quarta-feira, 29 de abril de 2009

Espírito de porco

Vejo todos os dias jogarem bitucas de cigarro, embalagens, comida nas ruas.

No Brasil, a gripe suína é cultural.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A voz

Com a greve do sindicato dos professores do DF (veja bem, greve não dos professores, e sim do sindicato), arrasta-se um bate-boca na imprensa digno do STF. O mais legal trava-se no rádio.

Quando surge o "informe publicitário", pode saber. A voz padrão dos informes publicitários falará. A mesma voz fala bem ou mal do governo, diz que as assembléias do sindicato estão abarrotadas ou às moscas, afirma que os professores vivem como sultões ou como ganhadores do salário mínimo. Depende de quem a contratou.

Enquanto isso, a população desinforma-se a cada bombardeio de informações conflitantes, talvez todas mentirosas.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Melhor que nada, pior que a média

Escrevi que Ronaldo não tem mais condições de jogar em alto nível. Mantenho minha posição.

A qualquer momento ele pode sofrer contusão muscular, como aconteceu no Milan e no Real Madrid. O físico dele é mais frágil do que a média. Não dá para pagar R$ 400 mil mensais a um jogador assim, que pode desfalcar o time em jogos importantes e abrir espaço para o Souza.

Até agora deu tudo certo, ele marcou belos gols, mas não comparecer a certos jogos, pré-requisito de sua atual condição, pode custar campeonatos.

Ronaldo ser melhor que Souza, Obina, Tardelli e Ciro é inegável, mas atacantes medianos como Washington e Borges e promissores como Keirrison são preferíveis. Sem falar no excelente Nilmar.

Dizer que Ronaldo é o melhor do Brasil é temeridade. Melhor do Brasil quando? Nas últimas duas semanas? Então vamos escolher o melhor do Brasil de hora em hora. Taí o twitter.

domingo, 26 de abril de 2009

Balanço de uma ida ao sebo

Fiéis leitores, gostaria de dividir com vocês o prazer da noite de sexta passada. Após o expediente, dirigi-me a um charmoso lugar de Brasília: o Sebinho.

Sempre há surpresas nas estantes do principal cedo da capital. Nesse dia me esbaldei com edições da Nova Cultural, de capa dura e estilizada, publicações do melhor da literatura. Adquiri:

- Os três mosqueteiros, de A. Dumas;
- Fausto, de Goethe;
- Histórias extraordinárias, de E. A. Poe;
- O vermelho e o negro, de Stendhal; e
- Ana Karenina, de Tolstói.

De outras editoras, comprei O livro das mil e uma noites, vol. 1, e O cortiço, de Aluísio Azevedo. Descobri ter trinta livros não-lidos. Aguardem as próximas críticas.

sábado, 25 de abril de 2009

Os abutres farejam

Com o câncer de Dilma Roussef, aumenta a cobiça pela vaga de vice-presidente na chapa petista em 2010.

O PMDB não perderá a chance de exercitar o próprio oportunismo.

O quadrado tornou-se buraco negro

Duas situações que presenciei me fez lembrar da postagem Cada um no seu quadrado, em que critico o uso excessivo do laptop. O que imaginei ser empolgação com a tecnologia tornou-se doença.

Primeiro tive uma aula cancelada porque o laptop não suportou o arquivo que continha o filme a ser debatido. Os organizadores da aula disseram que tiveram de baixar o filme porque ele não existe em DVD, apenas em VHS. Como se fosse um absurdo assistir ao filme em fita.

No dia seguinte, outra aula atrasou 45 minutos porque o laptop não funcionava com o projetor de imagem. Assim, os alunos que apresentariam o seminário e o professor ficariam sem apresentação de slides. Como se fosse impossível explicar algo sem PowerPoint.

Sócrates, Galileu, Einstein, Santos Dumont não usavam computador.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Prévia é bom para o pósvia

Partido que evita prévia perde oportunidade de se fortalecer, caso do PT-DF na disputa para governador em 2010. Prévia mostra como o partido é democrático, argumento para propaganda eleitoral; dá satisfação ao perdedor; aglutina a legenda em torno do vencedor. A disputa democrata na escolha de Barack Obama exemplifica o sucesso das prévias.

Quem não gosta de prévia é candidato covarde, como José Serra; quem erra ao desestimular o embate dele com Aécio Neves é o PSDB, que assim não fica unido em torno do governador paulista nem cala o governador mineiro.

