sábado, 13 de junho de 2009

Nem sempre Deus porá a mão no fogo

"Eis que estamos de novo no limite do bom senso, exatamente onde os seres humanos perdem a razão. Por que fazes acordo conosco se não podes cumpri-lo? Desejas voar e não te sentes seguro ante a vertigem? Nós que te procuramos ou tu que nos invocaste?"

Mefistófeles, o inimigo da luz, em Fausto, de Goethe. São Paulo: Nova Cultural, 2002, p. 203.


A poesia de Fausto é mais do que alusão ao embate entre Deus e o diabo, o sagrado e o mundano, a vida e a morte. O pacto entre Fausto e Mefistófeles representa nossas escolhas.

O enredo parafraseia a aposta entre Deus e o demônio sobre a conduta de Jó, personagem bíblico dono de posses, chefe de família e temente ao Senhor. Satã desafia o orgulho de Deus sobre tão valoroso fiel, propondo-lhe atormentar Jó a fim de conferir-lhe a fé. Deus aceita o embate, e Satanás destrói a vida de Jó, que permanece temente a Ele.

Fausto também é posto em prova. Culto, polivalente e ambicioso, sofre as tentações do diabo. Mas Fausto é Jó às avessas, fraco de espírito, de caráter e de fé. Insatisfeito com a própria vida, decide suicidar-se. Mefistófeles o impede. Atencioso com as frustrações do protagonista, o demônio propõe lhe servir na vida, em troca de vassalagem na morte.

Mais do que os fantasmas da Idade Média e os da humanidade, a obra do escritor alemão Goethe questiona o leitor sobre o que ele está disposto a fornecer em troca de dinheiro, juventude e amor.

2 comentários:

Daniel disse...

Ae mlk, conhece o Museu da Corrupção?

Lembrei de tu quando eu vi:
http://www.dcomercio.com.br/especiais/2009/museu/home.htm

Guilherme Sousa Rocha disse...

Parece bem interessante.

Não conhecia.