sábado, 22 de agosto de 2009

Nós

"A tristura talqualmente correição de sacassaia viera na taba e devorara até o silêncio."

ANDRADE, Mário. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 41.


Conheço só uma obra que representa uma nação: Macunaíma; todos os brasileiros podem se ver no herói. Mário de Andrade é inferior a Machado de Assis e Guimarães Rosa, por exemplo, mas fez algo que eles não conseguiram ou não tentaram. As obras do primeiro são retratos fluminenses; as do segundo, retratos sertanejos. Scott Fitzgerald representa em O grande Gatsby o americano, mas restrito aos anos 20. Kafka e Saramago representam o pior do homem, não ele todo. Apenas em Mário de Andrade vejo o alcance da plenitude.

Outro motivo põe Macunaíma entre o melhor da literatura latino-americana: a representação da cultura indígena, marca da maior região do Brasil e infiltrada nos países vizinhos.

Para os leitores cegos pelo ocidentalismo globalizado, é impossível ler o livro sem dicionário. Recomendo o do Instituto Houaiss. Por outro lado, a leitura é mais fluente que a de Grande sertão: veredas, servindo inclusive como preparação para o livro de Guimarães Rosa.

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