sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Perguntas que querem calar

Os fiéis leitores sabem do meu apreço e desapreço pela imprensa. Não fosse o jornalista, o mundo nada saberia sobre si mesmo. Somos a versão moderna dos mensageiros e caminheiros do passado, que noticiavam de boca a boca. Por outro lado, faço questão de admitir, a imprensa imediatista/oportunista/sensacionalista é insuportável.

Entretanto, o que nos últimos meses tem me incomodado é outra coisa: as repetidas perdas de oportunidade dos entrevistadores. Quando têm a faca e o queijo na mão para pôr o entrevistado na parede, a imprensa dá para trás, mistura de inexperiência, inabilidade e interesses privados.

Vejo o CQC, da TV Bandeirantes, como o expoente-mor dessa teoria. O programa estourou de sucesso, mas aos poucos esqueceu o seu melhor: perguntar o que o público quer saber. Em vez de extorquir as informações mais escabrosas de Malufs, Chávez, Serras - ou pelo menos forçar o silêncio constrangedor deles -, várias vezes os repórteres preferem a piada gratuita, a gracinha sem conteúdo, apenas para fazer trocadilhos.

Outro caso, recente, é o do bispo que negou o Holocausto. Meses depois da negação, pediu desculpas pelo dito. Contudo, não vi em nenhum meio de informação a pergunta: então o senhor admite a existência do Holocausto, mudou de opinião?

A princípio, pensei ser coisa de TV aberta, menos independente, mas me enganei. No Espaço aberto, da GloboNews, Alexandre Garcia - vejam bem, o calejado Garcia - entrevistou o dono do Senado, José Sarney. Não vi todo o programa, mas em um trecho, Garcia questiona o senador sobre seu caciquismo no Maranhão. Sarney desmentiu, e ficou por isso mesmo. Oras, insista! Há exemplos suficientes de como ele manda e desmanda por aquelas bandas. Não nos contentemos com a primeira resposta.

Por fim, o caso da brasileira Paula Oliveira, na Suíça. Só quero saber o seguinte: qual a responsabilidade do namorado dela no caso?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Alerta pela saúde pública

Não deixe a minha preguiça dominar você.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Agora sim

Feliz ano-novo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Carne é val

A maioria dos brasileiros não sabe a verdadeira graça do carnaval. Não são as mulatas, as folias, os beijos em bocas com dezoito DNAs distintos. A magia do carnaval traduz-se no consumo de carne.

Os antigos jejuavam em determinada época do ano. Logo, antes das vacas magras, deliciavam-se com as gordas. Todos propalavam: comer carne é válido, carne é val. Depois estariam preparados para purificar-se à base de fome.

Quisera todos adotássemos os bons costumes. Assim não haveria vegetarianos anoréxicos insuportáveis e seus sanduíches de luz. Incorporemos o espírito da mais brasileira das festas, tão brasileira que veio da Itália. Tomai todos e comei.

PS1: A cova volta na quarta-feira de cinzas. Não contarei aonde vou para não me perseguirem.

PS2: Hoje fui ao posto de gasolina. Na ida, um carro estava parado na esquina, com o capô aberto, enguiçado. Na saída do posto, ele não estava mais lá. Estava metros adiante em outra esquina, enguiçado. Alguém me explica o raciocínio do sujeito?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A guerra do fim do mundo

O mundo está prestes a acabar há muito. Todos conheciam o motivo do apocalipse, ninguém me contou.

Ontem um rapaz veio instalar um aparelho na minha casa. Procedimento feito, ligou para a empresa a fim de ela liberar o sinal da máquina. Ele deixou o telefone no viva-voz para eu ouvir. Uma voz gravada atendeu-o, e ele esperou dezenove minutos para ser atendido, ouvindo propaganda.

Até os funcionários das empresas estão nas garras do call center. Estamos perdidos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Show de calouros

Ontem a Universidade de Brasília (UnB) divulgou a lista de aprovados no primeiro vestibular de 2009. Os felizardos se juntam aos aprovados por meio do Programa de Avaliação Seriada (PAS).

Alguns dos novos universitários têm 15, 16 anos. Estão preparados para a mudança de vida de um ano para o outro? Eis a questão de fácil resposta: não.

