segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O ficcionista sufoca o biógrafo

"[...] ao expandir seu poder, Napoleão expandia sua luta."

DUMAS, Alexandre. Napoleão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004, p.91.


Ser um homem do século XIX é a vantagem e a desgraça de Alexandre Dumas ao escrever a biografia Napoleão. Vantagem por estar próximo aos acontecimentos, o que permite presenciar fatos e entrevistar pessoas inatingíveis a biógrafos do século XXI. Por outro lado, o escritor francês não desfrutou de avanços descobertos no jornalismo literário ao longo dos anos.

Viver o que os personagens da não-ficção vivem é uma das técnicas mais eficazes do jornalismo. Com ela experimenta-se sensações que o jornalista sequer imagina existir e que a fonte despreza ou esquece. A imersão permite falar de subjetividade com propriedade.

O problema está no estilo do autor, em época distante dos recentes estudos da biografia. Dumas assume em Napoleão o Romantismo e o ufanismo, fazendo do protagonista um herói idealizado, que tudo controla e tudo prevê. Isso hoje é condenável apesar de autores atuais cometerem o mesmo erro.

Além disso, a biografia é pequena. Jorge Luís Borges, escritor argentino, achava desnecessário páginas e páginas nas narrativas, bastava escrever o essencial. Contudo, se o essencial exigir escrever grande quantidade, assim seja. As 239 páginas de Napoleão sonegam trechos da vida do imperador.

E fique atento na leitura: há um erro histórico grave.

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