domingo, 31 de maio de 2009

1 centavo

Ontem fui a um restaurante que serve rodízio. Ao pedir a conta, o garçom trouxe todo o consumo descrito:

2 sucos de laranja.................. x reais
1 água..................................... y reais
2 rodízios................................ z reais

O surpreendente veio em seguida. A conta trazia o que consumimos no rodizío. Até aí, tudo normal, exceto pelo o que estava na frente de cada alimento:

1 alimento com queijo, presunto e tomate............ 1 centavo
2 alimentos com carne de sol e manteiga.............. 1 centavo
1 alimento com banana e chocolate........................ 1 centavo

Essa brincadeira rendeu nove centavos cobrados por algo já pago, afinal era rodízio. Ou seja, eu paguei preço fixo para comer o quanto quisesse, sem ter que pagar por cada prato.

Nove centavos, fiel leitor. Se o restaurante atender cinqüenta mesas por dia a uma média de dez centavos por conta, arrebatará 5 reais. Se o estabelecimento funcionar cinco vezes na semana, são 25 reais. Multiplique por 4 semanas = 100 reais por mês cobrando um centavo por item do rodízio.

Os 10%, opcionais, ficaram em 3 reais. Paguei os nove centavos, mas não paguei os 10%.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Alternativa ao sistema eleitoral brasileiro

O sistema eleitoral exposto a seguir não é novidade, mas é desconhecido no Brasil: voto distrital.

Em vez de votarmos em representantes das unidades federativas, deveríamos adotar sistema distinto. Dividir-se-ia as cidades em distritos eleitorais (não confundir com os distritos administrativos existentes); cada distrito elegeria um parlamentar.

Exemplo: no Distrito Federal, poder-se-ia agrupar Taguatinga, Vicente Pires e Águas Claras em um distrito. As três elegeriam um representante que prestaria contas a elas. Assim, é mais simples cobrar resultados do escolhido, pois se trata de uma pessoa (no modelo atual, todo o DF elege 32 deputados, entre federais e distritais).

Outra vantagem do sistema distrital é a de depor o parlamentar em caso de desvio de conduta ou incompetência. Poder-se-ia usar x% dos eleitores para aprovar a deposição e convocar novas eleições. Prática semelhante é usada na proposição de iniciativa popular.

O eleitor precisa de meios de controlar o representante.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Explodir os coleguinhas

A encrenca nuclear reavivada pelos testes norte-coreanos só serão resolvidos se os donos da verdade abdicarem do mesmo tipo de armamento e reconhecerem erros.

Palavras-chave: Estados Unidos, países da União Européia, Hiroshima e Nagazaki.

Ele pode esperar

O terrorismo sob ótica árabe é a proposta de O atentado, do argelino Yasmina Khadra. Por isso, a princípio, a obra valeria a pena para ocidentais americanizados, como os brasileiros. Contudo, a menos que se tenha lido tudo o que o melhor da literatura mundial tenha a oferecer (incluído o árabe As mil e uma noites), O atentado pode esperar no fim da fila.

Khadra opõe, por meio do protagonista (Amin Jaafari) - israelense de origem árabe -, o individualismo ocidental ao nacionalismo extremista. Amin busca ao longo da história explicação para a transformação da esposa em mulher-bomba. As respostas são dignas de vídeos do Bin Laden. Se o intuito da obra é a visão unilateral do terrorismo, objetivo cumprido. Porém, se houvesse o confronto com os seguintes questionamentos, o livro seria melhor.

Primeiro, os personagens pró-terrorismo, que argumentam serem pessoas de bem, não explicam o motivo de explodir inocentes (exceto o óbvio de causar pânico). Segundo, esses mesmos personagens demonstram desprezo à vida dos próprios colegas de causa; em um diálogo, um deles explica a Amin que a esposa não devia se suicidar pois ela era mais importante viva, ou seja, há pessoas que são mais importantes mortas. Se o ato kamikaze é tão nobre, por que os líderes terroristas não se matam?

Outro problema está no tempo verbal predominante na escrita. Khadra, pelo menos na tradução da Sá Editora, usa o presente do indicativo com narração em primeira pessoa. Então, o narrador diz "eu como", "eu acordo", "eu ando". Assim, há dois Amins conflitantes: o que narra enquanto o outro age, provocando incoerência. É diferente de narradores-personagens que contam histórias após elas terem acontecido, como Bentinho, de Dom Casmurro, ou Carraway, de O grande Gatsby. Nestes o personagem é um só.

domingo, 24 de maio de 2009

Ausência

Perdoem-me, fiéis leitores, as reiteradas ausências. Exige-se do blogueiro que ele cumpra a parte mais chata da vida: obrigações.