Pessoas tão jovens não estão preparadas para lidar com mercado de trabalho; não imaginam o quão negligentes, desinteressados e incompetentes serão alguns professores; não têm rodagem cultural e acadêmica para entender Weber ou cursar Cálculo 3.

A solução não é adaptar o sistema de ensino a eles. Melhor deixar que aprendam sós; que caiam e levantem; que passem horas na parada de ônibus; que repitam disciplinas pela primeira vez; que se obriguem a almoçar no restaurante universitário em troca da comidinha da mamãe; que encarem os coleguinhas usando drogas e tenham coragem e maturidade para negar as ofertas delas.

Sofrerão no princípio, mas tornar-se-ão adultos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PMDB tem de expulsar Jarbas Vasconcelos

O senador por Pernambuco não combina com a filosofia do partido. Ele não segue os ideiais de corrupção, ganância e oportunismo. Ele não corrobora com Sarney, Renan e Roriz.

Fora, senador, o PMDB não é o seu lugar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crime do tênis branco

Falemos com clareza:

Os adolescentes do Plano Piloto que combinam brigas para resolver desavenças são bandidos. Ban-di-dos.

Quando se mostra a violência das pessoas de menor renda, chamam-nos de criminosos. Deve-se dizer a mesma coisa, então, desses filhinhos de papai.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Direito ao mau-humor

Fiel leitor, não deixe a imprensa enganá-lo.

Os últimos dias do noticiário esportivo focaram o mau-humor do técnico do São Paulo, Muricy Ramalho. Acusaram-no de tratar repórteres com grosseria.

A grosseria de Muricy é fato, mas justificada. A imprensa se faz de coitadinha, monta melodrama, mas ela é quem trata as pessoas mal.

O treinador descarregou a raiva em um repórter achando que este o ironizou. Muricy errou, mas isso não dá direito aos jornalistas de crucificá-lo. O jeito turrão dele é normal, faz parte da personalidade. O tratamento desrespeitoso com o repórter foi exceção.

Diário é o tratamento desrespeitoso da imprensa com os demais. Um dia, Mano Menezes aparece bocejando, o que tem valor jornalístico zero; no outro, Luxemburgo aparece rebolando com cabelo black power em uma charge; no terceiro, surgem receitas de chazinho para acalmar Muricy. E não tô falando de programa de fofoca, e sim da imprensa tradicional.

Todos os dias, entrevistados são ironizados, sacaneados e criticados por jornalistas e raramente rebelam-se. Quando um deles deu o troco, jogaram pedras.

Os jornalistas têm o monopólio da veiculação de informação. Podem falar o que quiser e quando quiser em blogs, transmissões esportivas, comentários e mesas-redondas. Os entrevistados, por outro lado, só aparecem sob as condições do jornalista: no espaço que este determinar e após passar pela edição que ele fizer.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pluma

Enquanto você não volta a revolta faz revira-volta no que chamo de eu
O mundo dá voltas, mas sei que você não me esqueceu
Sei que pensa em mim, em nós e escuta a minha voz
Sente a minha pele e não me repele, sei que repete meu nome
Sei que abraça o travesseiro como se me abraçasse
Não adianta mentir nem vestir esse disfarce
Eu olho a sua face e vejo você desarmada
Mas não se preocupe, não sou alma desalmada
Você é minha amada, não abro mão disso
Rode a baiana, dê escândalo, faça rebuliço
Que eu exigo invadir sua vista e seus sonhos
Senão eu fico tristonho pra mim e medonho para o mundo
Nosso amor é fecundo, oriundo de algo muito bonito cujo nome desconheço
Só sei que sou menino travesso, e você é menina manhosa
Com perfume de rosa e pele de pêssego que me tira o sossego
Faz-me rir, dormir apalpando a cama vazia
E abraçar o travesseiro como se fosse você

A favor da pena de morte

Se em julgamento legal e com ampla defesa e contraditório o homem que matou um rapaz e baleou e estuprou a namorada dele for condenado, acho que a pena deve ser a capital: morte. Não vejo outra punição mais adequada.

Críticos da pena de morte dizem que, nos EUA por exemplo, ela não reduziu a criminalidade. Porém, o objetivo dela não é esse, e sim o de impedir que o criminoso repita tal barbaridade.

