Adoro o Congresso Nacional.
Se no Brasil não houvesse tanta gente desamparada, eu preferiria que o parlamento brasileiro ficasse como está: corrupto como motorista com parente no Detran e secreto como caixa-preta. Essa combinação propicia situações tão divertidas que são quase essenciais à vida moderna.
Só falaríamos de novela e futebol não fossem o uso do vernáculo e os olhos esbugalhados de Fernando Collor. Ele une o drama de Shakespeare, a comédia de Molière e o pastelão de Mazzaropi. Ou seja, um talento.
O arranca-rabo entre Tasso Jereissati e Renan Calheiros é outro momento sublime. Vossas Desgracenças apenas disseram verdades, por que condená-los?
Na outra metade da laranja, os representantes do povo, aqueles que se deputam. Pergunto-me se os estrangeiros têm o divertimento de apelidar alguém de deputado do castelo ou de referir-se ao próximo por "aquele que se lixa".
Com a situação atual da sociedade brasileira, tais prazeres são macabros, admito. Mas permitam-me sonhar com o fim da desigualdade social e a permanência da graça.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
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