"Mário Sérgio me chamou para uma conversa reservada:
- Vem cá, vieram me falar que você não gosta de mim, que não queria que eu fosse contratado, que eu sou filho da puta...
Não contra-argumentei a ordem de parar de bater faltas, mas aquela segunda conversa era demais.
- É simples - respondi. - O senhor traz pra cá agora quem disse isso, e a gente comprova se é verdade ou não."
Rogério Ceni, em Maioridade Penal. São Paulo: Panda Books, 2009, pp. 77-8.
Maioridade penal é tão imaturo quanto um adolescente de dezoito anos recém-completados. Se a proposta do livro é servir de memórias para Rogério Ceni, objetivo cumprido, temos um diário. Se a idéia é a de fazer jornalismo, como a profissião do co-autor André Plihal sugere, nada feito.
Com capítulos curtíssimos e discurso em primeira pessoa, em nome do goleiro, a obra frustra por manter lacunas e sonegar detalhes da carreira de Rogério Ceni. Em vez de explorar o material disponível na imprensa e inúmeras fontes vivas e lúcidas, André Plihal apenas conta as versões do protagonista. A oportunidade de retratar torneios, situações e personagens que comporiam o contexto da carreira de Ceni foi perdida. Maioridade penal é auto-promoção. Aliás, a concepção é precipitada. Feito antes de Rogério pendurar as chuteiras, o livro não conta a história da pior contusão do goleiro, ocorrida após o lançamento.
Se os autores queriam sair bem na foto, ótimo, não se discute o estilo adotado. Porém, seria mais interessante para o registro histórico e para os torcedores de futebol trabalho mais crítico, encorpado e investigativo.
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