear Dunga técnico da Seleção. Os 11 magistrados estão prontos para a adaptação de grafia.

Por outro lado, os outros poderes não estão. Defendo que Lula não precisa de diploma para presidir o Brasil, mas assinar o acordo ortográfico foi analfabetismo, comprovada com a não-adesão do Planalto quando o acordo entrou em vigência.

Quanto ao analfabetismo do Congresso Nacional, ela é famosa. Parlamentares não conseguirem escrever direito com grafia nova ou velha é previsível.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Triste crepúsculo

O segundo assunto importante dos primeiros enterros de 2009 refere-se a 2008. É uma palavra de belíssima grafia e belíssimo significado; talvez por isso esteja tão banalizada. Trata-se de crepúsculo.

Crepúsculo dá nome ao melhor-vendedor de Sthepenie Meyer e ao filme referente ao livro, a que assisti para cumprir obrigações conjugais. Na trama, uma adolescente americana apaixona-se por um vampiro que quer mordê-la. Nada mais natural, mulheres gostam de serem mordidas.

O fato de Edward Cullen ser vampiro faz dele forte, rápido, pálido e leitor de mentes. Isabella Swan não se importa com nada disso, está disposta a tudo pelo amado que a leva para dar um passeio na mais alta árvore da região.

Clichê, tudo isso é clichê. O Homem-aranha foi picado por uma aranha e ficou forte, rápido e ágil. O Super-homem leva Louis Lane para voar toda semana. O filme (não li o livro) nada traz de inovador ou surpreendente.

Isso é sucesso no mundo. Ouvi falar de pessoas que assistiram ao filme e desesperaram-se para ler o livro. Não contesto o interesse por literatura/cinema comercial, aliás, incentivo o seu consumo. Nem só de Kafka vive o homem.

Contudo, idolatrar isso é temerário. São apenas páginas sem conteúdo com final previsível. É apenas um enredo adolescente.

Até a última sílaba

Eu sei, fiel leitor, que está atualizando a página desde os primeiros segundos do dia. Sim, A Cova está de volta. Tenho dois assuntos urgentes a tratar, o primeiro está neste post, o segundo, no post acima.

Saibam, deuses da gramática, que resistirei contra a reforma ortográfica até a última das minhas forças. As minhas idéias continuarão acentuadas; agüentarei a tempestade junto com o trema, dando-lhe refúgio; lutarei pela heterogeneidade, pela tolerância entre os povos: usarei os acentos diferenciais.

Tenho quatro anos de habeas corpus lingüístico. Disponho-me a erguer a espada da coerência, do estilo e da beleza da língua portuguesa até a última sílaba.