Serra não querer as prévias é compreensível; o PSDB dispensá-las, não. O raciocínio aplica-se ao PT-DF.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Reconhecimento ainda que tardio

O Dia de Tiradentes traz à tona o principal lugar do Brasil: Minas Gerais. Há muito o Rio de Janeiro não é a referência nacional, só falta admitirmos.

As cidades-sede da Copa-2014 sequer foram definidas, e o Maracanã é o palco da final. Quando se pensa em palavras para resumir o país surge o samba. Papo de saudosistas.

Minas Gerais é o principal estado brasileiro. Lá nasceram o revolucionário Tiradentes, bode-expiatório da Inconfidência Mineira; Tancredo Neves, a luz no fim do túnel que se apagou; Juscelino Kubistchek, considerado o melhor presidente da República, apesar de eu descordar; Pelé.

Enquanto o Rio de Janeiro produzia malandros e São Paulo insistia no café, Minas fornecia leite, o primeiro alimento do homem. Acorde, Brasil.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pela graça

A comemoração de Ronaldo no gol marcado ontem contra o São Paulo foi o melhor momento do jogo. Ao ironizar a confusão quanto ao gesto de Christian no jogo passado, o centroavante contribui para a graça no futebol (tão defendida por um comparsa).

Quando no Real Madrid, Ronaldo e Roberto Carlos comemoravam gols simulando baratinhas: deitando no chão e sacudindo as pernas. Os adversários argumentaram que era deboche dos brasileiros. Após o protesto, em um Brasil x Venezuela, Kaká marcou um gol e na comemoração recebeu tapas na cabeça. Ronaldo explicou que ninguém pode comemorar: fez gol, apanha.

Mestres da arte usavam a ironia como expressão. Ronaldo faz como Machado de Assis e Charles Chaplin. Eles dão graça à existência.

O Corinthians mereceu classificar-se por finalizar melhor.

domingo, 19 de abril de 2009

Breve história da entrevista

O jornalismo diferencia-se como ramo do conhecimento por sua literatura especializada servir não apenas para os estudantes e profissionais da área, mas também para o público em geral. Como a maioria das pessoas acompanham notícias, cabe a ela informar-se sobre a produção das reportagens. Difícil imaginar um pedreiro lendo Cálculo ou um advogado lendo A formação das leguminosas. Porém, qualquer um pode ler A arte da entrevista.

A seleção de entrevistas feita por Fábio Altman, somada às ácidas caricaturas de Cássio Loredano, contam a história do Brasil e do mundo desde o século XIX e conta a história da entrevista como braço do jornalismo. Impensável hoje ver os jornais sem os textos de perguntas e respostas ou sem os perfis.

Quem não estiver disposto a ler as 480 páginas pode selecionar as entrevistas que mais lhe interessam. Há políticos como Getúlio Vargas e J. K. Kennedy, artistas como Picasso e Samuel Beckett, pacifistas como Gandhi e Dom Hélder Câmara. Gente de todo tipo como o mafioso Al Capone, o indefinível Madame Satã e o cientista Thomas Edison.

Os curiosos por ler frases ditas por famosos encontrarão Marx, Freu, Drummond. Eu recomendo as entrevistas do escritor russo Tolstói, do comunista Luís Carlos Prestes e de Lula, antes da eleição de 2002.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Constituição do Maranhão proíbe Roseana Sarney de assumir o governo

Constituição do Estado do Maranhão:

Art. 61: Vagando os cargos de Governador e de Vice-Go­vernador do Estado, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.

§ 1º. Ocorrendo a vacância nos dois últimos anos do período governamental, a eleição para ambos será feita trinta dias depois da última vaga, pela Assembléia Legislativa, por voto nominal.

Art. 60 - Em casos de impedimento do Governador e do Vice-Governador do Estado, ou de vacância dos respec­tivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício do Poder Executivo o Presidente da As­sembléia Legislativa e o Presidente do Tribunal de Justiça.

Resumindo: o presidente da Assembléia Legislativa é o novo governador do Maranhão. A Assembléia deve em trinta dias realizar eleições para completar o mandato de Jackson Lago. A Constituição do estado não diz que o segundo colocado da eleição deve assumir o governo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Óbvio ululante

Fiéis leitores, contradizer-me-ei.

