O hábito antigo de que honra se lava com sangue permanece na contemporaneidade. A diferença está em quem empunha a espada adversária. Antes o duelo travava-se contra o pai da moça de donzelice roubada; o assassino de amigo ou parente; o inimigo ideológico. Hoje o embate se dá contra a opinião pública.
Após morrer, Michael Jackson tornou-se o deus da música, o reinventor da arte. Os fracassos recentes dos discos encalhados nas lojas e as dívidas ficaram em segundo plano. (Assim é fácil ficar rico: pegar dinheiro dos outros e não devolver).
Exemplo do ungido pela morte e salvo das garras da opinião pública é Getúlio Vargas. O ditador proto-fascista, convencido o suficiente para se colocar na história, tornou-se mártir adiando em dez anos o golpe militar no Brasil. Os desmandos do Estado Novo deram lugar à imagem de grande estadista.
No caso Michael Jackson formou-se a espiral do silêncio, como o repórter Gabriel Castro, da Rádio CBN, chamou-me a atenção. Essa teoria diz que a opinião comum de um grupo numeroso e/ou influente inibe a manifestação de idéias discordantes. Não se pode achar a música de Michael Jackson ruim sem represálias.
Resta-me o desprazer de pela primeira vez concordar com Diogo Mainardi. A música de Jackson é cafona, comercial e temporal.
terça-feira, 30 de junho de 2009
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1 comentários:
É cafona e comercial, mas é massa demais!
É Elvis no rock e Michael no pop. Não tem pra mais ninguém \o/
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