terça-feira, 21 de julho de 2009

Clássico de mulherzinha

"São muitos os meus defeitos, mas nenhum de compreensão, espero. Quanto a meu temperamento, não respondo por ele. É, segundo creio, um pouco ríspido demais... para a conveniência das pessoas. Não esqueço com facilidade tanto os disparates e vícios dos outros como as ofensas praticadas contra mim."

Mr. Darcy, em AUSTEN, Jane. Orgulho e preconceito. São Paulo: Martin Claret, 2008, p. 57.


Se você concluiu o ensino médio e quer histórias de amor, donzelinhas puras e mancebos poderosos, não leia Crepúsculo, Melancia ou Bridget Jones. Tais leituras não coadunam com a maturidade intelectual. Você só deve lê-las quando consumir o que a literatura mundial há de melhor. O período pós-colégio e pré-li-tudo-o-que-o-mundo-escreveu-de-bom é privativo dos clássicos, dos ensaios, das biografias e dos livros-reportagem.

Isso não impede a degustação de romantismo. Alexandre Dumas, José de Alencar e Victor Hugo estão aí para isso. Quem preferir algo mais próximo de novelas da Globo, pode recorrer à fonte inspiradora delas: Jane Austen.

Orgulho e preconceito se encaixa nos três requisitos do clássico: criatividade (a teledramaturgia da Globo está duzentos anos defasada), a verossimilhança (reconstrução de uma época) e o estilo (maneira de escrever própria). Os personagens, planos, atendem aos leitores preguiçosos; o estilo elegante, formal, atende aos leitores exigentes.

Não se esqueça de que narrativa boa não é só a empolgante, lida em pouco tempo, mas também a digerida devagar, em que o leitor interage com a obra, pensa, e não a engula como fast-food.

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