As damas e os cavalheiros sabem do perfil deste blog: buscar o que as outras mídias não mostram, publicar a face não esbofeteada. Porém hoje quero abrir exceção e escrever sobre o óbvio (oras, os senhores dirão, se é óbvio não precisa dizer).

Presidiários na Flórida vão pagar pelas estadas na prisão. Aliás, em muitos países - os sensatos - os presos custeiam com trabalho o próprio cárcere. Por que cargas-d'água os brasileiros têm que pagar as diárias de quem os roubou, feriu ou tirou pessoas queridas?

Hoje um dos donos do Brasil, Daniel Dantas, vai depor na CPI das Escutas. O STF (o escrete nacional!) concedeu-lhe habeas corpus para permanecer calado. Então para que depoimento? Entreguem os nossos salários para ele logo, não precisa de encenação.

José Simão, onde você compra colírio alucinógeno?

terça-feira, 14 de abril de 2009

EUA, ame-o ou deixe-o

Um dos mistérios da vida para mim é o embargo dos EUA a Cuba. Não o embargo em si, mas o desejo castrista de suspendê-lo.

Oras, os EUA não são os inimigos número um?! Por que comercializar com eles? Situação semelhante acontece na Venezuela, onde os revolucionários bolivarianos dependem da venda de petróleo aos yankees. Sim! Chávez depende dos imperialistas.

Se alguém puder explicar as contradições, agradeço.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O sofisma de Pernambuco

A moda irritante do momento é o suposto bom futebol do Sport Recife. Por ganhar o Campeonato Pernambucano sempre e por duas vitórias na Libertadores, a crônica esportiva fez desse time secundário um time de primeira.

Contudo, campeonato estadual só serve para a saudável rivalidade, não para mensurar qualidade. Na Libertadores, o Sport venceu a enfraquecida LDU e o Colo-colo, equipe chilena limitada.

Quando os pernambucanos forem eliminados do torneio continental, voltarão a ser o que sempre foram: coadjuvantes no futebol brasileiro. Sem projeção nacional, gordas cotas de patrocínio e títulos, não se pode ser grande.

sábado, 11 de abril de 2009

O gênio da Lampedusa

Único romance de Giuseppi Tomasi, O Gattopardo ilustra o que eu disse sobre a arte literária na crítica anterior. 40% dos fiéis leitores - 2 - não entenderam o conceito.

As ilusões armadas e O sacerdote e o feiticeiro, de Elio Gaspari, são livros documentais, objetivos e diretos. Lê-se pela informação, não pelo prazer de ler. Por outro lado, O Gattopardo tem linguagem própria, imprevisível, poética, característica dos grandes autores como Lampedusa, García Márquez, Machado de Assis e Saramago.

Exemplifico: em Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis diz que o romance do protagonista com Marcela durou quinze meses e onze contos de réis. O autor poderia ter simplificado e dito que a relação durou enquanto Marcela se aproveitou do dinheiro do namorado. Em Viver para contar, o protagonista aguarda uma carona na chuva, no frio, sentado no meio-fio, debilitado. A carona chega e pergunta: "Você é o Gabito?" Resposta: "Quase não sou mais". O escritor poderia ter simplificado e dito que sim, era ele. Porém, para os melhores não basta dizer.

Assim é O Gattopardo, escrito nos anos 1950, mas ambientado na segunda metade do século XIX. Talvez por isso o romance soe realista apesar de escrito na época das vanguardas. Tomasi retrata com fidelidade o contexto da Itália durante a unificação, mostrando a decadência dos nobres sem dinheiro e a ascenção da burguesia sem fineza.

O livro é repleto de descrições à lá Flaubert e mostra um casal diferente das tragédias românticas e das friezas realistas. Não desanime com as primeiras páginas; a morosidade da leitura retrata o declínio dos Salina assim como a morosidade de Madame Bovary retrata o tédio de Emma Rouault.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Vai que cola

A Câmara dos Deputados desiste com freqüência de bobagens cometidas, de acordo com a reação da opinião pública. A estratégia consiste em legislar por interesses privados; se ninguém reclamar, ótimo.

Os deputados mudaram de opinião na farra dos vereadores, na divulgação de CNPJ das empresas em prestação de contas, na concessão de plano de saúde a comissionados.

Pelo menos vozes da sensatez não se calaram. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou ontem na GloboNews que a imagem do Congresso está no fundo do poço ao contrário de colegas que querem "salvar a imagem" da instituição. Salvar o que se perdeu?