Crimes como tortura, estupro e corrupção deveriam ter a morte como pena. Quando alguém desvia milhões, bilhões de dinheiro público (ou de dinheiro privado, para não pagar imposto), priva inúmeras pessoas de saúde, educação, segurança e qualidade de vida. É um homicida em série.

Incluir a pena de morte no ordenamento jurídico brasileiro é algo muito sério, que requer muita análise, mas que deve começar a ser discutido.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Mancha no conhecimento

Mais do que a dupla eleição peemedebista no Congresso Nacional, preocupa-me as pessoas escreverem em livros. Somos nós tão incapazes para escrevermos os nossos que precisamos manchar a obra dos outros?

(Lembro-me do americano Hunter Thompson, que reproduzia livros de Scott Fitzgerald para ter a sensação de redigir linhas tão bem feitas – mas esse não é o assunto.)

Tenho o hábito de comprar livros em sebos (ou em brechós de livros, expressão eufemística), verificando a procedência da obra usada, se está conservada, rabiscada, com dedicatória. O último que adquiri está ótimo, sem nada escrito nas primeiras páginas. Qual não foi a minha surpresa quando, uma página depois, vi o prefácio manchado com marca-texto rosa.

O livro parece sangrar. Que o criminoso tenha a providência de não me encontrar, pelo bem de sua vida e pelo bem de minha liberdade, pois a justiça dos homens ignorantes não compreendem a vingança contra tais bárbaros. Rabiscar, sublinhar, acrescentar qualquer gota de tinta, nanquim ou grafite em um livro é abominável. Pode ser a solução paliativa de necessidades inadiáveis, mas em seguida, depois daquela pesquisa terminada, daquela prova feita, a marcação continuará ali para sempre. Imagine se no mesmo livro fizermos três, quatro pesquisas com fins distintos. Teremos a quase totalidade da obra pintada de três, quatro cores diferentes. Na quinta consulta, não haverá o que destacar.

Por isso, defendo que o leitor transcreva o trecho desejado, com a fonte citada. Assim, ter-se-á o livro incólume e preparado servindo gerações e gerações, além de assimilar melhor o conteúdo em questão.

Talvez (talvez!) seja plausível anotar a definição de palavras complexas na margem da página, mas não o recomendo. Prefiro recorrer sempre ao dicionário a fim de manter o saudável costume de consultá-lo. Sem escrever nele.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Imponha-se, Brasil

Fiéis leitores, formei opinião sobre o caso do italiano Cesare Battisti. Relutei em fazê-lo por desconhecer o regime político e a militância comunista italianos dos anos 70, por aceitar a vontade italiana de puni-lo e por desconhecer os motivos do ministro da Justiça, Tarso Genro, de manter Battisti aqui. Integrantes do governo petista precisaram de refúgio anos atrás, reconheçamos o “já senti na pele” do ministro.

Entretanto, adotei um argumento que passa por cima do parágrafo anterior. É inaceitável a insistência, a arrogância e o chilique da Itália perante decisão soberana do nosso país. Não adianta, ragazzos, coagir-nos, ameaçar-nos com recursos à União Européia, ao padre Cícero ou ao diabo. Tomamos nossa decisão e exigimos respeito.

O Brasil deve se impor e mostrar que não será feito de gato-e-sapato conforme os desejos estrangeiros. Chega do tratamento que recebemos nos aeroportos espanhóis apesar de portarmos os documentos exigidos; chega da publicidade preconceituosa nas ruas de Nápoles, em que policiais homens revistam, de forma grosseira e abusiva, mulheres no Rio de Janeiro; chega de conformismo e cabeça baixa nas competições esportivas quando somos prejudicados escandalosamente. Se o líder da maratona nas Olimpíadas de Atenas fosse americano, e não um brasileiro, e um maníaco o atrapalhasse durante a prova, George Bush teria invadido a Grécia e dado medalhas de ouro aos seus compatriotas, inclusive aos perdedores.

Quando a extradição do banqueiro Cacciola foi-nos negada pela Itália, não demos birra. Agora os mesmos italianos aparecem com palavras de ordem. Não podemos ceder.