Cada vez tenho menos insumos para escrever - ler jornais e reparar no dia-a-dia. Contudo, felicito-vos que tal condição é passageira.

Acima de tudo, respeitem os mortos. Não deixem de visitar este cemitério de idéias.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Eternizados

Fiéis leitores, não reparem eventuais ausências do coveiro. Não sumi.

Acompanhando o noticiário, delicio-me com o caso do deputado que se lixa para a opinião pública. Tomara que o eleitorado gaúcho, que cometeu a gafe de elegê-lo sete vezes, lixe-se para ele. Só não peço para linchá-lo por questão de urbanidade.

Mas o interessante é o tratamento que ele receberá até o fim da vida. "O deputado Sérgio Moraes, aquele que diz estar se lixando para a opinião pública, ..." "Sérgio Moraes, de 142 anos, aquele que quando era deputado disse..."

Outro que tem marca é o também deputado Edmar Moreira, o dono do castelo. José Adalberto Vieira da Silva é o assessor do PT com dólar na cueca. O atacante Ronaldo tem que rezar para ninguém o superar como maior artilheiro das Copas, porque senão corre o risco de ser o pegador de travestis.

Pelo menos temos o direito de se divertir e reclamar. Por isso que qualquer democracia é melhor que qualquer ditadura.

sábado, 9 de maio de 2009

Pior que a ditadura militar

O sistema de voto de lista fechada é coisa de ditadura. De 1964 a 1984 o Brasil não escolhia o presidente da República, como muito parlamentar quer fazer com o legislativo de hoje.

O espantoso é que nas eleições legislativas da ditadura militar, o eleitor escolhia o parlamentar, como na vitória esmagadora do MDB em 1974.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Sete refrigerantes têm substância cancerígena, revela pesquisa

Da Folha Online, sendo os principais:

Sprite Zero, Fanta Laranja e Sukita.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Retórica

A História do Brasil é recheada de frases inesquecíveis.

No Império, D. Pedro de Alcântara sofismou: "Se é para o bem do povo e felicidade geral da nação, diga que fico". A bandeira de Minas Gerais ostenta: libertas, quae sera tamen. A ditadura militar exigiu: "Brasil, ame-o ou deixe-o".

A frase da contemporaneidade é "vamos averiguar as informações". Senadores acusados de corrupção: "vamos averiguar as informações". Flanelinhas cobram dinheiro por espaço público: "vamos averiguar as informações". A reforma ortográfica foi inútil: "vamos averiguar as informações". Dunga não tem condição de ser o técnico do Brasil: "vamos averiguar as informações".

Em vez de as autoridades dizerem ações de curto prazo para depois apresentar as de médio e longo prazo, deixam as explicações no limbo, de onde o problema custará a ser resgatado ou pelo menos lembrado.

sábado, 2 de maio de 2009

Twister

A moda das últimas 24 horas é o twitter, uma espécie de blog de mensagens curtíssimas, com duas ou três linhas. Os defensores da novidade, defensores de qualquer coisa, argumentam que o twitter dá agilidade à informação.

As relações sociais caíram na entropia. Mal assimilamos internet, TV por assinatura, blogs, jornais impressos, surgiu essa coisa. Como na postagem Cada um no seu quadrado, afirmo: ninguém precisa de notícia minuto a minuto. Faça o teste assistindo ao jornal noturno. Ao final dele, quanto de notícia você consegue lembrar?

O tempo é cíclico, só a mentira muda. Na pré-história acreditávamos no sobrenatural; da idade antiga ao século XIX acreditávamos que humanos nasciam para ser escravos; hoje acreditamos na bizarrice do tempo real.

Não existe tempo real a não ser que presenciemos o acontecimento. Toda a informação transmitida, por qualquer veículo, é passado.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Não é droga, mas a vida

O intelectualismo condenar-me-á por ler a biografia de Garrincha, Estrela Solitária, de Ruy Castro. Se o futebol é visto como ópio do povo e outras bobagens, a literatura especializada então é heresia.

Digo de cabeça erguida, porém, que foi prazeroso conhecer uma versão da vida de Garrincha. Castro escreve com humor e precisão, penetrando em detalhes da vida do jogador, possível apenas com a habilidade de conquistar a confiança dos entrevistados.

Estrela solitária mostra o fim do complexo de vira-latas e a dicotomia que acompanha o brasileiro até hoje: fazer vista grossa nos erros do herói quando ele está bem e condenar os mesmos erros do mesmo herói quando ele está mal.

O autor exagera ao associar os antepassados de Garrincha ao comportamento dele, como se a ingovernabilidade do ponta-direita fosse genética. Ruy Castro também erra ao mastigar demais o texto, dizendo em cinco palavras o que poderia ser dito em duas. Falhas perdoáveis, contudo. O futebol peita a lógica e o academicismo.