PS: quando a imprensa diz que a Câmara desiste de algo, escreve: "Câmara volta atrás..." Ainda bem que quem volta, volta para trás.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Brasileiro entra de sola

Há muito descorro aqui sobre o problema do Brasil: cultura.

Na Índia um jornalista sem criatividade jogou um sapato em não-sei-quem para ofendê-lo, como o jornalista iraquiano com o Bush. Em países ocidentais o gesto basta como ofensa grave.

No Brasil a mentalidade bárbara exige que o sapato acerte a testa do cidadão. Se não provocar dor e um galo de vários dias, o ofensor é um pamonha.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Lula não quer ser o homem de Obama

Lula constrangeu-se com a afirmação de Barack Obama: "this is my man".

Imaginem, fiéis leitores, um retirante nordestino barbudão escutando isso. Ih, companheiro, tá estranhando?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Crianças aprendem rápido, inclusive a matar

A polícia do DF prendeu mais de trinta menores com mandados de prisão pendentes. Conforme a lei, foram encaminhados para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Nessas circunstâncias surgem idéias favoráveis a reduzir a maioridade penal. Porém, a medida não daria certo porque o crime buscará bodes expiatórios mais novos.

O filme Diamante de sangue, com Leonardo DiCaprio, mostra como bandidos corrompem crianças e transfiguram-nas em assassinos. É a mesma tática do tráfico de drogas no Brasil.

Logo, reduzir a maioridade penal é mudar o lixo de lugar. O mau cheiro fica.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sinal dos tempos

O G-20, grupo dos países mais ricos do mundo, do qual o Brasil participa, vai dar dinheiro ao FMI.

Deixa eu ver se entendi: o Brasil vai dar dinheiro ao FMI?

A ditadura aberta

Se o principal talento do ficcionista é a criatividade, o principal do jornalista é a persistência. Não à toa Elio Gaspari precisou de dezoito anos para publicar o primeiro volume de As ilusões armadas e O sacerdote e o feiticeiro.

O autor dá aula de jornalismo ao embasar o que escreve com dezenas de referências bibliográficas; ao manter intrínseco relacionamento com as fontes, extraindo delas uma vida de documentos de um período brutal, mas registrado; ao expor o trabalho com transparência indicando de onde tirou cada informação.

Hoje são quatro livros sobre a ditadura militar brasileira, totalizando 2 mil páginas, fora o último volume previsto para 2010. A princípio o tijolo de informações assusta, mas quando se trata de assunto tão relevante, melhor sobrar do que faltar.

Gaspari reconstrói a História da queda de João Goulart à posse de Figueiredo, seguindo uma corrente de historiadores que limitam a ditadura até 1978, pois o governo de Figueiredo é o da anistia, da abertura e do fim do AI-5.

A clareza do texto compensa a falta de arte literária. O autor mescla fatos com análises, perfis com documentos. Esclarece como funciona a mente dos homens que atrasaram o país com milagres paliativos e lágrimas irreversíveis.

Fábula fabulosa

Era uma vez um anão que se achava o mestre mas que deixava todo mundo zangado. Um dia o anão, troglodita, abateu o indefeso peru, vangloriando-se. Isso com a ajuda do pato e de dois imperadores.

Porém o anão nunca entenderá que jamais terá a fineza de cavalheiros como o argentino, o equatoriano ou o uruguaio.

Sempre levará um baile deles.

PS: A Itália tem Pirlo; a Espanha tem Xavi; a Inglaterra tem Gerrard. Nós temos Fe-li-pe Me-lo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Não é mentira: a CLDF aprovou outra lei ilegal

A Câmara Legislativa aprovou uma lei que condiciona aumento de salário dos servidores públicos à arrecadação do GDF. A nova legislação também determina que o governo tem até o dia 15 do mês seguinte para pagar salário do funcionalismo. Em pouco tempo o projeto, governista, passou por quatro ou cinco comissões.

Mais uma lei ilegal da Câmara. A Lei Orgânica do DF determina que o pagamento dos servidores públicos deve ser feito até o dia cinco do mês seguinte. Nenhum repórter pôs parlamentar na parede e questionou isso. Como ninguém questionou o motivo de um projeto governista passar como um furacão nas comissões, beneficiando o governador Arruda com agilidade que não beneficia os projetos de interesse social.