Ele estava sentado em uma cadeira de braço, aguardando atendimento. Não dava atenção aos transeuntes, e vice-versa. Dois rapazes aproximaram-se, um gordo e um magro. O gordo perguntou:
- Você mora aqui?
Em fração de segundo, ele pensou nas possibilidades de escapar. Soltou um doloroso:
- Sim.
Impaciente, o magro antecipou-se ao amigo e perguntou, com voz rouca:
- Sabe onde tem uma farmácia por aqui?
Primeiro veio-lhe a ânsia de corrigi-lo. O verbo ter não se usa no sentido de haver. Porém, encheu-se de elegância para responder a quem minutos depois ele descobriu ser alagoano.
- Não.
- Tô morrendo aqui nessa cidade, que só tem mato, escuridão e nenhuma farmácia! - bufou o rouco.
- Soube de uma farmácia na 403 - interveio o gordo. - É perto?
- De ônibus sim, de pé não - respondeu ele.
- Mas que raio de cidade! - o rouco.
- Onde tem um ponto de ônibus? - o magro.
- Suba nesse sentido. A primeira via que encontrarem, é a L3; a segunda, paralela, é a L2. Lá há uma parada.
- Mas essa #$¨%@$%# é muito longe.
- Obrigado.
- De nada.
- @*&¨%#(*&¨$)@*&¨*&#¨$.
domingo, 19 de julho de 2009
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